segunda-feira, 20 de agosto de 2012

“PARA QUE SERVEM AS FORÇAS ARMADAS (??)” -– O COMPLEXO INDUSTRIAL-MILITAR PORTUGUÊS (parte 2)

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Estudemos o “fulcral” desta questão,
problema que ocupa o espaço da nossa vida, da nossa existência politicamente humana, da nossa capacidade de “sobrevivência natural”, o problema de uma resistência a uma entropia estúpida e perene.



Respiremos (pois) um ar mais suave e “calmo” de poeira “radio ativa” qual poluição laboral numa atmosfera política de um “Barreiro financeiramente industrial” em dia útil de fervor de atividade.


E tudo no (nosso) Complexo Industrial-Militar (pós-moderno e contemporâneo) em uníssono (e em simultâneo) com um prazer popular (pessoal e indesmentível) de vivência católica da (nossa) vida com amor, alegria, felicidade, e muitos outros adjetivos qualificativos de satisfação consciente e voluntária;


Ou tão somente (para os fãs incondicionais dessa meca dos sentidos que somos todos, de forma mais religiosa ou menos) com os prazeres terrenos e “descansados” de um império com todos os “tais” sentidos presentes num gostar de viver apurado.



(….)



Deus, Pátria e Família.
(segunda edição atualizada)


Voltemos ao “inimigo público” de uma esquerda política “vesga” de conteúdos ideológicos (europeus) apurados (…),
e a uma direita política ignorante, estúpida e inimiga de si própria e da sua identidade política mais profunda e solene;


Certamente numa espécie de crise de identidade politicamente caótica e persistente, e de consequências ignoradas para uma Europa do progresso, da modernidade e da pujança política, económica e social.



À qual “nós”, pelos vistos, “pretenderemos” ficar estrategicamente alheios !!


(mas tudo bem, dirão os portugueses, “não há de ser nada de especial…”)



(….)



A Igreja Católica também é contra o complexo industrial-militar português.
(na sua versão atual)



E eu não percebo muito bem a ideologia destes dogmas políticos, mas julgo entender que o argumento principal pretenderá “FRENAR” o progresso económico e social da sociedade portuguesa…



E digo isto porque enfim (…), não será “maldade” de tempos e pensamentos mal dispostos, será apenas “aquilo que parece à vista desarmada”.



(….)



Esta questão parece-me curiosa e passível de uma conversa perspicaz e interessante naquilo que poderá respeitar aos potenciais avanços de uma “política real” (pragmática na sua execução operacional) neste nosso país periférico de uma Europa paciente mas também cansada de uma irreverência política mal calculada (pela nossa parte) para a estratégia de Portugal e para o futuro próximo dos portugueses.



Para concluir este pequeno e sucinto texto de opinião, e para o efeito possível de uma reflexão útil sobre a temática proposta, sugiro a leitura do texto de apoio que junto à edição presente desta página.
Boa leitura.





(….)


§§§§ / §§§§


ANEXO – ILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:


………………..



“…
de:




Não são os mercados, mas os bancos que dominam a UE
dossier | 11 Junho, 2010 - 18:55 | Por Vicenç Navarro



O complexo financeiro é hoje, na União Europeia, o que o complexo militar industrial foi nos EUA


Lead:


O complexo financeiro é hoje, na União Europeia, o que o complexo militar industrial foi nos EUA
 

Numa entrevista recente a La Vanguardia (09.05.10), o ex-Presidente Felipe González, que tem estado a dirigir um grupo de reflexão nomeado pelo Conselho Europeu para refletir sobre o futuro da Europa, fez uma observação de carácter pessoal que mal teve impacto nos média e que descreve muito claramente o maior problema que tem a Europa.


É uma pena que esta observação não aparecesse no relatório desse grupo de reflexão. Dizia o ex-Presidente Felipe González que o que se passava na Europa lhe recordava o que disse no seu tempo o Presidente Eisenhower quando, no discurso de despedida no seu último dia de mandato, alertou a sociedade dos Estados-Unidos para as consequências negativas que tinha para os EUA o enorme poder do complexo industrial militar (The Military Industrial Complex).


