Tenho andado preocupado com este tema
(…) e como a “conversa” me incomoda pela pouca salubridade dos “sentidos
políticos” envolvidos, predispus-me a “mandar umas bocas para o ar” como a
cultura política portuguesa mais profunda
manda.
Presumo que não terei mais interesses
nesta conversa do que milhares de outros portugueses envolvidos na temática em
questão, e portanto sinto-me “autorizado” a fazer o tal envolvimento em
profundidade proposto.
(….)
Impressiona-me que os portugueses
percebam mal a sua declaração sobre o rendimento auferido durante cada ano
fiscal (vulgo declaração do IRS).
É básico perceber que as contas com a
tutela do Estado funcionam em termos de rendimentos anuais e não (de forma
parcelar) uma contabilidade que considere o vencimento mensal de cada português
ativo, mais os seus “Subsídios de Extra Rendimento”
(…).
Ou seja, em termos formais cada
português que trabalha e aufere um salário pago por uma entidade patronal recebe
um valor anual de “rendimento pelo trabalho por conta de outrem” como resultado
da atividade profissional que prestou a essa entidade ou organização
empresarial.
E por esse valor de rendimento do
trabalho paga uma taxa de contribuições obrigatórias e uma taxa de IRS (imposto
sobre o rendimento auferido);
As contas mensais são uma aproximação
às contas reais (em termos de rendimento e de contribuições obrigatórias e
impostos) que serão acertadas no final de cada ano fiscal do
Estado.
É assim que devem ser feitas as contas
políticas desta “Questão” e julgo que deveria haver poucas dúvidas sobre esta
matéria.
Mas não, tal raciocínio é ingénuo e
desatualizado.
Está estabelecida na nossa “Praça
Política” uma confusão olímpica sobre este tema e uma espécie de “guerra
subversiva” a que não será alheia a matéria política envolvida nos Protocolos
Financeiros “PPP” do Estado com parceiros específicos e bem escolhidos no nosso
ecossistema natural.
E a prova da dimensão política
envolvida nesta temática será a consideração política exponenciada do caráter
generoso do Estado ao propiciar Subsídios de Rendimento aos seus colaboradores
extra a obrigação de pagar um vencimento mensal;
E portanto, diz-se que deverão ser 12
vencimentos e não 14.
Mas há um “envolvimento” político
formal envolvido em todo este assunto de dimensão gravosa no tipo de abordagem
citado(…);
Cada colaborador do Estado (e como
modelo referencial todos os trabalhadores por conta de outrem) passa a receber
um valor anual, que é aquele que está formalmente contratualizado entre as
partes outorgantes, muito abaixo daquilo que deveria
receber;
Porque há senhores políticos que à
falta de melhor vocabulário ideológico e discursivo (ou na ausência de
vocabulário político próprio e adequado a quem o deveria obrigatoriamente ter
como requisito de base) viram a sua atenção para objetivos remuneradores com
alcance de eficácia certa e fácil nos resultados políticos
obtidos.
Como num passado recente aconteceu com
as Forças Armadas e com o SMO (Serviço Militar Obrigatório), só para estabelecer
um paralelo que não sendo comparável tem uma conotação de ação política
interventiva na comunidade eventualmente parecida ou semelhante naquilo que
respeita ao método operacional utilizado de intervenção
política.
Metodologia que sendo normalmente
ingénua porque ignorante provoca graves consequências que são mal contabilizadas
na génese do procedimento (especificamente)
político.
(….)
Há um outro considerando de natureza
técnica que importa considerar, e que diz respeito diretamente ao denominado
“13º Mês”.
O 13º mês será uma das mais espetaculares
mentiras que tem sido propriedade dos diferentes donos do poder, quer se
intitulem uma coisa ou outra, e é justamente esta “publicidade política” que os
trabalhadores mais acreditam.
Uma demonstração aritmética de como é
fácil mistificar e enganar os trabalhadores poderá ser a
seguinte:
_ Suponha-se que um português ganha
1.096,00 Euros por mês;
(um bom ordenado mensal
ilíquido)
Multiplicando esse salário por 12
meses, o português receberá um total de 13.152,00 Euros por um ano de doze
meses.
€ 1.096,00 X 12 = €
13.152,00
Em Dezembro, o Governo Português
“manda” então pagar-lhe o conhecido 13º Mês.
€ 13.152,00 (Salário anual) + €1.096,00
(13º salário) =
= € 14.248,00 (Salário anual +
13ºMês)
O trabalhador português fica satisfeito
com o “governo amigo dos trabalhadores” que mandou a entidade patronal pagar o
“13º mês”.
Agora veja-se o que acontece quando um
simples “contabilista” se predispõe a fazer umas simples contas que aprendeu no
seu “Ensino Fundamental”:
_ Se o trabalhador recebe € 1.096,00
num mês e o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana €
274,00.
€ 1.096,00 (Salário mensal) e 4 semanas
que tem o mês = € 274,00 (Salário semanal)
Como
cada ano tem 52 semanas, se multiplicarmos os € 274,00 (Salário semanal) X 52
(Número de semanas anuais) = € 14.248,00 .
O resultado acima é o mesmo valor do
Vencimento Anual + o 13º Vencimento.
E a explicação é simples, embora os
nossos conhecidos líderes políticos nunca se tenham dado conta desse facto
singelo;
A resposta certa é que o Estado, que
tem patrocinado “estas leis”, lhe está a confiscar (ao português trabalhador)
uma parte do vencimento durante todo o ano pela simples razão de que há meses
com 30 dias e outros com 31, e também meses com quatro ou cinco semanas, e o
salário é o mesmo tenha o mês 30 ou 31 dias, quatro ou cinco
semanas.
(e ainda assim, apesar de cinco semanas
o governo só manda a entidade patronal pagar quatro
semanas)
Portanto, no final do ano os nossos
generosos Governos presenteiam o tal trabalhador português com um 13º salário,
cujo dinheiro saiu do próprio trabalhador.
Ou seja (dito por palavras diferentes),
os trabalhadores portugueses recebem o que já trabalharam e não um adicional
(político) generoso.
(….)
E é assim a nossa vida política de
portugueses…
(etc. …………)
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