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“… ser herói é não ter
rebanho…”
José
Saramago
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O esclavagismo e a história de Portugal,
Ou
a versão política dos equívocos históricos do “Problema Português”
(…).
Um problema que extravasa as fronteiras
de um pequeno país com uma cultura profundamente nacionalista e patriótica, povo
que tenta “fugir” ao seu desígnio de “pequenez” numa Europa ocidental económica
e socialmente forte e coesa, mas politicamente vulnerável e “disponível” para os
intentos maliciosos das subculturas politicas
corporativas.
Das quais a questão mais grave (de
repente caída na nossa actualidade “moderna”) parece ligar-se à ética das
problemáticas raciais que são a “pedra de toque” dos aglomerados políticos
extremistas (a extrema-esquerda e a extrema-direita políticas) que se
entrecruzam na vivência quotidiana da cultura europeia ocidental (e não a
dispensam de coabitação conflituosa).
(…)
É curioso que os Ingleses desde cedo
abraçaram a causa do Anti-Esclavagismo (mesmo no cerne da sua cultura e
ascendência colonial profunda) e por isso foram combatidos por muitas culturas
específicas e o resto do outro meio mundo.
(e mais algumas tribos
especiais)
Desde a Guerra dos Bôeres, em África,
às duas guerras mundiais em que foram figura de topo e primeira linha, os
Ingleses sempre estiveram no plateau desta questão emblemática do
Anti-Esclavagismo.
(não será por acaso que Londres é
classificada como a “capital multi-cultural” da Europa, e provavelmente do
mundo)
Este problema começou a tomar expressão
crítica durante a Guerra Peninsular, na qual Portugal participou com o evento
das denominadas “Invasões Francesas”, e o problema principal consistiu
(essencialmente) no domínio dos mares e dos portos por onde se fazia o comércio
esclavagista com origem em África.
Os principais intérpretes da Guerra
Peninsular foram a Inglaterra e a França, com a participação activa de Portugal
e Espanha, na qual a Inglaterra lutou contra o domínio marítimo do comércio
esclavagista interpretado pelo poderio da armada militar Francesa e dos
interesses comerciais e económicos do império colonial
Francês.
Os portugueses (com o seu exacerbado
patriotismo) terão tido a percepção política da verdadeira intenção de Napoleão
de governar os importantes portos lusitanos no comércio de escravos de África
(principalmente de Angola), mas também de promover o território de Portugal a
Colónia Francesa (e as “gentes lusitanas” a escravos do ideal colonial francês),
situação que se viria a transformar numa Guerra de
Libertação.
E com sucesso,
Com equívoco,
E desde logo levanta uma interjeição
política plena de oportunidade e ocasião na nossa actualidade estratégica,
projectando este assunto para o nosso tempo contemporâneo no interesse político
dos activistas da Causa de Libertação de Portugal do jugo económico que suporta
a libertação da pobreza dos países e povos europeus mais “pequenos e
inferiorizados”, e do crescimento político e social transversal a todos os
países da Europa comunitária.
Ou seja (portanto e por outras
palavras), será que o “ideal” (colonial) de Napoleão ressuscitou na Política
Europeia do Tratado de uma Europa Única ??
Na União Europeia do Século XXI
??
Pois parece estúpido e irreal este
“Assunto”, visto ao contrário e “do lado político do avesso”, mas não é
(…),
E tal circunstância prova que a “substância” em cima da Mesa Política da actualidade no mundo inteiro e, em particular no ocidente, chama-se Esclavagismo.
A nova era política pós-moderna na
senda de um Esclavagismo Moderno e numa visão política surreal mas muito
concreta.
(…)
§§§§§§§§
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ANEXO – ILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:
………………..
“…
de:
Reacção
na
Europa
1805
– Na segunda-feira dia 21.10.1805 uma armada franco-espanhola de 33 navios que
saía de Cádiz com rumo a Nápoles, onde Bonaparte necessitava de tropas para
invadir a Áustria, é atacada e destruída ao largo do cabo Trafalgar;
embora o mais jovem almirante
britânico, Horácio Nelson, morra durante a famosa batalha, pelas 17 horas o
poderio naval da França atinge o seu ocaso.
