quarta-feira, 24 de julho de 2013

O “ESTADO” DO “TEMPO PORTUGUÊS” - FOLHA EM ATUALIZAÇÃO (parte 1 - upgrade)

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Em 27 de Setembro de 1968 o Presidente da República de Portugal, Almirante Américo Thomaz, chamou o professor Marcello Caetano para substituir Salazar no Governo de Portugal enquanto Presidente do Conselho do Estado Novo;


Portugal era um país complicado por muitas razões mas o país "herdado" de Salazar era manifestamente diferente de 40 anos antes;


Por um lado, a economia estava então em acelerado crescimento graças às políticas económicas e sociais empreendidas por Salazar, bem como graças aos auxílios externos recebidos por Portugal no âmbito do Plano Marshall;


Também a participação de Portugal na EFTA desde 1961 contribuía para a internacionalização e crescimento da economia Portuguesa.



Mas o país estava amarrado a uma guerra colonial “profunda” com raízes históricas na glória de uma epopeia colonial com vários séculos de história, e a cultura portuguesa era a de um país antigo e fechado em torno de si próprio, e atrasado no domínio do conhecimento técnico e científico e das diferentes tecnologias emergentes que dominavam na época a europa e o mundo.



Portugal era um país especialmente pobre onde os portugueses (transversalmente) se sentiam frustrados e depauperados nas suas capacidades e motivações principais potenciadoras de sucesso, de crescimento e de enriquecimento pessoal, situação relativamente normal e habitual para a maioria dos cidadãos de uma europa ocidental moderna e próspera.



Esta situação levou a que Portugal tivesse, principalmente nas cidades, uma nova burguesia que via em Caetano a esperança de abertura política do Estado Novo. Esta burguesia esperava de Caetano eleições livres e ainda maior liberalização da economia.


(o que não viria a acontecer, naturalmente)



Mas a história contada da sucessão no poder merece uma atenção especial pela potencial comparação credível com a crise política e com o enquadramento estratégico da situação que vivemos na atualidade.



Marcello Caetano ponderou não aceitar o convite para formar um governo do Estado Novo endereçado por Américo Thomaz certamente por múltiplas razões de diferente natureza, das quais se presume (ingenuamente) que a principal seria a natural dificuldade em gerir uma situação política acumulada durante cerca de 38 anos caracterizada por uma ditadura política pura e dura.


(a qual, especificamente, não é o objetivo deste texto)



E o almirante revelou uma postura firme e decidida na gestão da crise e um sentido de estado, no mínimo, de assinalável realce;


E esclareceu o notável professor – “… ou o senhor aceita o cargo e forma um Governo estável e duradouro para Portugal, ou eu entrego o país às Forças Armadas (!!) “.


(objetivo, simples, preciso e conciso segundo uma versão de Política de Estado)

 

Segundo a história a advertência política resultou e os portugueses conheceram a segunda administração da tutela que caracterizou o Estado Novo até Abril de 1974.


 
[….]




 Esta história é um ensaio virtual e tem três razões de “ser”:


1. A crise política herdada tornou-se potencialmente epidémica, está controlada mas "apresenta" ameaças com consequências imprevisíveis;


2. O sistema político-partidário em Portugal está esgotado (ainda que temporariamente) e não apresenta soluções políticas credíveis e viáveis, caracterizadas por “Posturas de Estado” politicamente transversais que procurem resolver e debelar a “Crise de um País em Estado de Exceção”;


3. Os públicos políticos da sociedade portuguesa recorrem com frequência a metáforas com motivos desenhados de “Salvação da Pátria” para a crise económica emergente, alusões brejeiras na cultura política de base, que recorrentemente fazem alusão a palavrões como “Golpe de Estado” e “Revolução” (e outros “levantamentos e ajuntamentos”), sendo tais expressões empregues (transversalmente) sempre com uma intenção de leitura de “Valor Militar” associado;       entenda-se uma intenção de conotação com operações presumivelmente militares (na atualidade) à semelhança dos acontecimentos históricos de 28 de Maio de 1926 ou de 25 de Abril de 1974.