Numa declaração surpreendente, por ser feita por quem tinha sido um General do Exército, o Presidente Eisenhower alertou para a excessiva influência que tinha a indústria armamentista nos EUA no configurar da política interna e externa daquele país.


Pois bem, adicionava o ex-Presidente Felipe González, há que alertar as sociedades europeias para o excessivo poder que tem no nosso continente o complexo financeiro.


Hoje, tal complexo está a determinar as políticas domésticas dos países da UE.


Publiquei, extensamente (ver artigos publicados em vários fóruns e afixados no meu blogue http://www.vnavarro.org, secções Neoliberalismo e Economia Política) referindo-me ao perigo que supõe para Europa o enorme poder e influência que a banca europeia (e, muito em especial, a alemã) tem sobre o Conselho Europeu, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu e que determinou enormes gastos públicos por parte dos países da UE e do FMI (mais de um milhar de milhões de Euros) em ajudas a banqueiros e acionistas, sem que isso se tenha repercutido numa maior disponibilidade de crédito à sociedade.


Tais instituições estão, ao mesmo tempo, a exigir uma enorme austeridade de gastos públicos, incluindo gastos públicos sociais o que está a significar um enorme sacrifício para as classes populares dos países da UE e, muito em particular, dos países chamados periféricos - Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda - a fim de que aqueles estados possam pagar à banca dos países do centro da UE a dívida pública com juros exuberantes e confiscatórios.



Como se exprime este poder da banca


A excessiva influência que a banca alemã teve na construção da União Europeia - tanto no estabelecimento do Banco Central Europeu (BCE), como na definição do Pacto de Estabilidade (cujo objetivo principal foi manter estável o preço do dinheiro em vez de estimular o crescimento económico) - explica a orientação neoliberal das instituições da UE.


Um indicador dessa orientação neoliberal é que uma União assim não tem um banco central e isso apesar de a instituição financeira da UE se chamar Banco Central Europeu.


À primeira vista esta afirmação parece uma provocação. Mas a análise das suas funções e comportamentos mostra que não é um banco central, como o é, por exemplo, o Federal Reserve Board, FRB (o Banco Central dos EUA) ou o Banco de Inglaterra.


Um banco central tem como missão realizar as intervenções financeiras que permitam aos seus estados realizar as políticas económicas conducentes ao desenvolvimento e ao bem-estar da população.


Para conseguir tal objetivo, os bancos centrais são altamente intervencionistas, impedindo ou dificultando, por exemplo, as actividades especulativas de agentes financeiros nacionais ou internacionais que impossibilitem o desenvolvimento das políticas económicas e fiscais estatais.


Assim, quando os especuladores financeiros internacionais quiseram especular com a dívida pública dos EUA e da Grã-Bretanha, os seus bancos centrais intervieram ativamente imprimindo grandes quantidades de dinheiro com os quais compraram grande quantidade da dívida pública dos seus próprios estados, vendendo-a a um preço menor do que tinham comprado, forçando a baixa de preço e juros, com o que os especuladores saíam escaldados pois perdiam muito dinheiro. Isto é o que faz um Banco Central.


Nem é preciso dizer que imprimir muito dinheiro pode aumentar a inflação (o inimigo número um da Banca) mas em momentos de recessão, como agora, o perigo não é este, mas o contrário – a deflação.


Quando a economia recuperar é que pode aumentar a inflação, mas este aumento (sempre que possa manter-se em dimensões moderadas) é inclusivamente positivo pois ajuda o estado a poder pagar a dívida mais rapidamente.


Se o estado deve uma quantidade fixa de dinheiro, esta quantidade, ao fim de algum tempo, diminui em valor monetário quando a inflação aumenta.


Isto é o que fizeram os bancos centrais agora e sempre (veja-se o recente comportamento do Federal Reserve Board nos EUA).


