Do que se trata é simples – Construir
um País;
E com “Isso” será construir uma
civilização melhor.
Haverá
(de forma certa e segura) muitas teorias, mas todas parecem ter um mesmo
problema em comum – serão inócuas, descrentes e vazias de conteúdo moral e de
verdade política racional.
O tempo actual é marcado por novas
“práticas operacionais” de políticas de contraste num processo corrente de
combate ao regime político e ao “sistema
democrático”.
(práticas emergentes de uma época de
grandes mudanças de cenário em tempo
recorde)
Hoje aposta-se tudo no conflito
político contra os povos representados por “políticas de direito”, cuja adopção
“voluntária” pela força das circunstâncias do “momento democrático” e numa
versão de marinharia política que navega ao sabor do “vento que passa” pela Vela
hasteada de serviço (tal qual estandarte da tribo
dominante),
Através da adopção de práticas de
conduta operacional que, para além de um logro, são um atentado aos mais
elementares direitos de cidadania do cidadão comum, homem do seu tempo histórico
que cresceu no seio de um povo de uma pátria política (e da política)
aparentemente sem “Rei nem Roque”.
“Mas é o que temos” (…),
dirão os pessimistas na sua
conformidade racional cúmplice de “criminosos da política” transvestidos de
pessoas sérias (e respeitáveis políticos) que coçam a sua “barriga” construída
em estaleiros de ideias respeitáveis e filosóficas, e “ideais” simples de
aplicação pragmática, tudo num cerimonial de sucesso fácil premeditado e na
senda de uma aclamação eclética plastificada;
E
num formato de auto satisfação narcisista no seio de uma plêiade cultural
germinativa (artificial mas segura).
Um problema grave que todos estamos
interessados em resolver mas poucos o tratam como doença política e social de
cariz epidemiológico, perigoso para o projecto político de Pátria e de Nação
Portuguesa.
(…)
Enfim,
conversas em “promoção” nos escaparates de uma escola de virtuosismo
nacionalista (e patriótico), ingénuo mas eclético, profissional mas simplista,
indiscutivelmente ambicioso mas fervorosamente leal nos princípios e na atitude
institucional.
(…)
Conclui-se, olhando demoradamente para
as “montras” disponíveis à leitura pública das suas mensagens
cruciais,
que a Escravatura e a Cultura Esclavagista são o verdadeiro problema do nosso tempo político.
E, provavelmente, mais do que nunca em
grandeza absoluta na história da humanidade pela razão simplista da natureza
deste problema respeitar à “Sobrevivência do Homem” neste seu planeta
cientificamente comprovado como limitado de condições naturais e (dessa forma)
finito.
Pode
concluir-se, de facto, que esta problemática aparentemente (apenas) filosófica é
muito mais complexa do que aquilo que uma simples escrita pode transparecer - é
(exactamente) um problema de sobrevivência da espécie humana.
(….)
O
que poderá ser feito, então ??
Pergunta simples com resposta complicada.
Como é que os povos “inseridos” nesta
dinâmica política poderão reagir a uma ameaça muito clara e cada vez mais nítida
e descarada de pudor ??
Como em tudo o mais que passa por nós
neste tempo histórico, o que está em cima da nossa mesa parece ser a imposição
de um projecto político megalómano chamado “Cultura
Esclavagista”;
Ou o paradigma de uma nova escravidão
política (novel e diferente no “estilismo”) por palavras desiguais na morfologia
mas semelhantes no sentido próprio.
E será exactamente esta a questão
preocupante (…),
Porque não parece credível e
politicamente sustentável que as “Pessoas Dominantes” em causa (nesta abordagem)
tenham ficado dementes de repente, ou embrutecidas de um cérebro privilegiado
pelo excesso de processamento de memórias e recordações saudosas de um tempo
ancestral que marcou definitivamente as gerações que viveram a ordem natural do
seu tempo e de uma hera política crítica para a
humanidade.
E
admito (até) que este “desenho” configure um Plano Estratégico certamente
elaborado e delicado num cenário político eventualmente Patético, e numa
provável homenagem erudita ao Absurdo Político.
(…)
No
seguimento do raciocínio tipificado por esta mensagem, “vanguardista” e
eventualmente também miserabilista no ecossistema de serviço, relembro uma
resposta certa e paradigmática de um amigo (para fim de prosa):
_ “…São as Auto-Estradas do Poder !!
Caminhos certos para o sucesso
imediato sem grandes pensamentos no futuro político da comunidade (…);
Pura e simplesmente porque Isso não tem
interesse nenhum para a Vitória Política (…).