E tal circunstância é aparentemente ridícula e de péssimo gosto para Portugal e para os Portugueses que mereciam mais respeito e consideração por todas as razões possíveis de imaginação,

e talvez principalmente,

pela razão objetiva de uma identidade comum a uma Comunidade Histórica com oito séculos de existência real e efetiva que deve assumir com responsabilidade e seriedade as suas responsabilidades políticas e estratégicas de Povo de Portugal.


 
 
Mas há outras razões possíveis,

a grande maioria do povo português estima e apoia as suas instituições democráticas que exercem a tutela do país aos diferentes níveis,

nomeadamente a figura do Presidente da República de Portugal,

que assim tem na sua mão uma ferramenta virtual mas objetiva de propósito estratégico e de liderança do país do qual o presidente é o principal e superior mandatário;


 
E do seu povo “orgânico” do qual deve ser fiel e digno representante no quadro legal de uma Democracia Representativa.


 
[….]



E assim, desta forma e por esta via, ficam respostas a algumas questões “estruturais” que tanto têm importunado alguns raciocínios oportunos de sentimento material no seu excêntrico patriotismo económico “de Estado”,

aquele que teimosamente as pessoas em questão reclamam como fazendo parte integrante da sua propriedade pessoal e privativa.


 
(circunstância a que se não me oferece fazer grandes comentários…)


 
Talvez assim a utilização deste “Valor Militar” ("dedicado" a causas políticas privativas e alheias) fique mais organizado e orientado para propósitos mais elevados no contexto da Nação Portuguesa, fidedignos com a sua natureza e motivação natural e principal, nomeadamente a conotação das Forças Armadas como o principal pilar estrutural do Estado.


 


[….]





Pós-Scriptum:



Naquela circunstância virtual “anunciada”,
 
presume-se que os portugueses teriam mais trabalho e menos despedimentos, teriam a sua remuneração anual do trabalho integral em cada ano civil, seriam mais felizes e produtivos, satisfeitos e cúmplices com uma tutela que respeitaria a cidadania, a propriedade privada e os direitos políticos e sociais de todos os membros de uma comunidade histórica de cidadãos que dá pelo nome de Povo de Portugal;






(……)
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 6 de julho de 2013

CULTURA MILITAR SGPS” (upgrade)

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(…)

 

Pessoalmente, reconheço o direito democrático da “População Paramilitar” (numa leitura de transversalidade cultural e da “ponta do lado esquerdo à ponta do lado direito”) fazer as suas interpretações pessoais e subjetivas sobre todos os conteúdos que entender,
mas parece ser boa ideia tentar manter o Sistema Operativo principal na sua versão autentica (original), laica e profilática enquanto versão deontológica;

 

E este raciocínio “aparece” por razões de Segurança Mínima e porque o estudo do Resíduo Sólido do colapso estrutural aponta para um resultado contraindicado para Portugal e para os portugueses.

 

[….]  

 

“Serviço de Saúde Militar” ??

 

Pá, não sei responder !!...

 

(eu acho que não, que não será “isso”, mas…)

 
 
[….]
 

 

A “Sociedade de Gestão de Participações Sociais” em modo político participativo e ativo nos “resultados alcançados”;

 

A “cultura militar” é Tudo,
e sendo tudo não é “Nada” na sua versão política (…).

 

É preciso que as pessoas políticas compreendam que esta temática tem apenas uma leitura correta que se insere na “disciplina” conhecida por Deontologia,
não sendo (portanto) passível de qualquer interpretação política privada e particular sem que se atente (e manipule) com gravidade as suas especificidades mais profundas;

 

Mas também aquelas que são mais visíveis e com consequências comportamentais graves nas instituições regulares do Estado.