Não foi o caso do BCE que tem total independência. Isto é, pode fazer o que quiser. E fá-lo segundo o desejo e os interesses da banca da Alemanha e doutros países do centro da UE.


O primeiro objetivo do BCE é ajudar os bancos, não ajudar os estados.


O BCE, que é o único banco na UE que tem poder para definir a quantidade de moeda que se imprime, tem estado a enviar este dinheiro como empréstimo à banca privada, com um juro de 1% só.


Com este dinheiro, a banca privada comprou dívida pública que oferecia juros de 3%, 4%, 6% ou inclusive 9%, com o que conseguiram a negociata do ano.


Entretanto o crédito brilhava, e continua a brilhar pela ausência. E mais, o BCE está proibido de comprar dívida pública.


Ultimamente, esquivou-se a esta proibição, quando os estados estavam já em pé de guerra contra o BCE, rebelião liderada pelo Sr. Sarkozy (a cultura política republicana francesa dá mais protagonismo aos estados do que a cultura neoliberal alemã).


Mas mesmo assim tal compra de bónus de dívida pública está-se a fazer com timidez e em doses muito limitadas, nada comparáveis ao que fez o Federal Reserve Board, nos EUA.


Porquê esta timidez? A resposta pode parecer paranoica mas não é.


A banca tem um objetivo, nunca explicitado, mas que aparece constantemente nas entrelinhas nos seus escritos.


Na realidade existe forte evidência de que a Banca e os seus agentes, que incluem desde o BCE ao Fundo Monetário Internacional (o que se chama na terminologia anglo-saxónica o establishment financeiro) querem utilizar esta Grande Recessão para conseguir o que desejam desde o princípio da UE: debilitar o estado de bem-estar, diluir e reduzir a dimensão social da Europa e reduzir os direitos sociais e laborais.


Se lerem os documentos internos do BCE, do FMI e do Banco de Espanha (e eu tenho estado a fazê-lo todos estes anos) verão que desde há já muitos anos que estão a realçar a necessidade de se fazerem tais mudanças.


E agora querem aproveitar esta crise para, em colaboração com os grandes grupos empresariais, conseguir que se façam, ajudados pelos média que estão a tentar persuadir a população de que tais mudanças são necessárias para sair da Grande Recessão (argumentos que já se utilizaram inclusive antes de que existisse a Grande Recessão).


E como resultado da sua grande influência nos média, vemos como os cinco jornais mais importantes em Espanha têm escrito editoriais apoiando as medidas de austeridade promovidas pelo FMI.


Estes média por certo nunca analisaram objetivamente as consequências de levar a cabo tais medidas. Analisemo-las e vejamos primeiro o que é o FMI.


As receitas desastrosas do FMI


Desde que o Presidente Reagan iniciou nas Américas a época neoliberal, o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi o maior promotor das políticas neoliberais no mundo, tendo desenvolvido as suas políticas com maior intensidade na América Latina.


O FMI foi sempre proposto pelo Secretário do Tesouro do Governo Federal dos EUA (equivalente ao Ministério da Economia e Finanças em Espanha).


Nunca aconteceu a maioria dos 184 estados membros do FMI votar contra as posturas adotadas pelo representante dos Estados-Unidos no Conselho de Direção. Daí que o FMI tenha sido o maior propagandista do “Consenso de Washington” cuja versão europeia foi o “Consenso de Bruxelas”.


Segundo esse consenso, os países recetores da “ajuda” oferecida pelo FMI tinham que reduzir, e inclusive eliminar, qualquer restrição à mobilidade internacional de capitais e comércio, privatizar os seus serviços públicos e as suas transferências públicas (como a Segurança Social), eliminar os défices do estado e oferecer plena independência e autonomia aos bancos centrais, dando prioridade ao controle da inflação, à custa do estímulo ao crescimento económico.


A estas políticas somaram-se medidas desincentivadoras das políticas estatais intervencionistas nas áreas industriais da economia, enfatizando a desregulação dos capitais financeiros e dos mercados laborais.