É
uma modalidade de acção emergente para o fim político de ocasião – a Vitória e o
Sucesso Fácil. ”
(ibidem)
§§§§§§§§ //
§§§§§§§§
ANEXO – ILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:
………………..
“…
de:
(….)
1.Europa
Triunfante
A história que os europeus contaram de si mesmos durante séculos foi marcada pelo orgulho. Possuíam uma notável cultura e civilização, cuja matriz greco-latina e cristã era considerada superior a qualquer outra existente. Esta presunção legitimou a sua expansão pelo mundo, a conquista e colonização de outras regiões e povos.
As histórias de muitos povos europeus,
como os portugueses, espanhóis, ingleses, holandeses, franceses ou italianos,
está repleta de acções que segundo os nossos valores actuais seriam
criminosas.
Miguel Angelo, por exemplo, na Capela
de Sistina (Vaticano) representou a escravatura como uma obra civilizadora, pois
permitia resgatar os "selvagens" à barbárie em que
viviam.
Estes actos, embora na aparência
bárbaros, eram entendidos pelos europeus na época como necessários ao progresso
dos povos primitivos, etapas históricas que tinha que ser
percorridas.
2. Europa
Envergonhada
A partir dos anos 60 do século XX, os
europeus passaram a ver com outros olhos o seu passado. Onde antes viam gestos
civilizadores passaram a ver actos bárbaros.
A escravatura tornou-se uma questão
incómoda, um acto vergonhoso. A expansão uma vasta acção de rapina. O
colonialismo uma acção negativa, que só serviu para destruir povos, culturas,
etc.
As guerras e fomes que ocorriam nas
antigas colónias europeias, após a sua independência, foram sentidas como
produtos da acção europeia.
A sua maléfica influência só serviu
para degenerar os diferentes povos. Criar as condições para a proliferação da
miséria actual. Se os europeus não tivessem ido para África, América, Ásia ou
Oceânia o mundo seria muito melhor.
Foi com um enorme sentimento de culpa,
que os europeus receberam milhões de imigrantes provenientes das antigas
colónias. Toleraram hábitos e costumes, muitas vezes contrários aos seus
valores. Faziam-no porque não se sentiam capazes de impor nada a
outros.
O
respeito pelas diferenças, denominado multiculturalismo, era a única atitude
possível quando não se quer assumir nenhuma posição.
Cada um continuaria com as suas
tradições, vivendo nos seus espaços próprios, limitando-se os poderes públicos a
manter esta frágil convivência de culturas.
A causa de tanta vergonha dos europeus
face ao seu passado, não está para muitos no exterior da própria Europa, mas nas
matanças que no seu interior ocorreram nos últimos duzentos
anos.
Os exemplos são muitos, a começar pelo
sistemático etnocídio praticado pelos espanhóis em Olivença, passando pelas
invasões francesas, às duas guerras mundiais, matanças no País Basco e na
Irlanda do Norte, terminando na Bósnia-Herzegóvina, temos que concluir, com
George Steiner que os europeus se suportam mal. A maior parte do tempo tem
andado a matar-se.
3. O
Dedo Muçulmano
A emergência do fundamentalismo islâmico foi apenas um passo neste processo histórico. Os europeus foram globalmente identificados como a causa da desgraça da humanidade.
A única salvação possível é a barbárie,
isto é, a morte indiscriminada dos "infiéis". O 11 de Setembro em Nova Iorque é
o símbolo por excelência, mas não o único, desta
matança.
O que os europeus constataram foi
também outra coisa, ainda mais dramática: é que a sua cultura está longe de
encantar os filhos de muitos dos seus imigrantes das suas
ex-colónias.
Mas não se pense que são só os que tem
origem não europeias. Em Novembro de 2005, os belgas viram uma das suas cidadãs,
com raízes europeias, matar-se matando ocidentais e simbolicamente fazendo o
mesmo a tudo aquilo que a Europa e os ocidentais
significam.
A comunicação ocidental procurou
diminuir os estragos provocados, mostrando que a mesma estava contaminada pelo
vírus do islamismo.
4. Reacção
Europeia
Se os europeus continuam a não
manifestar grande orgulho no seu passado, deixaram de ser indiferentes perante
as sistemáticas acusações que são alvo.
Estamos a assistir a um crescente
movimento de defesa dos valores e da cultura
europeia.
Em França, o governo decretou que nas
escolas se ponha fim à visão negativa que estaria a ser dada história da sua
colonização em África.
Os professores são agora obrigados a
exaltar os aspectos positivos do colonialismo francês, nomeadamente na Argélia,
ignorando ou relativizando matanças, escravatura,
etc.