 

A questão principal é simples de interpretar – a Falta ou Incapacidade de Liderança da sociedade civil e das pessoas que são as comunidades vivas da Nação por parte dos Ativos Políticos no exercício das suas funções orgânicas no seio do Estado leva a que os “factos observados” justifiquem a utilização dos “argumentos” mais fortes e pesados para a concretização plena do Ideal Político;

 

E o problema maior será que este ideal tem valores subjetivos associados e leituras muito duvidosas na interpretação das consequências diretas da manipulação das “Armas Estaduais” (…).

  

Ou seja,
“Contra factos há a legitimidade de todos os argumentos possíveis e imaginados, em especial aqueles que são eficientes, eficazes e convincentes na missão”;

 

A manipulação da Cultura Militar, em explicações simples, precisas e concisas.

 

1.   O Que a Cultura Militar Não É:

 

Admito com sinceridade que a Cultura Política Colonial tem a sua versão de Cultura Militar,

porque tal raciocínio é indiscutível (…),

e tenho este sentimento sem que sofra grandes danos intelectuais com as pessoas que representam com garbo e “elevação” uma representação política que tanto tem animado povos e culturas;

 

 

Embora pense (naturalmente) que essas pessoas deveriam ser mais comedidas no seu “corrimento mental” e também (já agora) terem alguma vergonha moral derivada da sua “enorme” figura política e social.

 

 

Toda a fisiologia interior de uma qualquer variante de Cultura Política Colonial só tem autonomia própria e “capacidade de sobrevivência” (enquanto sistema político e social) se fundamentar as suas bases de sustentação mais próprias e profundas de sentimento num formato organizacional militar.

 

 

E é quase estupidamente óbvio;

 

Mas este problema não é simples e muito menos um capricho de identidade passional,

na sua natureza envolvente trata-se de uma Máscara Estratégica fundamental e, por isso, preservada como um bem crítico e indiscutível.

 

 

Pode considerar-se que uma metáfora simples e singela resulte da comparação desta figuração política de sistema (conhecida por “Regime Político dos Colonos” ou Colonialismo) com a “migração voluntária” de uma brutal cultura de eucaliptos inserida no seio e no interior mais “solene” de um território agrícola fértil e produtivo;

 

O resultado é conhecido e dá pelo nome de Desertificação !!

 

 

Não poderia arranjar um exemplo mais simples e eloquente,

os terrenos antes ricos de qualidade e capacidade fértil tornaram-se (num espaço de tempo relativamente reduzido) num “território” completamente Estéril.

 

 

[…..]

 

 

 

2.   O Que a Cultura Militar É:

 

 

Relativamente ao que é, àquilo que define os parâmetros gerais e especiais de uma cultura militar, remeto as melhores explicações para o texto que junto em anexo a esta publicação de hoje para ilustração bibliográfica da temática.

 

A explicação didática apresentada não poderia ser melhor na qualidade cognitiva e na concretização pragmática da experiência empírica.

 

 

Mas penso ser significativo acrescentar alguns “valores pessoais”;

 

A Cultura Militar é fundamental e absolutamente crítica para a preservação da identidade profissional militar de um Corpo Militar (enquanto “espaço” humano de experiências acumuladas geradoras de motivações catalisadoras do valor comum, da qualidade de excelência e da coesão institucional),

mas também para um cabal cumprimento da Missão orgânica da unidade militar;

 

Ou seja, é um formato de ideologia canónica que quando comum aos diferentes componentes humanos e “materiais” de um mesmo “território” transforma-se numa representação institucional de um património fértil de produtividade de segurança e do bem comum para as diferentes gentes que integram as comunidades de uma mesma sociedade política.

    

 

[….]

 

 

E porque sabemos todos que sem Segurança Nacional não existe mais nada a jusante,

as pessoas, os bens, o património, os valores, a sociedade, a identidade nacional e cultural (e por essa via a resiliência de um povo) são bens de rara preciosidade para qualquer comunidade humana e coletiva nos seus fins estratégicos próprios num qualquer “formato nacional” ou cor de país.

 

 

A cultura militar é, pois, um fator de Coesão Nacional que não é passível de aculturação.

 

 

[……]

 

Aconselho a leitura do texto que junto em anexo;

 

 

 

§§§§ / §§§§

 

 

ANEXO – LEITURA BIBLIOGRÁFICA:

 

 

………………..