Estas políticas expandiram-se por toda a América Latina com resultados que o diretor do prestigiado Center for Economic and Policy Research de Washington D.C., Mark Weisbrott, definiu como “desastrosas” para aqueles países.


O rendimento per capita na América Latina, que crescera 82% durante o período 1960-1980, baixou para uns meros 9% durante o período 1980-2000, baixando inclusive mais, para 4%, no período 2000-2005.


Para dar-nos conta do significado destes números, temos que nos dar conta de que se vários países da América Latina, como a Argentina, o México e o Chile (todos eles expostos às políticas liberais impostas pelo FMI) tivessem continuado a crescer como o fizeram na época 1960-1980, teriam atingido já o nível de desenvolvimento da Espanha. Hoje estão muito atrasados, com um nível de riqueza muito inferior ao espanhol.


O fracasso dessas políticas é que levou a uma mudança de quase 180º a partir de 2003 e 2004, com a eleição de partidos de centro esquerda e de esquerda na grande maioria dos países da América Latina e o que se deu como rejeição às políticas impostas pelo FMI.


O primeiro país que se rebelou contra o FMI, foi a Argentina, que se estava a afundar economicamente por seguir as políticas neoliberais propostas pelo FMI.


Em Maio de 2003, o novo governo eleito, presidido por Néstor Kirchner, expulsou na prática o FMI da Argentina, rompendo com o neoliberalismo imposto por essa instituição.


Kirchner declarou o país em bancarrota, forçando a renegociar a dívida com os bancos e com o FMI que tiveram de absorver grandes perdas nos seus fundos. Rompeu também com a paridade peso argentino-dólar (medida imposta pelo FMI) e seguiu políticas expansivas de gastos públicos que estimularam a economia, crescendo 9% durante os próximos três anos, o que lhe permitiu ir pagando a sua dívida pública. A este facto fez referência a presidente Kirchner, esposa do presidente Kirchner quando, numa conferência recente em Barcelona com o mundo empresarial, indicou que a maneira de sair da recessão não era baixar o défice e a dívida pública, mas crescer economicamente, inclusive à custa de aumentar o défice e a dívida pública.


Casos parecidos ocorreram na Bolívia, com Evo Morales, que também acabou com o FMI e adotou políticas radicalmente diferentes das neoliberais propostas pelo FMI.


Em Maio de 2006 o Presidente Morales nacionalizou o gás e o petróleo, exigindo ao mesmo tempo ao FMI e aos bancos que renegociassem a dívida, absorvendo grandes perdas. Desde então a Bolívia foi um dos países com maior taxa de crescimento económico na América Latina.


Antes, durante a época neoliberal, a economia permaneceu estancada, de maneira que em 2006 (depois de ter estado sob o domínio do FMI durante vinte anos) o seu rendimento per capita era menor do que o existente 27 anos antes.


A Lituânia, na Europa, é outro exemplo. O FMI e a UE impuseram políticas liberais de grande austeridade que causaram uma redução de 25% do seu PIB, com uma taxa de desemprego de 22% da população ativa.


Segundo as próprias projeções do FMI, a Lituânia não atingirá o nível de PIB que teve no ano de 2006, até ao ano de 2015.


E agora, a Grécia. As políticas impostas pelo FMI fizeram que o PIB diminuísse 18% em 2009 e terá que esperar oito ou nove anos para recuperar o PIB que tinha em 2008.


E algo semelhante ocorrerá em Espanha, como resultado do mandato da UE e do FMI.


Estas e outras experiências explicam não só o descrédito do FMI mas também a aparição de alternativas, como o Banco do Sul, na América Latina em substituição do FMI.


A evidência mostra como o FMI foi utilizado pelo capital financeiro (a banca) para forçar uma austeridade de gastos públicos sociais, com o fim de conseguir que se pague à banca.


Na UE a mal denominada ajuda da UE-FMI à Grécia foi na realidade uma ajuda à banca alemã e doutros países do centro da UE, emprestando dinheiro ao estado grego para que lhe pague a dívida externa.


