segunda-feira, 7 de maio de 2012

OS PORTUGUESES NÃO TREMEM (parte 1)

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Tenho andado preocupado com este tema (…) e como a “conversa” me incomoda pela pouca salubridade dos “sentidos políticos” envolvidos, predispus-me a “mandar umas bocas para o ar” como a cultura política portuguesa mais profunda manda.


Presumo que não terei mais interesses nesta conversa do que milhares de outros portugueses envolvidos na temática em questão, e portanto sinto-me “autorizado” a fazer o tal envolvimento em profundidade proposto.



(….)



Impressiona-me que os portugueses percebam mal a sua declaração sobre o rendimento auferido durante cada ano fiscal (vulgo declaração do IRS).


É básico perceber que as contas com a tutela do Estado funcionam em termos de rendimentos anuais e não (de forma parcelar) uma contabilidade que considere o vencimento mensal de cada português ativo, mais os seus “Subsídios de Extra Rendimento” (…).



Ou seja, em termos formais cada português que trabalha e aufere um salário pago por uma entidade patronal recebe um valor anual de “rendimento pelo trabalho por conta de outrem” como resultado da atividade profissional que prestou a essa entidade ou organização empresarial.



E por esse valor de rendimento do trabalho paga uma taxa de contribuições obrigatórias e uma taxa de IRS (imposto sobre o rendimento auferido);


As contas mensais são uma aproximação às contas reais (em termos de rendimento e de contribuições obrigatórias e impostos) que serão acertadas no final de cada ano fiscal do Estado.


É assim que devem ser feitas as contas políticas desta “Questão” e julgo que deveria haver poucas dúvidas sobre esta matéria.



Mas não, tal raciocínio é ingénuo e desatualizado.


Está estabelecida na nossa “Praça Política” uma confusão olímpica sobre este tema e uma espécie de “guerra subversiva” a que não será alheia a matéria política envolvida nos Protocolos Financeiros “PPP” do Estado com parceiros específicos e bem escolhidos no nosso ecossistema natural.


E a prova da dimensão política envolvida nesta temática será a consideração política exponenciada do caráter generoso do Estado ao propiciar Subsídios de Rendimento aos seus colaboradores extra a obrigação de pagar um vencimento mensal;


E portanto, diz-se que deverão ser 12 vencimentos e não 14.



Mas há um “envolvimento” político formal envolvido em todo este assunto de dimensão gravosa no tipo de abordagem citado(…);


Cada colaborador do Estado (e como modelo referencial todos os trabalhadores por conta de outrem) passa a receber um valor anual, que é aquele que está formalmente contratualizado entre as partes outorgantes, muito abaixo daquilo que deveria receber;


Porque há senhores políticos que à falta de melhor vocabulário ideológico e discursivo (ou na ausência de vocabulário político próprio e adequado a quem o deveria obrigatoriamente ter como requisito de base) viram a sua atenção para objetivos remuneradores com alcance de eficácia certa e fácil nos resultados políticos obtidos.


Como num passado recente aconteceu com as Forças Armadas e com o SMO (Serviço Militar Obrigatório), só para estabelecer um paralelo que não sendo comparável tem uma conotação de ação política interventiva na comunidade eventualmente parecida ou semelhante naquilo que respeita ao método operacional utilizado de intervenção política.



Metodologia que sendo normalmente ingénua porque ignorante provoca graves consequências que são mal contabilizadas na génese do procedimento (especificamente) político.



(….)



Há um outro considerando de natureza técnica que importa considerar, e que diz respeito diretamente ao denominado “13º Mês”.



O 13º mês será uma das mais espetaculares mentiras que tem sido propriedade dos diferentes donos do poder, quer se intitulem uma coisa ou outra, e é justamente esta “publicidade política” que os trabalhadores mais acreditam.


Uma demonstração aritmética de como é fácil mistificar e enganar os trabalhadores poderá ser a seguinte:


_ Suponha-se que um português ganha 1.096,00 Euros por mês;


(um bom ordenado mensal ilíquido)


Multiplicando esse salário por 12 meses, o português receberá um total de 13.152,00 Euros por um ano de doze meses.


€ 1.096,00 X 12 = € 13.152,00


Em Dezembro, o Governo Português “manda” então pagar-lhe o conhecido 13º Mês.


€ 13.152,00 (Salário anual) + €1.096,00 (13º salário) =
= € 14.248,00 (Salário anual + 13ºMês)



O trabalhador português fica satisfeito com o “governo amigo dos trabalhadores” que mandou a entidade patronal pagar o “13º mês”.


Agora veja-se o que acontece quando um simples “contabilista” se predispõe a fazer umas simples contas que aprendeu no seu “Ensino Fundamental”:


_ Se o trabalhador recebe € 1.096,00 num mês e o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana € 274,00.


€ 1.096,00 (Salário mensal) e 4 semanas que tem o mês = € 274,00 (Salário semanal)



Como cada ano tem 52 semanas, se multiplicarmos os € 274,00 (Salário semanal) X 52 (Número de semanas anuais) = € 14.248,00 .


O resultado acima é o mesmo valor do Vencimento Anual + o 13º Vencimento.


E a explicação é simples, embora os nossos conhecidos líderes políticos nunca se tenham dado conta desse facto singelo;


A resposta certa é que o Estado, que tem patrocinado “estas leis”, lhe está a confiscar (ao português trabalhador) uma parte do vencimento durante todo o ano pela simples razão de que há meses com 30 dias e outros com 31, e também meses com quatro ou cinco semanas, e o salário é o mesmo tenha o mês 30 ou 31 dias, quatro ou cinco semanas.


(e ainda assim, apesar de cinco semanas o governo só manda a entidade patronal pagar quatro semanas)


Portanto, no final do ano os nossos generosos Governos presenteiam o tal trabalhador português com um 13º salário, cujo dinheiro saiu do próprio trabalhador.


Ou seja (dito por palavras diferentes), os trabalhadores portugueses recebem o que já trabalharam e não um adicional (político) generoso.





(….)




E é assim a nossa vida política de portugueses…







(etc. …………)






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