 

“…

 

de:

 


 

 

 

OS VALORES ENQUANTO FACTORES DE

COESÃO NA INSTITUIÇÃO MILITAR

 

 

Texto compilado a partir de “PROELIUM – REVISTA DA ACADEMIA MILITAR” (2005) da autoria de:

 

Hugo José Estrela Paulos
Cadete Aluno de Infantaria

Ivan Filipe Martins Nunes
Cadete Aluno de Infantaria

Tiago Manuel Oliveira Ribeiro
Cadete Aluno de Infantaria

José Pedro Gonçalves Venâncio
Cadete Aluno de Infantaria

Leonel Carvalho Batista Nogueira
Cadete Aluno de Infantaria

 

 

 

 

1.   INTRODUÇÃO

 

As organizações são compostas por vários elementos estruturantes, considerando-se as pessoas o seu elemento mais valioso, mas também o mais complexo, devidos às diversas variáveis que o influenciam. Uma das variáveis que afeta o indivíduo, enquanto membro de uma qualquer organização, são os seus valores. A Instituição Militar, enquanto organização, atribui elevada importância à correta integração dos seus elementos, para a qual contribui no âmbito da formação comportamental a transmissão dos seus valores.

 

Contudo essa transmissão não é operada de forma isolada ou

descontextualizada, é parte de algo muito mais abrangente, que é a sua Cultura, a Cultura Militar.

O objeto de estudo em análise é a influência da Cultura Militar na Coesão.

 

Este artigo procura perceber de que forma a Cultura Militar e, por conseguinte, os valores transmitidos poderão ser fomentadores de coesão entre os militares.

 

 

 

2.   OS VALORES ENQUANTO FACTOR DE COESÃO NA INSTITUIÇÃO MILITAR

 

a.   Valores Militares

 

 

Os valores constituem uma variável psicológica intimamente ligada às atitudes, embora estas se refiram a avaliações de objectos específicos, os valores, por seu turno, correspondem a uma crença duradoira acerca de objetivos importantes de vida (Neto, 1998). Atuam como princípio orientador da conduta de cada indivíduo, refletindo-se na sua personalidade (Rokeach, 1973 citado por Neto, 1998).

 

Os valores são de extrema importância no contexto organizacional. Através da sua análise é possível prever e compreender as atitudes e motivações dos indivíduos, antevendo aqueles que não correspondem ao padrão pretendido pela organização (Ferreira, 2001, p. 259).

 

A Instituição Militar, à semelhança das outras organizações, caracteriza-se pelo seu quadro de valores próprio, a que chamaremos de Valores Militares.

 

Entre outros, referimo-nos por exemplo à Lealdade, à Obediência, à Disciplina, ao Espírito de Corpo, à Coragem e à Honra. A assimilação destes valores pelo indivíduo contribui para o desenvolvimento do carácter, da autoconfiança e da autoestima do militar (Brinsfield, 1999, p. 46).

 

As questões relacionadas com os Valores Militares têm sido encaradas, hoje em dia, com grande atenção por parte das Forças Armadas de muitos países, devido essencialmente ao ambiente de elevada transparência que é proporcionado nesta era da informação (Brinsfield, 1999, p. 38). Um dos grandes desafios que se coloca aos líderes militares, e de uma maneira global à Instituição Militar, passa pela transmissão dos valores de uma forma efetiva, de modo a que contribuam para ultrapassar as dificuldades, nomeadamente nos ambientes nos quais os militares operam (Trainor, 2000, p. 13).

 

 

b. Coesão

 

A coesão, embora não seja um conceito de fácil definição, encontra-se relacionada com o compromisso de todos os membros do grupo para com o próprio grupo e para com as suas tarefas (Neto, 1998).

 

Existem vários fatores que conduzem à coesão de um grupo, nomeadamente a ameaça comum de um inimigo exterior, a atração dos seus membros como indivíduos, a avaliação de cada membro pelo grupo como uma fonte de identidade social, o sucesso na obtenção de objetivos e os valores e objetivos partilhados.