Termino, pois, esta apresentação acentuando que não são os mercados financeiros mas sim a banca que está a dominar o mundo, em consequência da excessiva influência do complexo bancário, o qual está a dominar a vida política e mediática dos países, conduzindo estes países a uma situação de enormes sacrifícios para as classes populares que se exigem para respeitar os benefícios desse complexo.


O complexo financeiro é hoje, na União Europeia, o que o complexo militar industrial foi nos EUA.


Artigo publicado na revista digital SISTEMA, 4 de Junho de 2010, disponível em vnavarro.org



…”


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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

“PARA QUE SERVEM AS FORÇAS ARMADAS (??)” -– O COMPLEXO INDUSTRIAL MILITAR PORTUGUÊS (parte 1)

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“…A Guerra Fria foi uma solução para um dilema maior do desenvolvimento económico americano. É evidente para todos quantos elaboram as políticas nacionais na Europa, América do Norte e Ásia desde o final da Segunda Guerra Mundial, e até mesmo para a maioria dos economistas, que a prosperidade do capitalismo moderno depende, de forma decisiva, duma intervenção estatal massiva na economia. “

(Lewontin)
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Num seminário virtual pretende-se a grande participação dos diferentes públicos que de outra forma não “falariam entre si” nem comungariam com o universo presente as suas experiências pessoais, provavelmente únicas de significados e de conteúdos expressivos identificadores da alma de uma comunidade.

(caraterizadora da cidadania ativa e da “profundidade” de um povo)




(….)


O Complexo Industrial-Militar Português tem uma leitura muito própria e genuína que pode caracterizar-se por três vetores principais:


(talvez não únicos mas os mais determinantes para a interpretação política e social do Estado e da Comunidade Histórica da Cultura Portuguesa)


_ Uma componente sociocultural de raiz militar muito forte e profunda na sociedade política;


_ A história político-militar colonial portuguesa;


_ A componente administrativa-logística da Segurança e Defesa Nacional e a sua correlação com a atividade económica e financeira do Estado.



A caracterização de cada um destes componentes traduz de forma precisa a natureza, o âmbito e o “alcance” político e económico do complexo industrial-militar português.


E (com naturalidade política…) a abordagem desta temática remete o conteúdo para duas “imagens de marca” típicas e incontornáveis no nosso panorama político “interior” – o “Caso Americano” e a “ideia política” pré-concebida na Europa de que o Complexo Industrial-Militar é politicamente inadequado, economicamente contraproducente e malicioso para as comunidades sociais e para a política dos interesses dos Estados Europeus.


(…)


Não é o objetivo deste texto contrariar qualquer “conceito” pré-concebido ainda que a sua construção ideológica seja fraca ou até precária;

Antes sistematizar conceitos e experiências, e discutir as ideias passíveis de controvérsias e de consensos;

E gerar diálogos proficientes.


(….)



De maneira muito simplista pode sistematizar-se uma descrição genérica das diretrizes principais do Complexo Industrial-Militar Português da seguinte forma:


(sendo que em qualquer das três abordagens a sua caraterística primordial remete para uma participação massiva do Estado na cultura operacional envolvida na “força motriz” de uma fisiologia próxima)


1. A componente sociocultural de raiz militar resulta da consideração de que Portugal é um país com nove séculos de história militar, dos quais durante todo o século XX os portugueses conheceram uma organização política e social de um “Povo e uma Nação em Armas”, fisiologia política que caraterizou a natureza e o âmbito específico da sociedade portuguesa.


A cultura política dos portugueses é profundamente influenciada pela dinâmica da organização militar traduzindo-se “tal circunstância” na constatação de que os usos e costumes tradicionais dos portugueses são como que “magmatizados” pela cultura militar.


E desta forma tornando-se a dinâmica cultural envolvida neste fenómeno em “qualquer coisa” como o sistema nervoso central de toda a organização política e administrativa do Estado.



