quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O “REGÍCIDIO” DO SISTEMA POLÍTICO PORTUGUÊS ATRAVÉS DE UMA INTERPRETAÇÃO PÓS-MODERNA (parte 3)

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“… Nos anos 80 circula uma vontade de participação e de desconfiança geral, o pós-modernismo.

Pós-modernismo é o nome dado às mudanças ocorridas nas ciências, nas artes, nas sociedades desde 1950.

Mas, existe o medo, o medo de mudança, o medo do novo e a perda do conservadorismo.

Ele nasce com várias mudanças na arquitetura e principalmente na computação, entra na filosofia nos anos 70 como crítica da cultura ocidental, ou seja, são mudanças gerais desde as artes até na tecnologia, e se alastra por todos os lados e meios, sem saber se é uma forma de decadência ou se é um renascimento cultural.

(….)

O pós-modernismo é tudo o que se refere ao novo, foi quando ocorreu a total mudança, ou melhor, uma mudança geral em quase todos os aspectos, desde as artes até as ciências. (…)”

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Haverá responsáveis ??

De quem será a culpa da hecatombe cultural ?

Todos os sistemas que não se renovam têm tendência natural para a desconfiguração, restando numa situação residual (caracterizada pela ausência de ideias e de conteúdos ideológicos) a gestão da descaracterização e da anarquia organizacional dos “corpos” envolvidos.

(….)


Na realidade, foi “Isto” que aconteceu.


(….)


Os ventos de mudança que sopraram com grande intensidade (e ímpeto revolucionário) vindos de uma Europa pós-2ª guerra mundial em mutação política, ideológica e estratégica emergente (situação comum a todo o mundo ocidental contemporâneo) invadiram os países limítrofes da Europa, menos desenvolvidos e mais pobres (e mais expostos a um “temporal” político que iria fazer claudicar a sua organização política de Estado/Nação e a sua estrutura económica), alterando de forma radical o Sistema Internacional e impondo uma nova lógica na ordem política e estratégica mundial.


Esses “Ventos de Mudança” tiveram nome próprio e chamaram-se “Descolonização” e “Pós-Modernismo”.


Portugal viria a sucumbir de forma lenta e demorada, mas completa e radical;

E talvez tenha tido os “sinais de doença” clássicos (que caracterizaram a “revolução ocidental”) e a respectiva falta de capacidade de sobrevivência em saúde de regime;

E sobreveio a própria natureza do sistema que abandonado a si próprio e à sua menoridade de autoridade histórica reagiu à doença e tomou o rumo da cura certa, mas também ela intermitente com a maleita política sistémica recorrente, tudo de muito difícil e lenta recuperação funcional.


(….)


Colocando esta metodologia de abordagem em cima da mesa e no plateau, por metáforas mais ou menos infelizes mas eficazes, a recuperação total viria a ser conseguida com remédios e mezinhas vindos de fora, num manancial de “química farmacêutica” bem medido e direcionado (em tamanho e quantidade industrial), mas mal “colocado” na recuperação (política) total que deveria ter tido uma história de recobro mais lenta e cuidada em formatos de desenvolvimento natural mais harmonioso, conveniente para o “sistema muscular”, mais sóbrio e sólido no formato final.

(e duradouro)


O resultado da “Doença Pós-Moderna” foi uma “Cura Pós-Moderna”.


Infelizmente, porque é óbvio que quem não sabe reagir (com as suas capacidades inatas e defesas próprias) e viver bem com a doença, também será certo que terá “Alguma” dificuldade em saber viver bem com a cura em “metodologia de método de ataque” semelhante.


Ou seja, as “pessoas” daquele (nosso) “corpo” interpretaram a cura nos mesmos moldes que interpretaram a doença, atribuindo-lhe valores e significâncias próprias e semelhantes (…);

E, portanto, não soubemos viver (e sobreviver) com aquela “Cura”.