É sobre esta última possibilidade que vai incidir a nossa análise.

 

A coesão pode ter efeitos positivos e negativos sobre a produtividade de grupos orientados para a tarefa. Por inverosímil que possa parecer, estudos efetuados por Griffith (1988, citado por Broughton & McClure, 1998, p. 9) apontavam para a existência do que se denominou como “coesão negativa”.

 

A “coesão negativa” é a possibilidade de um pequeno grupo, com elevada coesão, desenvolver normas e objetivos diferentes dos da organização em que se insere, pondo o seu funcionamento em causa.

 

É assim possível constatar, que a coesão pode ser prejudicial a partir do momento em que um indivíduo considera como mais importante a sua integração num pequeno grupo do que na organização.

 

Griffith (1988 cit. por Broughton & McClure, 1998, p. 8) fez uma distinção no que respeita à direção da coesão, que pode ser vertical ou horizontal.   A “coesão vertical” refere-se às relações entre superiores hierárquicos e subordinados, nomeadamente na confiança que estes depositam na seriedade e competência dos seus superiores. A “coesão horizontal” corresponde à confiança que cada membro tem das competências dos outros membros, assim como do afeto mútuo demonstrado nas suas relações.

 

Do ponto de vista militar, um grupo coeso tenderá a ter um melhor desempenho, uma vez que a coesão se traduz, por um lado, em manter o grupo organizado nas suas tarefas principais, mesmo com elevada exigência externa, e por outro, em fornecer apoio e manter os indivíduos unidos em situações, que isoladamente, não seriam capazes de suportar. Edward Meyer, Chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA nos anos 80, definiu a coesão militar como “A vinculação conjunta de soldados de tal modo que sustentam a sua

vontade e compromisso para com os outros, com a Unidade e com o

cumprimento da missão, apesar do stress acusado pelo combate ou pela missão” (Meyer, 1982 citado por Manning, 1991, p. 456).

 

Na Instituição Militar, a coesão deverá operar ao nível vertical e horizontal, uma vez que o militar deve confiar não só no seu comandante, como também nos seus camaradas. Neste campo foram efetuados variados estudos com relevância, dos quais iremos destacar o efetuado por Shills e Janowitz (citado por Manning, 1991) com prisioneiros alemães da II Guerra Mundial, através do qual puderam concluir que o que uniu os soldados alemães até não foi a partilha da ideologia, mas sim as relações interpessoais que possuíam, sustentadas por uma forte coesão.

 

Contudo, a coesão entre os militares, embora seja mais intensa à partida num ambiente de conflito armado, tem que existir também em tempo de paz.

 

Podemos assim dizer, que a coesão na Instituição Militar assenta numa base composta por diversos fatores dos quais identificamos a partilha de valores e objetivos entre os militares, os Valores Militares. Os líderes desempenham um papel importante, uma vez que lhes cabe assegurar que todos considerem como seus, os objetivos do líder, mantendo assim a coesão do grupo.

 

 

c. Cultura Militar

 

Segundo Grilo, “A Cultura Militar é um conjunto de valores, tradições,

costumes e postura filosófica que, ao longo do tempo, criou elos institucionais comuns. Desde sempre pode ser encontrada uma matriz comum a todos os militares relacionada com expectativas comuns relativas a padrões de comportamento, disciplina, trabalho de equipa, lealdade, dever e abnegação e, nos costumes que apoiam esses valores.” (2003, p. 8).

 

A Cultura a que nos referimos está intimamente relacionada com a especificidade da profissão militar, sendo caracterizável no plano físico, com o uso de uniformes e conjunto de honras e deferências previstas em regulamentos, mas também no aspeto moral, através da Disciplina, Espírito de Corpo e de Sacrifício ou da Coragem (Grilo, 2003, p. 9).

 

É assim essencial referirmo-nos às características específicas da profissão militar, que segundo Samuel Huntington são a elevada especialização e a responsabilidade que todo o militar partilha (Huntington, 1957 citado por Trainor, 2000, p. 3).