Quando a Inglaterra proíbe
imediatamente as nações neutras de comerciarem por mar com a França sem uma
licença a obter nos portos ingleses, o imperador Bonaparte decreta um bloqueio
geral dos portos europeus.
1806
– Encorajada pelo domínio britânico do mar das Caraíbas, a população mestiça de
Port-au-Prince, encabeçada por Pètion, revolta-se e o imperador Jacques I morre ao tentar
dominá-la.
No lado sul da ilha Pètion alforria os escravos e persuade-os a
que, em vez de cultivarem a cana, plantem café: é esta cultura livre e
imecanizável, encorajada pelo comércio americano, que põe fim à economia ultramarina
francesa.
A carta de alforria era um documento através do qual o proprietário de um escravo rescindia dos seus direitos de propriedade sobre o mesmo. O escravo liberto por esse dispositivo era habitualmente chamado de negro forro.]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alforria
1807
– Na Europa, a nação portuguesa encontra-se na difícil situação de aliada
centenária da Inglaterra, com uma economia dominada por investimentos britânicos
e sob um governo forçado a fingir que respeita o bloqueio francês; a 12.08
sabe-se da nota do embaixador francês, em que este exige, entre outras medidas,
a declaração de guerra à Inglaterra.
De facto o rei português chega a
assinar os decretos respectivos entre Outubro e Novembro mas, mesmo assim, a
Casa de Bragança é banida por decreto de Bonaparte e, na noite de 19.11, o
general Junot invade Portugal com 25.000 soldados que vão saquear a vila de
Castelo Branco.
Dez dias depois a família real e muitos
nobres deixam a praia da Ericeira rumo ao Brasil, sob escolta duma flotilha
britânica.
Com o domínio do comércio do Atlântico
garantido pela presença do rei português D. João VI na América, os Lordes
britânicos aprovam, finalmente, a proposta de Wilberforce:
a abolição da escravatura em todos os
domínios da coroa britânica.
1810
– O tratado de Aliança de 19.02.1810,
negociado com a Grã-Bretanha pela corte do Rio de Janeiro, contém uma proposta
de Abolição gradual em todos os territórios portugueses.
1811
– O governo britânico institui a pena de morte para os transportadores ingleses,
agora conhecidos por ‘negreiros’.
1813
– A lei de 13.11 reduz à metade o
tráfico de Angola, mas na prática os negreiros mantêm-no em alta.
>>>>>>>>
// <<<<<<<<
de:
(…)
D. Pedro I do Brasil (D. Pedro
IV de Portugal) não acreditava em diferenças raciais nem na presumível
inferioridade do negro, como era comum na época e combatia publicamente a
escravatura.
A maioria da população brasileira, no
entanto, era hostil às ideias abolicionistas.
Segundo a historiadora Isabel Lustosa,
D. Pedro I foi um governante muito à frente da elite brasileira do seu tempo.
Afrontou os valores da escravatura, combatendo com vigor o hábito de alguns
funcionários públicos mandarem escravos para trabalhar em seu
lugar.
Para José Murilo de Carvalho, D. Pedro
era “comandado por emoções, às vezes contraditórias, a que não aprendera a impor
barreira alguma. Era impulsivo, romântico, autoritário, ambicioso, generoso,
grosseiro, sedutor. Era capaz de grandes ódios e grandes amores
“.
(…)
Ao evitar-se que a Família Real fosse
aprisionada em Lisboa pelas tropas francesas, inviabilizou-se o projecto de
Napoleão para a península Ibérica, que consistia em estabelecer nela famílias
reais da sua própria família, como ainda se tentou em Espanha com a deposição de
Fernando VII e Carlos IV, colocando no trono José Bonaparte, irmão de
Napoleão.
(….)
…”
………………..