(até agora)


Pela razão singela de que a “química da cura” tem um fórmula semelhante no estilo à “química da doença pós-moderna” que atacou Portugal de forma violenta vinda da Europa Ocidental.


A mesma Europa que nos quer introduzir no seu sistema político e económico (“… à força…”) e que nós (pelas razões apontadas) repudiamos “firmemente”.

(porque ainda não percebemos nada do que se passou no mundo pós-2ª guerra mundial, talvez porque não participámos nela nem fomos diretamente atingidos pelas suas consequências maiores e piores)


Será tão somente “Isto”….

As consequências do “Pós-Modernismo” político, económico e estratégico pós-2ª guerra mundial.


(….)


Continuando com história (…),

naturalmente que de um ponto de vista sociológico os portugueses reagiram (e reagem) a tudo isto como sabem fazer e como é natural que reajam,

“é preciso destruir o sistema político (pós-moderno) !!”

Porquê ??


Essencialmente porque não sabemos o que deveremos fazer e somos altivos e orgulhosos da nossa identidade patriótica;

E essa nossa identidade diz-nos que somos descendentes de D. Afonso Henriques, de Viriato, de D. João I, da Padeira de Aljubarrota, dos heróis das Linhas de Torres, de Mouzinho de Albuquerque, dos heróis da Flandres, e dos heróis da Guerra do Ultramar.

Portanto, perante a Ameaça Pós-Moderna nós combatemo-la até ao último homem, até ao heroísmo, até à insanidade de uma resistência contra nós próprios e contra a nossa existência um pouco mais enriquecida (e mais digna) enquanto cidadãos pertencentes a um mundo mais evoluído, mais próspero, mais rico,

e (claro) mais moderno.

E tudo “Isto” porque o que é “Pós-Moderno” causa-nos alergia, embaraço, inconformismo, uma maleita política e social, e (…),

Insanidade Política.

(….)


Portanto (outra vez),

fizemos um “Regicídio” ao Sistema Político Pós-Moderno porque não sabíamos o que deveríamos fazer em concreto.


De certo, ou mais certo,

e não sabíamos viver com “Aquilo”, com aquela altercação provocada por “Algo” que tanto mal nos havia causado num passado ainda recente e ainda muito fresco na nossa mentalidade patriótica de povo com uma alma que é o nosso orgulho vivo, mas que tanto mal nos faz ao “corpinho” de povo de Deus.

(…..)


 

(etc. ……………)

   
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ANEXO – ILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:


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“….

de:


(…)

Numa concepção evolucionista da História, para que a Humanidade alcançasse plena felicidade e um estágio superior na sua existência, tornava-se necessário abolir da ordem social todas as aristocracias e monarquias.

Deste modo, não poderiam mais ser toleradas as elites tradicionais, destiladas pela ordem natural da Criação, impregnadas de valores cristãos e geradoras da prosperidade que tão bem caracterizou a Civilização Ocidental. Enquanto existissem, elas irradiariam modos de pensar, de sentir e de actuar avessos à “modernidade” revolucionária. Os que ainda se sentissem honrados por nelas serem nascidos, revelariam sentimentos de orgulho e de vaidade e os que lhes dessem valor seriam pessoas ultrapassadas, movidas por meros sentimentos estéticos e saudosistas.

As Monarquias foram consideradas obsoletas e opressoras, as Aristocracias aberrantes e discriminatórias.

A violência passou a ser vista como uma forma legítima para se alcançar uma organização social que se queria mais perfeita pelo nivelamento igualitário.

(….)

Contudo, a Providência nunca abandonou a Terra de Santa Maria. Poucos anos após o Regicídio e o golpe que instaurou a República, Ela chamou-nos de novo a influenciar a História. Foi a três simples pastorinhos, filhos da nossa gente, que a Virgem escolheu para transmitir a mensagem mais importante da Era presente. Portugal foi chamado, uma vez mais, a continuar a fazer o inverosímil e, do seu pequeno território, ecoou uma mensagem de espiritualidade por todo o Orbe, fazendo graves advertências e convidando a Humanidade a uma conversão profunda.

(…)

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de:


Nos anos 80 circula uma vontade de participação e de desconfiança geral, o pós-modernismo.

Pós-modernismo é o nome dado às mudanças ocorridas nas ciências, nas artes, nas sociedades desde 1950.

Mas, existe o medo, o medo de mudança, o medo do novo e a perda do conservadorismo.

Ele nasce com várias mudanças na arquitetura e principalmente na computação, entra na filosofia nos anos 70 como crítica da cultura ocidental, ou seja, são mudanças gerais desde nas artes até na tecnologia, e se alastra por todos os lados e meios, sem saber se é uma forma de decadência ou se é um renascimento cultural.

O pós-modernismo invadiu o quotidiano com a tecnologia electrónica em massa e individual, onde a saturação de informações, diversões e serviços, causam um “rebu” pós-moderno, com a tecnologia programando cada vez mais o dia-a-dia dos indivíduos.

A importância do pós-modernismo na economia foi “mostrar” aos indivíduos a capacidade de consumo, a adotarem estilos de vida e de filosofias, o consumo personalizado, usar bens e serviços e se entregarem ao presente e ao prazer.

Os pós-modernistas querem rir levianamente de tudo, nos quais encaram uma ideia de ausência de valores, de vazio, do nada, e do sentido para a vida.

A sociedade se torna emergente ou decadente, pois são baseadas nas sociedades pós-industriais na informação que tem como referencia o Japão, os EUA e os centros europeus.

A essência da pós-modernidade vem através das cópias e imagens de objetos reais, a reprodução técnica do real, significa apagar a diferença entre real e o imaginário, ser e aparência, ou seja, um real mais real e mais interessante que a própria realidade.

Um exemplo disso é a televisão, que aliada ao computador simula um espaço hiper-real, espetacular que excita e alegra.

O hiper-real simulado fascina porque é o real intensificado na cor, na forma, no tamanho, nas suas propriedades, é quase um sonho, onde somos levados a exagerar nossas expectativas e modelamos nossa sensibilidade por imagens sedutoras.

O ambiente pós-moderno significa simulação, ele não nos informa sobre o mundo, ele o refaz à sua maneira, hiper-realizam o mundo, transformando-o num espetáculo.

No ambiente pós-moderno há informação e há comunicação, é o que representa a realidade para o homem, que vieram ampliar e acelerar a circulação das mensagens através dos livros, jornais, cinema, rádio, TV.

Através destas mensagens, o homem procura sua imagem “comprando” discursos, para lhe proporcionar Status, bom gosto, na moda, na aparência, no narcisismo levando muitas vezes a extravagâncias, ou então imitando modelos exóticos.

No pós-modernismo o homem vive banhado num rio de testes permanentes, onde a informação e a comunicação transportam a impulsividade para o consumo.

Saturação, sedução, niilismo, simulacro, hiper-real, digital, desreferencialização, são consideradas senhas para “nomear” o pós-moderno, ele significa mudanças com relação à modernidade, ele é um fantasma que passeia por castelos modernos.

O individualismo atual nasceu com o modernismo, mas o seu exagero narcisista é o acréscimo pós-moderno, ele é um princípio esvaziador, diluidor, ele desenche, desfaz princípios, regras, valores, práticas e realidades, promove a des-referencialização do real e a des-substancialização do sujeito.

O pós-modernismo é eclético, mistura várias tendências e estilos sob o mesmo nome, ele é aberto, plural e muda de aspecto se passamos da tecnociência para as artes plásticas, da sociedade para a filosofia, ou seja, ele flutua no indecidível.

(…..)

Foram tantas as mudanças nas ciências, tecnologia, nas artes, no pensamento, no social, que o pós-modernismo se instalou de uma grande forma que foi formando uma teia no quotidiano da massa.

Ele teve um “des”, um principio esvaziador, como por exemplo:

Des – refencialização do real.

Des – materialização da economia.

Des – estetização da arte.

Des – construção da filosofia.

Des – politização da sociedade.
Des – substancialização do sujeito.
E outros,...


E com qual resultado?

Dará o zero da representação, não se pode representar o fim da representação!

O pós-modernista vive a irrealidade, niilismo, onde o mundo para ele se resume em: consumo, informação, moda, individualismo, sem uma identidade definida, e nem definitiva.



Conclusão:

O pós-modernismo é tudo o que se refere ao novo, foi quando ocorreu a total mudança, ou melhor, uma mudança geral em quase todos os aspectos, desde nas artes até nas ciências.

Ele é individualista, liberto de crenças, medos, preconceitos, pelo contrario, foi uma fase de se colocar ideias e pensamentos livres de objeções.

Com isso o pós-modernismo invadiu o mundo dos indivíduos, através da mídia, da tecnologia, da eletrónica, enfim das informações em massa, levando e seduzindo o individuo ao um consumo frenético.

Ele encarna vários estilos de vida e de filosofia, mas com a total ausência de valores, mas por outro lado o pós-modernismo tem a participação do publico, é de fácil compreensão e vivencia o real, o presente, o aqui e o agora.

O pós-modernismo é indefinível, mais é sensível, liberto, e ao mesmo tempo integrado, e aceito pela massa, devido a sua “simplicidade” e facilidade de expor o seu significado.



….”


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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A CARBONÁRIA PORTUGUESA, SOCIEDADE SECRETA DE NATUREZA ESSENCIALMENTE POLÍTICA, ASSOCIAÇÃO PARALELA À MAÇONARIA (upgrade 2)

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“Sociedade secreta essencialmente política, adversa do clericalismo e das congregações religiosas, tendo por objetivo as conquistas da liberdade e a perfectibilidade humana, impunha aos seus filiados “possuírem ocultamente uma arma com os competentes cartuchos”. Contribuía direta e indiretamente para a educação popular e assistência aos desvalidos.”



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Naturalmente que o Povo Português conhece a história verdadeira existente para além “do muro” das versões clubísticas da política portuguesa (…).


Por exemplo, saberemos todos que o maior inimigo da Democracia e do Estado de Direito em Portugal chama-se “1ª República”,


ainda, por enquanto, o único regime político proclamado com a identidade e o estatuto político de “República” neste país.



(…)



Por redução ao absurdo, a maior prova e justificação da afirmação de que “Esta República” é inimiga mortal da Democracia e do Estado de Direito será a constatação do Ódio Natural que nutre pelo Estado Novo;



Estado Policial por natureza das circunstâncias políticas mas também “teatrais”, violento e brutal, que sonegou a liberdade e os direitos fundamentais de cidadania política aos portugueses, o Estado Novo também se caracterizou pelo culto de “Virtudes Especiais” – Deus, Pátria e Família, Lei, Ordem, Obediência e Lealdade ao Estado, e Organização Militar da Nação.



Portanto, julga-se que residirá naquelas “circunstâncias especiais” de organização política da Nação a razão principal do ódio violento e visceral que os republicanos (da 1ª República) nutriam (e nutrem) pelo “Estado Novo”,

como tem sido exemplarmente “retratado” pela nossa história e como podemos constatar todos os dias políticos da nossa vida.



(…)


Qual poderá ser, então, a razão primordial de tamanhos e solenes festejos (contemporâneos), verdadeiro jubileu de natureza e alcance político, consagrados pelo órgãos do poder político instalados no regime como uma Cerimónia de Estado ao mais alto nível ??


Pessoalmente, penso que numa realidade racional ninguém conseguirá compreender muito bem estas circunstâncias políticas,

e muito em particular, quando se comemora e exulta (como cerimónia interior ao povo português) a apologia da Anarquia e do Caos Político;



Ao mesmo tempo que algumas personagens com responsabilidades políticas e sociais lamentam o “Estado de Desordem a que a democracia chegou em Portugal…”, e convidam a autoridade legítima do Estado a tomar as medidas necessárias e suficientes para debelar “esta situação política”.
(…)



Claro que também saberemos “todos” (e percebemos as respectivas circunstâncias políticas) que quem paga o recibo (“em dinheiro vivo”) de todo este equívoco político chama-se povo português;

E temos consciência exacta de que a autoria, a culpa e a responsabilidade política e moral “desta situação” só poderá ser assacada (por aclamação na “modesta” opinião dos Republicanos) à Democracia e ao Regime Político do Estado de Direito.

(que Eles defendem de forma fervorosa e devotada como Cardeais Honorários do respectivo “sistema político”)



(…)



E talvez mais uma sugestão (descabida de sentido) em tempo “fora de horas de agenda política”,

que se festeje no “Carnaval” e no “5 de Outubro” a Democracia e o Estado de Direito, porque dessa forma poderíamos festejar todos (pelo menos isso e com algum rigor matemático) a Nação e o povo português.



E dessa maneira, em vez do efeito colateral do Baile de Máscaras da República Portuguesa poderíamos contribuir decisivamente para o progresso e modernização do aparelho político do Estado, para a implementação de um Regime Político sólido, estável e coerente com os princípios políticos de uma democracia de um Estado da Europa Ocidental.

(…)



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ANEXO – ILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:



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“…
de:







A Fundação e Reorganização


Fundada entre finais de 1898 e seguramente antes de 1900 é Luz de Almeida quem nos dá uma perspectiva de como as coisas se passaram, assim as quatro Lojas que pertenciam à Maçonaria Académica, a saber, "Independência", "Justiça", "Pátria" e "Futuro", passaram a Choças sendo os seus membros divididos em grupos de vinte, cada um desses grupos, ou Choças adotou um título da sua livre escolha.


Neste processo criaram-se vinte Choças sendo que cada um dos grupos elegeu o seu Presidente, e cada um destes formava com os restantes uma Alta-Venda provisória, que era uma espécie de "Parlamento Carbonário" que na inauguração dos seus trabalhos elegeu um "Bom Primo" a quem conferiu plenos poderes para que secretamente escolhesse entre os membros daquela entidade, quatro outros "Bons Primos" que conjuntamente com este formariam a "Suprema Alta-Venda".

Numa das primeiras sessões da "Alta-Venda provisória", realizada num primeiro andar desabitado posto à disposição pelo republicano Silva Fernandes, foi apresentada a proposta para serem admitidos elementos populares na Carbonária Portuguesa, embora sendo a aprovada a proposta há um sector que se opõe militantemente a esta e que defendiam a vinculação exclusiva da organização a académicos; liderados por José Maria Furtado de Mendonça abandonam a organização.

Os primeiros populares iniciados foram-no na sede provisória da Carbonária Portuguesa, sendo quase todos operários, foram distribuídos pelas Choças que tinham ficado incompletas com a saída de bastantes académicos, sendo que a primeira Choça composta exclusivamente por operários foi registada com o nome de "República".

Dá-se um rápido crescimento destas e de outras Choças, sendo que depois da primeira apareceram muitas mais das quais destaco, a "Amigos da Verdade" (da qual era presidente António Francisco Gonçalves), a "Sentinela dos Bosques" (liderada por Ferreira Manso), a "Defensores da Pátria" (presidida por Silva Dinis), a "Progresso" (dirigida por Carlos Pinto Furtado da Luz) e "Termidor" (encabeçada por Vicente de Almeida Freire).

Durante este processo de crescimento a "Alta-Venda provisória" foi dissolvida tal como a "Suprema Alta-Venda" sendo que os membros desta ultima passaram para uma nova Alta-Venda que ficou a ser o corpo dirigente da Carbonária Portuguesa, a este pertenciam Luz de Almeida, como Presidente, José Maria Cordeiro, Ivo Salgueiro, José Soares e Silva Fernandes (que era o único não académico).

Organização, Graus e Simbolismo


Segundo o seu ritual de iniciação publicado pelo ABC:

_ É terminantemente proibido pertencer a qualquer outra organização política de carácter mais ou menos secreto, salvo à Maçonaria; citar nomes de consócios, indicar casas onde se efetivam as reuniões ou as iniciações e a maneira como estas são feitas; ensinar as palavras da Ordem e divulgar a estranhos e aos próprios filiados o que se passa na Associação. É igualmente proibido dar-se a conhecer - sem motivo de força maior - a qualquer membro da Carbonária.'



A pena prevista para o iniciado que não cumpria estes preceitos era o afastamento e em casos graves a morte.
Há quatro graus na Carbonária que são respetivamente Rachador, Aspirante, Mestre e Mestre Sublime.



Os filiados tratam-se por Primos e tratam-se por tu nas sessões, havendo entre eles sinais de reconhecimento e palavras especiais.
Compõe-se a associação das diferentes secções que tinham as seguintes denominações

• Vedetas, um ou dois carbonários em pequenas terras de província, aldeias e lugares onde se torna impossível constituir núcleos;

• Canteiros, núcleos que eram compostos por cinco Bons Primos, os Rachadores que se conheciam a todos, não conhecendo os membros da Carbonária Portuguesa mais do que estes cinco homens como membros da organização (pois nos outros órgãos apresentavam-se sempre todos de capuz tendencialmente negro ou com a cara mascarrada de carvão), o que tornava assim difícil a descoberta dos chefes, os quais todavia conheciam os seus homens;

• Choças que eram compostas normalmente por cerca vinte Bons Primos, tinham três graus, Rachadores e Carvoeiros e eram presididos por um carbonário decorado com o grau terceiro de Mestre, sendo o seu chefe designado como Mestre da Choça. Esta agregava, coordenava e governava assim os Canteiros representadas por todos os seus Bons Primos e era assim a base da organização sendo que nesta estrutura é que se efetuavam as iniciações e receções dos seus membros;

Barracas que eram constituídas idealmente por cinco Mestres que presidiam às Choças e que nesta tinham o nome de Mestre de Barraca.

Esta agregava, coordenava e governava assim as cinco Choças, representadas pelos Mestres de Choça, tendo sob as suas ordens cerca de cem Bons Primos. O seu chefe era o Mestre da Venda;

Vendas eram compostas idealmente por cinco Mestres que presidiam às Barracas e que nesta tinham o nome de Mestre de Venda. Esta agregava, coordenava e governava assim as cinco Barracas, representadas pelos Mestres da Barraca, tendo sob as suas ordens cerca de quinhentos Bons Primos. O seu Chefe era o Mestre da Venda e poderia ou não pertencer à Venda Jovem-Portugal;

Conselho Florestal órgão provisório que se reunia ocasionalmente e foi em determinados períodos um órgão importante e de legitimação de várias reformas internas desta organização;

• Venda Jovem-Portugal é uma secção tradicional onde se concentrou durante anos a Ação Secreta e se manteve o prestígio e bom nome da Carbonária Portuguesa. Era perfeitamente invisível e os seus membros não se conheciam uns aos outros. Era o órgão supremo da Carbonária Portuguesa, que se reunia quando era preciso tomar decisões importantes como alterações e reformas na estrutura interna, eleger ou exonerar o seu Grão-Mestre e depor a Alta-Venda ou tomar linhas de ação e de rumo importantes no respeitante à ação revolucionária. O seu Presidente honorário era o Grão-Mestre que era o único dos seus membros que comunicava com a Alta-Venda e que assistia a todas as sessões deste órgão;

Tribunal Secreto órgão jurisdicional da organização;



• Alta-Venda era composta pelo Grão-Mestre eleito na Venda Jovem-Portugal e mais quatro Bons Primos nomeados e escolhidos por este de entre os membros da Carbonária Portuguesa. Os nomes eram secretos até para a Venda Jovem-Portugal sendo um órgão com membros invisíveis até para estes. Este era o órgão de gestão da Carbonária Portuguesa e o seu pólo dinamizador principal.



Para além da estrutura civil acima descrita, havia em paralelo uma outra organização dentro dos militares, essa ramificação teria uma estrutura similar em termos da organização acima descrita mas os seus membros eram iniciados de uma maneira especial, provavelmente mais simples.
O simbolismo da Carbonária Portuguesa, era vasto, dos mais importantes símbolos destacamos:

Estrela de Cinco Pontas, que encima o Globo Terrestre, representa a figura máscula dum Bom Primo, de pé, com as pernas afastadas, os braços abertos e a cabeça erguida, como que a dizer: “Pronto sempre para a luta contra todas as tiranias”;



Os três pontinhos, dispostos em forma triangular com o vértice na parte inferior, '.' .

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de:




Carbonária




Como em quase toda a parte, também em Portugal a Carbonária foi muitas vezes uma associação paralela à Maçonaria (embora nem todos os maçons fossem carbonários).


"Sociedade secreta essencialmente política", adversa do clericalismo e das congregações religiosas, tendo por objetivo as conquistas da liberdade e a perfectibilidade humana, impunha aos seus filiados "possuírem ocultamente uma arma com os competentes cartuchos". Contribuía direta e indiretamente para a educação popular e assistência aos desvalidos.


"Tinha uma hierarquia própria, em certos aspetos semelhante à maçonaria, tratando os filiados por "primos". Os centros de reunião e aglomerações de associados chamavam-se, por ordem crescente de importância, "choças", "barracas" e "vendas".

A Carbonária Portuguesa, à qual pertenceram pessoas da mais elevada categoria social, parece ter sido estabelecida em 1822 (ou 1823) "por oficiais italianos que procuravam, por meio de sociedades secretas, revolucionar toda a Europa Meridional".

Até 1864 a sua intervenção fez-se sentir em muitos momentos críticos da vida nacional, pois todos os partidários políticos possuíam a sua Carbonária. Depois de longo marasmo, desaparecem completamente.

A indignação nacional suscitada pelo afrontoso ultimato da Inglaterra (1890) e as desastrosas consequências da revolta de 31 de Janeiro de 1891, com o seu cortejo de prisões, deportações e perseguições de toda a espécie, arrastaram a mocidade académica para as sociedades secretas.

Mas foi em 1896 que surgiu a última Carbonária portuguesa, sendo completamente diferente das anteriores : diferente organização, ritual e até processos de combater. Foi seu fundador o grão-mestre Artur Duarte Luz de Almeida.

A sua influência exerceu-se de maneira intensiva em quase todos os acontecimentos de carácter político e social ocorridos no País, nomeadamente naqueles que tinham em vista defender as liberdades públicas ameaçadas e combater o congreganismo e os abusos do clero.

Tendo participado grandemente nos preparativos do movimento revolucionário de 28 de Janeiro de 1908, que abortou, a sua ação tornou-se depois decisiva para a queda da Monarquia, mais acentuadamente a partir de 14 de Junho de 1910, quando, a propósito de apressar a revolução, em perigo pelo número crescente de civis presos e militares transferidos, a Maçonaria nomeou uma comissão de resistência encarregada de coadjuvar a implantação da República por uma colaboração mais ativa com a Carbonária.



A fragmentação do Partido Republicano, sobrevinda ao advento do novo regime político nacional, tornou inevitável a extinção da Carbonária portuguesa, tendo depois, até 1926, resultado infrutíferas todas as tentativas feitas para o seu ressurgimento.



( Dicionário de História de Portugal, 4 volumes, SERRÃO, Joel (ed.lit.), 1ªedição, Lisboa, Iniciativas Editoriais, volume I, 1963-1971, pp.481-2 )

…”




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