 

Segundo James Burk (1999, citado por Grilo, 2003, p. 10) e Don Snider (1999, citado por Trainor, 2000, p. 10), a Cultura Militar sustenta-se em quatro princípios básicos, a disciplina, os valores, a cerimónia e etiqueta e a coesão e o espírito de corpo.

 

Iremos abordar apenas os que estão intimamente relacionados com o nosso artigo, os Valores e o Espírito de Corpo.

 

Os Valores na Instituição Militar advêm essencialmente de duas fontes, da sua História e da Constituição e Leis da República. Os relatos da História revelam que muitos dos Valores Militares foram forjados em variados Campos de Batalha, dos quais resultaram valores que são hoje tidos como essenciais para a formação de um militar e que já atrás foram referidos, nomeadamente a Lealdade ou a Coragem.

 

Aliás, uma das especificidades da Cultura Militar é a valorização e o enaltecimento dos fundadores e dos valores que estes perpetravam.

 

A outra fonte de Valores é a Constituição e Leis da República, dos quais provêm entre outras, a Obediência à autoridade, Submissão à sociedade civil e Lealdade e respeito para com os camaradas, a Unidade e a Nação (Grilo, 2003, p. 9).

 

A Coesão e o Espírito de Corpo podem ser considerados como um instrumento de medida da Moral e Bem-Estar da Instituição Militar, representando o nível de satisfação sentido pelos militares que a integram. Se por um lado, a Coesão traduz a identidade que liga os militares aos seus camaradas de armas, por outro, o Espírito de Corpo materializa o orgulho na sua Unidade. A Coesão e o Espírito de Corpo traduzem assim a “capacidade” de unir os militares nas situações mais adversas, como no caso dos conflitos armados (Grilo, 2003, p. 11).

 

Contudo, é inevitável referir que não existe uma única Cultura Militar. Estando as Forças Armadas divididas por Ramos, cada Ramo criou uma cultura distinta de modo a desenvolver uma identidade e características próprias, pelo que os militares não se consideram, numa primeira análise, como pertencentes às Forças Armadas, mas como parte integrante de um Ramo.

 

Estes, constituem assim, uma organização piramidal, cuja estrutura é fortemente hierarquizada e na qual a responsabilidade pela manutenção da Cultura é pertença dos Oficiais Superiores. Essa, é por sua vez transmitida aos recém ingressados, geralmente por Capitães e Oficiais Subalternos (Grilo, 2003, p. 12).

 

Por outro lado e, segundo Beitz e Hook (1998), dentro do próprio Ramo existe uma considerável diversidade de subelementos que distinguem as diferentes Unidades, ideia esta que pode ser constatada se olharmos para o próprio Exército Português e observar-mos as diferenças que existem entre cada Unidade.

 

Contudo, devemos ter em consideração que apesar das especificidades, existe uma matriz comum dentro de cada Ramo e, por sua vez, dentro das Forças Armadas.

 

Dada a característica conjunta dos conflitos armados, é necessária uma Cultura Militar forte e determinada (Grilo, 2003, p. 9) apesar de, segundo Janowitz, existir nas democracias ocidentais, a convicção de que os militares nunca serão chamados a realizar a função para a qual estão constantemente a preparar-se (Janowitz, 1960 citado por Trainor, 2000, p. 4).

 

A história recente tem vindo a demonstrar o contrário.

 

A Cultura Militar, através da sua unicidade, aumenta e fomenta a coesão dentro da Instituição Militar (Grilo, 2003, p. 8), pelo que podemos deduzir que os Valores Militares, enquanto parte integrante da Cultura Militar são, efetivamente, um fator de Coesão.