2. A história político-militar colonial portuguesa dispensa mais e melhores adjetivos em virtude da sua proximidade histórica com o tempo atual, mas importa realçar a profundidade do seu “âmbito nuclear” em toda a estrutura política do estado e da sociedade civil.


Portugal foi uma grande potência colonial durante parte importante da sua história e essa informação genética circula na hemoglobina da sua hemodinâmica;


Os portugueses são um povo livre, evolucionista, moderno e democrático, e por conseguinte, não professam “religiões” racistas mas é indiscutível que também não renegam a sua história e a sua “informação genética” de base e raiz.


3. A componente administrativa-logística da Segurança e Defesa Nacional e a sua correlação com a atividade económica e financeira do Estado traduz-se na nova dinâmica associada às problemáticas e aos desafios emergentes no âmbito da Segurança Interna e da Defesa Nacional no final do século XX e no alvorecer do século XXI.


Esta temática caracteriza-se pelo seu enquadramento e “visualização” no âmbito das preocupações de segurança e defesa comuns aos Estados da União Europeia (e no contexto mundial no âmbito da NATO).


O complexo industrial-militar da União Europeia é dominado pela Inglaterra, pela França e Alemanha, mas países como a Espanha, a Itália e Portugal (em menor grau) têm um empenhamento cada vez mais significativo e importante no contexto das políticas de segurança e defesa comunitárias (PESC e PESD).


A componente administrativa e logística do complexo industrial-militar português é relativamente reduzida e insipiente e carateriza-se por acordos de parcerias estratégicas em compras de material militar e de segurança no âmbito das leis de programação militar do Estado.


(este assunto está bem desenvolvido no texto temático inserido na bibliografia de apoio a esta página)




(….)



Para reflexão e apoio de opinião sugiro a leitura dos textos que acompanham este trabalho.



§§§§ / §§§§




ANEXO – ILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:


………………..


“...

de:





Portugal Inserido no Complexo Militar Industrial da Comunidade Europeia

Paulo Cardoso do Amaral, Administrador da Sinfic, Professor na Universidade Católica Portuguesa e Vice-presidente da AFCEA Portugal.




Portugal não deve ficar à margem da consolidação do sector das indústrias de defesa. Com contrapartidas ou não, o investimento no sector deverá sempre acontecer, sob pena de ficarmos marginalizados e totalmente dependentes do ponto de vista puramente material, mas sobretudo no que diz respeito ao conhecimento e à aprendizagem.


Não está em causa pensar que o Complexo Militar Industrial Português possa ter um impacto económico da dimensão relativa semelhante ao dos EUA ou do Reino Unido, mas esta questão pode e deve ser pensada no seio da Comunidade Europeia. Se a CE tem uma estratégia, Portugal deve participar e beneficiar diretamente com a sua participação.


Apesar da consolidação das indústrias e das tentativas de coordenação da WEAG (Western European Armament Group), WEAO (Western European Armament Organisation) e OCCAR (Organisation Conjointe de Coopération en matière d'Armement), que deram origem, finalmente, à criação da EDA (Agência Europeia de Defesa), os países mais fortes ainda continuam a tentar evoluir com grande independência, o que prejudica o caminho inevitável da criação de escala conseguida através da união de esforços.


O exemplo mais claro e público do impacto económico do Complexo Militar Industrial é o do Reino Unido. De uma estratégia para a Indústria de Defesa pensada e delineada em 2004, o Reino Unido passou à Ação a partir de 2007 (até 2012), com um fortíssimo investimento em Tecnologias de Defesa. A visão é clara: se o estado investir nas tecnologias e na investigação, as indústrias vão desenvolver-se. O Reino Unido utiliza, aliás, o exemplo dos EUA para compreender que o investimento nestas tecnologias tem um valor económico considerável e que este investimento se paga a si próprio dessa forma. É curioso que o lançamento do programa cita claramente o sucesso dos EUA neste capítulo.