Na Grã-Bretanha, e em muitos outros
países, cresce a recusa em ajudar os africanos. De acordo com o novo discurso, a
culpa da sua miséria não se deve à escravatura e exploração que foram vítimas no
passado pelos europeus, mas a eles próprios que nada fazem para acabar com os
governos corruptos e incompetentes que os
governam.
Nos EUA, partindo-se do pressuposto que
a "guerra de civilizações" é uma inevitabilidade dos nossos tempos, defende-se a
definição das fronteiras a nível mundial, entre os "civilizados" e os "bárbaros"
(muçulmanos e outros não ocidentalizados).
Face a este panorama, não é de
estranhar que a ONU tenha cada vez mais dificuldade em angariar apoios para
milhões de pessoas que morrem à fome em todo o
mundo.
5. De
Camões
a Fernando
Pessoa,
passando
por
Kant
Este debate não é novo em Portugal. Há
muito que os poetas, na primeira nação europeia que se expandiu para fora do
velho continente, defendiam um nova concepção visão para este
problema.
A perspectiva europeia tradicional,
protagonizada no século XVI, por Luís de Camões era muito clara nos seus
propósitos. Ao longo dos dez cantos d`Os Lusíadas (1572), expõe a missão
história dos europeus: a conversão dos não-ocidentais aos seus valores e
religião.
O cristianismo afirma-se como a única
religião universal, excluindo todas as outras.
Os portugueses foram os primeiros a
abrir este caminho para esta acção de conversão. Deram o exemplo e depois deles
outros povos europeus os seguiram (espanhóis, holandeses, ingleses, franceses,
etc).
O modelo de homem Camões é o de um
cristão, convicto da superioridade da cultura europeia e da necessidade de a
expandir.
Em nenhum momento o poeta questiona
esta missão, mesmo quando aponta os sacrifícios que a mesma
implica.
Camões
e
Homero
No Canto Nono d`Os Lusíadas, Camões
introduz simbolicamente uma diferença radical na maneira dos portugueses
(cristãos) encararem outros povos.
Na Odisseia, Homero impede que o herói
- Ulisses -, se misture ou se deixe encantar. Ulisses para não se deixar seduzir
pelas sereias tapa com cera os ouvidos, e faz-se acorrentar ao mastro.
Simbolicamente rejeita-se assim o cruzamento entre povos, a
miscigenação.
No Canto Nono, na célebre "Ilhas dos
Amores" , os navegadores, incluindo Vasco da Gama, não apenas se deixam seduzir,
mas procuram a sedução, terminando numa orgia com as ninfas. Camões afirma desta
forma simbólica que a miscigenação ( e a fornicação com outros povos) faz parte
integrante da maneira dos portugueses viverem a expansão e a difusão dos
cristianismo pelo mundo.
O sexo esteve sempre presente na
epopeia dos portugueses.
Quando os europeus haviam afirmado o
seu poder à escala global, E. Kant, na Alemanha, define assim o Homem do Futuro:
cosmopolita, sem pátria e sem uma cultura
nacional.
O homem é assim reduzido na sua
diversidade. Este é o preço que terá que pagar para evitar os conflitos entre os
povos, as guerras.
Reagindo contra esta visão iluminista,
o século XIX acaba por mergulhar num conflito de
nacionalismos.
O Ideal do homem kantiano, é retomado
por algumas ideologias de esquerda que prometem criar um Homem Novo
(internacionalista). O resultado foi a criação de regimes totalitários que
apregoavam o internacionalismo proletário.
Fernando Pessoa, entre as duas guerras
mundiais que marcaram o século XX, retoma na Mensagem a epopeia de Camões. Rompe
com o modelo do Homem Europeu camoniano, mas também com o homem desenraizado de
Kant.
O que os europeus deviam de assumir
como missão histórica era criar um homem múltiplo, plural - Um híbrido, produto
de todas as culturas, todas as civilizações.
O Homem de Fernando Pessoa não é
cristão como o de Camões, nem desenraizado com o de Kant, mas
cristão-muçulmano-judeu-ateu-cosmopolita e tudo o mais que a sua "alma" for
capaz de conter.
Reconhecendo-se como múltiplo e não
uno, está aberto aos vários mundos. Não se trata de defender o
multiculturalismo, onde cada povo é remetido para o seu gueto, mas a
miscigenação universal.
Um projecto posto em prática à escala
planetária pelos portugueses, mas interrompido no século XIX pelos movimentos
racistas que brotaram no seio da Europa.
"É Hora! " de cumprir esta missão,
afirma o poeta.
Carlos Fontes
…”
………………..
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