 

É necessário no entanto ter em consideração que a Cultura Militar não é estática, encontrando-se em permanente evolução, como possível consequência das alterações na estrutura da organização ou até mesmo no seu sistema de Valores. O fim de um conflito armado pode atuar como catalisador dessas alterações, como aconteceu com as Forças Armadas Portuguesas após a Guerra Colonial (Grilo, 2003, p. 13), com as Forças Armadas Argentinas após a Guerra das Falkland (Balza, 1996), ou até mesmo com as Forças Armadas Americanas após a Guerra do Vietname (Brinsfield, 1999, p. 40).

 

A manutenção dos rituais e tradições, transmitidas ao longo dos anos pelas sucessivas gerações, constituem-se como indispensáveis para a consolidação da Identidade Institucional e para a Identificação Interna dos seus membros, bem como para a afirmação externa da sua credibilidade e imagem.

 

 

3. CONCLUSÕES

 

 

As organizações são caracterizadas por Valores considerados fundamentais, em detrimento de outros, pelo que a Instituição Militar não é exceção. De entre os Valores mais significativos para a Instituição Militar, destacámos alguns, nomeadamente a Lealdade a Disciplina ou a Coragem.

 

Verificámos também que a coesão pode estar relacionada com vários fatores, sendo de destacar a partilha de Valores e objetivos por todos os membros de um grupo.

 

No que diz respeito à Instituição Militar a Coesão está relacionada com a confiança, não só para com o comandante, o que leva os seus elementos a seguirem e a aceitarem as ordens que lhe são dadas, mas também para com os seus camaradas.

 

Na Instituição Militar, a Coesão assume particular importância, constituindo-se como uma das dimensões de análise da Cultura Militar, sendo este um aspeto distintivo da Instituição em relação às Instituições Civis.

 

São todos os Valores que constituem a Cultura Militar que, quando postos em prática, potenciam a Coesão. Os Valores são, assim, um fator de Coesão na Instituição Militar, desde que haja uma elevada identificação dos militares com os elementos dessa tipologia perpetuados por esta.

 

Tal como disse o General Abrams “O Exército é e sempre vai ser o elemento humano” (Abrams, 1973, citado por Brinsfield, 1999, p. 41).

 

Para o Exército e para as Forças Armadas, como um todo, é indispensável assegurar que os Valores sejam transmitidos de geração em geração, de modo a manter os pilares centrais da Cultura Militar, não esquecendo porém, que enquanto Instituição, em permanente contacto com a envolvente externa a adaptação a novas realidades assume carácter de obrigatoriedade.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BALZA, M. A. (1996). Argentine Military Culture. JFQ Forum.

BEITZ, C. A. & HOOK, J. (1998). The Culture Of Military Organizations: A Participant-Observer Case Study Of Cultural Diversity. Journal of Public Administration and Management: An Interactive Journal, vol. 3, nº 3.

 

BRINSFIELD, J.W. (1999). Ética e Valores Militares: Uma busca por coerência e pertinência. Military Review, Kansas: ECEME/EUA, p.38-50.

 

BROUGHTON, W. & MCCLURE, P. (1998). Military Community Cohesion. Pennsylvania: Military Family Institute of Marywood University, Technical Report 98-4.

 

FERREIRA, C. J. M., NEVES, J. & CAETANO, A. (2001) Manual de

Psicossociologia das Organizações, Lisboa: McGraw-Hill, p.431-467.

 

GRILO, A. J. R. (2003) Deontologia Militar - Percepção dos elementos

caracterizadores da cultura e ambiente militar para o Século XXI, Lisboa: Instituto de Altos Estudos Militares, p. 8-25.

 

MANNING, F. J. (1991). Morale, Cohesion and Esprit de Corps. In R. Gal & AD Mangelsdorff (Eds), Handbook of Military Psychology (pp. 453-470). New York: John Willey & Sons.

 

MANGELSDORSFF, A. D. & GAL, R. (1991) The Handbook of Military Psychology. New York: John Wiley & Sons.

 

Neto, F. (1998) Psicologia Social. Vol I, Lisboa: Universidade Aberta.

TRAINOR, S. C. (2000) Values, Culture and Civil-Military Relations: Implications for the Postmodern Military. Pennsylvania: U.S.Army War College.

 

 

…”


 

 

………………..