Não obstante o investimento independente que cada estado está a realizar no sector da defesa, o certo é que a ameaça global que estamos a sentir envolve uma resposta global coordenada, e isso só é possível com um grande grau de cooperação. Essa cooperação começa a montante, na própria conceção dos sistemas de segurança e defesa e, portanto, nas respetivas indústrias. Portugal tem ótimas capacidades demonstradas nesse domínio e deve participar neste processo. A questão está precisamente em perceber que processo é esse.


(….)


A visão tradicional com a despesa em segurança e defesa é a da economia de custos, felizmente já ultrapassada. É consensual que temos de velar pela nossa segurança, agora mais do que nunca, e também pela nossa defesa, num panorama cada vez mais difícil. Será que no ambiente social atual nos podemos dar ao luxo de ambicionar uma paz natural? Será que continua a ser válida a máxima romana “se queres a paz, prepara a guerra?”


Como afirma Sir Michael Howard “a paz é um assunto muito mais complexo do que a guerra”. É por isso que temos de nos preparar . Temos de vencer a guerra contra o terrorismo. A defesa e a segurança vão ter um peso importante e provavelmente crescente na economia dos estados. A União Europeia gasta sensivelmente um pouco menos de metade do que os EUA com a defesa, incluindo investimento e custos de operação.


Na Europa, a França e o Reino Unido lideram destacados os gastos totais em defesa (2,5 por cento do PIB). Portugal faz o que pode. Com 1,72 por cento do PIB, o investimento só não é grande porque o nosso PIB é comparativamente pequeno, mas do ponto de vista da percentagem do orçamento dedicado à defesa, Portugal encontra-se bem posicionado entre os restantes países europeus. O problema, se ele existe, não é gastar mais, mas gastar bem. A solução é encontrar formas de transformar custos em investimento. A solução é criar valor económico com esse investimento.


O estado português, como elemento catalisador do complexo militar industrial, tem um papel de alguma responsabilidade, se bem que difícil. É verdade que as forças de segurança e defesa são um grande custo, mas será que podemos transformar alguns custos em investimento? Será que conseguimos encontrar maneiras de fazer multiplicar o valor do investimento conjunto entre o estado e os privados?


A análise desta problemática passa pelo capital humano e tecnológico. O capital humano tem ambas as vertentes. Temos o custo direto dos salários das pessoas, mas também temos o investimento nas suas competências. É preciso saber antecipadamente que competências vão ser importantes. Quanto à tecnologia, a questão é mais difícil e complexa, porque o seu valor só acontece através das pessoas. Haverá com certeza custos de manutenção de equipamentos, mas a grande parte da despesa deve ser considerada um investimento em função das mais-valias que vai trazer. E onde estão essas mais-valias?


A questão nem sequer é apenas económica e tangível. Na sociedade de informação conta mais o que sabemos do que aquilo que temos, por ser a economia do intangível. E como conseguir o sucesso na economia do intangível?


Adquirindo capacidades para adquirir o conhecimento, ou seja, aprender a aprender. Neste contexto, será que devemos continuar cada vez mais completamente dependentes dos produtos acabados que importamos?


Temos de ultrapassar a visão mais tradicional de que a criação de valor dos investimentos no sector de segurança e defesa é obviamente a da ação direta que as respetivas forças vão poder realizar. Há um valor económico nos investimentos tecnológicos de segurança e defesa, pois muitas das soluções militares serão, mais tarde ou mais cedo, aplicados no âmbito civil. Há também a criação de conhecimento, tão importante para fazermos parte da rede de aliados com voz ativa.


Claro que neste contexto vem sempre à memória o facto de Portugal ser um pequeno país, e ainda por cima periférico na Comunidade Europeia. Não podemos consentir que a defesa e a segurança sejam apenas um custo sem qualquer perspetiva de evolução económica. Portugal tem uma indústria de segurança e defesa que pode, e deve, ativar no contexto internacional. Se pensarmos assim, há custos que se transformam em investimentos e o valor económico desses investimentos pode justificar o tão ambicionado aumento de verbas disponíveis, venham estas do estado ou dos privados.



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de:






Vem aí o complexo militar industrial chinês


Caio Blinder

De Nova York

Civilização, direitos humanos, geopolítica e outras picuinhas



Há 50 anos, em janeiro de 1961, Dwight Eisenhower encerrou seus oito anos de presidência americana com um dos discursos mais famosos de despedida do poder, marcado pela advertência sobre o crescimento de um “complexo militar industrial” e os perigos que ele trazia. A importância do discurso cresceu ao longo das décadas, tornou-se lendário e se converteu em motivo de adoração para antiamericanos denunciarem a podridão do esquema. Afinal, até o presidente que partia apontava os malefícios de um sistema supostamente ao serviço do Pentágono e dos fabricantes de armas (os mercadores da morte).


Esclarecimentos: Eisenhower, o general que comandou as tropas aliadas na Europa na Segunda Guerra Mundial, não traiu o sistema e sabia do que estava falando. Obviamente, Eisenhower não era um pacifista ou manso com os inimigos do seu país (fez o discurso no auge da Guerra Fria). Seu recado era contra extravagantes gastos militares e o perigo de que um complexo militar industrial transformasse os EUA em um estado policial, tolhendo as liberdades civis.


Há extravagâncias estúpidas nos gastos militares, um lobby obsceno da indústria bélica no Congresso e alguns excessos contra as liberdades civis. No entanto, é um salto de imaginação descrever os EUA como um estado de guerra, em que conflitos, como o do Iraque, são deflagrados por uma conspiração dos fabricantes de armas.Também é inconcebível o cenário de uma tomada militar do poder, como em Sete Dias de Maio, o filme de John Frankenheimer.





No cimentado sistema político chinês, o poder militar é subordinado ao poder civil. Mao, o maldito pai fundador, disse que o poder estava na ponta do fuzil, mas o final da frase é: “O partido comanda a arma; a arma nunca deve comandar o partido”.


Mas, nos últimos tempos na China, temos um poder militar atuando com mais desenvoltura em relação ao comando civil e expressando mais agressividade na arena internacional, motivado por nacionalismo, e deixando claro seu propósito de ampliar sua influência no sistema de poder. Outros atores também atuam com mais desenvoltura, como os exportadores, que exercem pressão para que a moeda continue manipulada para favorecer seus negócios. O poder na China que cresce é mais difuso, mais dificil de ser interpretado.

De acordo com relatos, durante encontro com Gates, Hu Jintao parecia não saber que seus militares tinham acabado de fazer um teste com um protótipo de avião invisível a radar. “É verdade?”, ele teria perguntado ao seu ministro da defesa Liang Guanglie.

É possível especular que os militares chineses atuem como “falcões”, tentando abortar vôos de um modus-vivendi entre a China, superpotência emergente, e a madura superpotência americana. Este empenho marca a visita oficial em curso de Hu Jintao aos EUA. Também interessa a estes militares agressividade do outro lado, o que justifica investimentos industriais e armas mais sofisticadas no aparato militar do país (inevitável e compreensível, de qualquer forma, diante de sua ascensão global). A economia americana é três vezes maior do que a chinesa, mas seu complexo militar gasta oito vezes mais por ano e seu armamento é muito mais, mas muito mais, sofisticado. Até quando?

A liderança civil chinesa deve controlar este impulso dos militares. Nada de descartá-lo, é claro. Nacionalismo é uma cola que unirá cada vez mais os chineses. Com a falência da ideologia comunista militares são arautos impecáveis de nacionalismo e de patriotismo, ampliando seus tentáculos navais no mar do Sul da China, construindo mísseis mais incrementados e exibindo seu avião invisível. Os chineses se distanciam do famoso conselho de Deng Xiaoping, o patrono das reformas econômicas, para “esconder nossas capacidades, ganhar tempo e não reinvindicar liderança”.




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SÍTIOS INTERNET DE LEITURA RECOMENDADA: