segunda-feira, 12 de novembro de 2012

CAPITALISMO, SOCIALISMO E LIBERALISMO (upgrade)

http://conversas666.blogspot.com


 
 

O texto que junto em anexo é um trabalho “pouco frequente” porque é esclarecido para o público comum, que nos “fala” (por si próprio) na temática das doutrinas políticas que estão na ordem do dia e que são tratadas pelos especialistas” político-partidários de forma superficial e absolutamente ignorante,
conseguindo (dessa forma) lavar o conteúdo filosófico do seu teor político mais profundo, concretizando a leitura do “texto de Estado” numa visão estritamente contabilística da realidade,

tudo em modo irracional e danoso, e com demasiada frequência voluntariamente incompetente.

      

É também óbvio que o “caso português” é aquilo que nos interessa.

(porque não é único)

 

E isso será a tal ponto verdade que é prática corrente ativa de alguns políticos profissionais portugueses professarem o “não-desenvolvimento económico e social” da Sociedade e do Estado, por tal circunstância ser manifestamente (na opinião deles) contraindicada para a assimetria económica entre classes sociais e para a sustentabilidade do Estado.

 

Em conformidade com esta premissa parcelar e pessoal, que frequentemente (em Portugal) tem uma profundidade económica coerente por razão de um desenvolvimento regional assimétrico ou inexistente, combate-se o desenvolvimento “acelerado” (?) da economia (num quadro político de Liberalismo Económico coexistente com uma “realidade política empírica” de Estado Social) por razão de tal modelo ampliar as diferenças e injustiças sociais entre os portugueses.

 
(o que, na sua opinião, irá onerar todas as estruturas políticas e económicas do Estado tornando-o insustentável)

 

Naturalmente que esta argumentação exacerbada (em juízo de causa política firme e profunda) de combate ao crescimento da luta política entre classes sociais (que na realidade será de combate ao crescimento económico) resulta exatamente em sentido oposto provocando uma crescente assimetria política, económica e social no seio da sociedade.

 
(com as consequências esperadas e um “clima político” tanto do agrado da grande maioria dos profissionais da política portuguesa)

 

[....]

 

Sem mágoa ou equívoco,

a “Esquerda Política” não é solução para Portugal,

e a “Direita Política” é uma má solução,

para desespero dos ingénuos cidadãos comuns da nossa Pátria.

 
 

Faria sentido, pois, que as “pessoas” que personificam a política partidária se juntassem ao jantar a discutir a “Coisa” singela do destino previsto para as “coordenadas finais” do seu reinado,

que, por acaso, é a nossa vida terrena;

 

E faria muito sentido até,

mas não faz em tempo real aparentemente porque não vale a pena perder tempo com essa “missa”.

 

O Poder importa, e é “Isso” que importa,

e convém não perder tempo em “traduzir” textos políticos com outro dizer e conteúdo para a “linguagem popular entendida” que não seja aquela “sinalética” que traduz um resultado final feliz e proveitoso para a causa corporativa.

 

Tudo muito estúpido e simples,

e doentio,

perverso,

e politicamente infecioso.

 

Uma doença política de regime grave e complexa.

 

[….]

 

Temos que voltar a ler os textos daquela (nossa) filosofia que nos interessa para construir um país real, mais rico, mais próspero e mais feliz para todos os “contemplados” com o destino da nossa Pátria.

 

 
 
[etc. ….]

   

§§§§ / §§§§

 

ANEXO – LEITURA BIBLIOGRÁFICA:

 

………………..


“…

de:

 

[Sobre o Instituto Ludwig von Mises Portugal - http://mises.org.pt/sobre-nos/ ]


Capitalismo, Socialismo e Liberalismo

por Luís Barata

 

Nesta série de artigos que iremos publicar, estará porventura o que de mais atual há sobre os infindáveis conflitos entre a esquerda e a direita mundial.   Uns e outros carecem de um rigoroso pensamento conceptual que os tem impedido de ver e pensar claro.

Ignorando quase sempre a origem filosófica dos conceitos que utilizam, deles se servem sem a devida reflexão. Termos como ciência, propriedade, capitalismo, liberalismo, socialismo, técnica, tecnologia, cientismo, progresso, etc. derivam todos da filosofia e, sem os estudar na sua origem, não se poderá compreender a realidade;     e, sem adotar o ponto de vista filosófico, não se poderá conceber com verdade.

É remontando e firmando a política e a economia na filosofia, que o pensamento de Orlando Vitorino surge com a segurança, lucidez e a profundidade que outros mais famosos não conseguiram. Dele são, pois, os textos que iremos transcrever e constituirão vários artigos sobre o mesmo tema, a saber, a distinção entre capitalismo, socialismo e liberalismo, seus fundamentos, consequências e desenvolvimentos.

 


Os Três Sistemas Possíveis De Organização Económica Dos Povos


[Texto publicado no “Manual de Teoria Política Aplicada” da Editora Verbo em 2010]

 

1º Sistema: O Socialismo


Características essenciais:

  • a) Controlo da produção pelo Estado
  • b) Planeamento da economia pelo Estado
  • c) Abolição da propriedade (de direito e de facto)

Consequências do controlo da produção:

  • Controlo do consumo (pois quem controla a produção acaba por controlar o consumo) com a limitação, progressiva até à extinção, da liberdade de escolha.
  • Redução da variedade dos produtos àqueles que são imprescindíveis e rudimentares.

Consequências do planeamento da economia:

  • Controlo de todos os instrumentos de atividade, o primeiro dos quais será a moeda. Com o controlo do valor da moeda, resulta imediatamente: limitação da deslocação das pessoas, que só poderão passar as fronteiras com quantidades mínimas de dinheiro, e condicionamento das importações que começará pelo impeditivo aumento das taxas sobre os livros, primeira forma da censura universal que o planeamento completará noutros sectores: aumento do custo do papel, etc.
  • Controlo das formas de atividade, determinando quais as permitidas em função das finalidades que o plano estabelece, o que necessariamente implica: redução do ensino à preparação profissional para as formas de atividade permitidas, determinação dos empregos ou «postos de trabalho» que hão-de existir, distribuição das pessoas por esses empregos sem dar possibilidades de escolha aos indivíduos.

Consequências da abolição da propriedade:

  • Abolição do mercado com tudo o que lhe é implícito ou inerente, designadamente:


    • Extinção da determinação dos preços segundo o equilíbrio da produção universal ou segundo o mecanismo impessoal da lei da oferta e da procura, que constitui o princípio de verdadeira racionalidade da economia;

 
    • Substituição desse princípio pelas decisões pessoais dos planificadores, resultantes ou de um simples arbítrio ou de um cálculo mental necessariamente errado por não haver possibilidade de conhecer todos os fatores que intervêm na determinação do preço real, ou seja: substituição da racionalidade inerente à realidade económica pela irracionalidade da vontade dos planificadores, com a consequente pobreza geral a curto prazo, miséria a médio prazo e caos a longo prazo.

    • Extinção das categorias económicas que se formam a partir da propriedade – fruição, mercado, dinheiro – e esvaziamento das duas únicas que se manterão: a do trabalho, exclusivamente destinada a alimentar a força para trabalhar; estabelecimento, por conseguinte, do ciclo de servidão dos homens cuja existência decorrerá entre trabalhar para produzir e produzir para trabalhar.

 

Nota: Há partidos e doutrinas que pretendem constituir formas diversas do socialismo: social-democracia, trabalhismo, socialismo moderado, comunismo, etc. Trata-se de uma distinção que só existe no processo preconizado de transição, gradual ou imediata, para o socialismo, o qual, uma vez realizado, terá inevitavelmente, aquelas características.

Quando a transição é mais gradual, o processo começa pelo planeamento da economia, que logo implica o controlo de certos sectores da produção e acabará, necessariamente, por controlar toda a produção; ao atingir este controlo integral, a propriedade ficará abolida.

Quando a transição é imediata, como preconizam os comunistas, a ordem do processo de transição inverte-se: começa pela abolição da propriedade, que imediatamente implica a administração de todos os recursos económicos pelo Estado, ou planeamento, e portanto o controlo de toda a produção.

 


2º Sistema: o Capitalismo


Características essenciais:

  • a) Controlo da produção pelos monopólios
  • b) Planeamento da economia pelos monopólios
  • c) Abolição da propriedade (não de direito mas de facto)

Trata-se de um sistema de organização da economia que inevitavelmente prepara e imediatamente precede o sistema socialista. Assenta nos mesmos fundamentos e tem as mesmas finalidades. O que os distingue, ao capitalismo e ao socialismo, são apenas as figuras do controlador da produção, do planificador da economia e da abolição da propriedade.

No socialismo, o controlador e o planificador são os poderosos funcionários do Estado; no capitalismo são os ricos capitães da indústria. Hayek emprega a seguinte expressão: “No capitalismo só os ricos são poderosos; no socialismo, só os poderosos são ricos.”

Quanto à abolição da propriedade o capitalismo mantém a sua figura jurídica – que lhe serve para “cobrir” a ilimitada acumulação de capital ou o monopólio – mas destrói-a de facto. O que entre nós aconteceu no Alentejo com a propriedade agrícola – a propriedade por excelência – durante a fase pré-socialista ou capitalista, é bem ilustrativo da abolição, de facto, da propriedade: os poderosos adquiriam facilmente a terra, não para estabelecerem com ela uma relação de propriedade, mas para a explorarem ou industrializarem, fazendo dela um prolongamento ou um complemento de alguma indústria turística ou fabril (reduzindo-a, por exemplo, a coutos de caça ou a espontânea produtora de cortiça a apanhar de nove em nove anos como matéria-prima de fábricas);

deste modo, impediam a existência real da propriedade, que é uma relação dos homens com as coisas e das coisas com os homens, quer reduzindo-a efetivamente a uma posse exploradora ou industrial, quer apresentando essa exploração como o modelo mais vantajoso a seguir por aqueles que, aceitando-o, se deixavam transformar, de proprietários em possessores, com todo o cortejo bem conhecido de absentismo, desemprego, etc.

 

O elemento característico da transição de uma real existência para a abstrata socialização, é o monopólio. Socialista e capitalistas estão de acordo em afirmarem que o monopólio é o resultado inevitável da complexidade da sociedade moderna e da produção tecnológica. O leitor pode encontrar, num outro capítulo deste manual, a refutação que Frederico Hayek faz desta afirmação.

O monopólio incide, numa primeira fase, sobre os ramos de produção de cada sector; em breve, porém, os monopólios dos diversos sectores se coordenam entre si levando à centralização de toda a economia.

É então que a intervenção do Estado se torna necessária; é ela, num primeiro momento, solicitada e dominada pelos empresários organizados em monopólios, ou seja, pelos ricos que se fazem poderosos; mas logo, num segundo momento, os políticos, ou seja, os poderosos que se fazem ricos, tomam nas mãos, independentemente dos capitalistas, a intervenção do Estado, a centralização económica construída pelos monopólios.

Esta substituição dos senhores da riqueza pelos senhores do poder costuma ser feita em nome da justiça social, da igualdade, das classes mais desfavorecidas, até da liberdade, mas, como é evidente, em nada se altera a situação das populações que apenas mudam de dono. O socialismo fica, então, instituído.

 

Nota: Em rigor científico e na realidade, o capitalismo é apenas o que se designa na antiquíssima e muito mais clara designação de plutocracia, isto é, o domínio do Estado pelos valores – dinheiro, etc. – que a contabilidade dos guarda-livros resumem na rubrica de Capital, ou que vem à cabeça das contas.

 

 

3º Sistema: o Liberalismo


Características essenciais

  • a) Mercado livre
  • b) Produção pela concorrência
  • c) Reconhecimento da propriedade

Socialistas e capitalistas igualmente veem no liberalismo o seu adversário irredutível.

Ao atacarem-no, muitas vezes lhe atribuem, uns, estar ele na origem do capitalismo e, outros, estar ele na origem do socialismo, o que é igualmente falso e errado.

O liberalismo, com o seu primado do indivíduo, com a sua conceção real e racional que tem da liberdade – que simultaneamente concebe como princípio do qual todo o sistema se deduz e como realidade vivida no indivíduo – com a confiança que deposita na perfeição do mundo e no aperfeiçoamento do homem, o liberalismo está igualmente distante das doutrinas capitalistas e socialistas, doutrinas afins uma da outra, que igualmente repudiam o individualismo, igualmente fazem da liberdade uma entifição abstrata e irrealizável, igualmente formam do mundo uma imagem tal que só podem propor-se dominá-lo ou transformá-lo.

 

Ao contrário do paternalismo capitalista e do protecionismo socialista que, ambos fundados numa misantropia sem remédio, igualmente aconchegam o homem numa servidão onde lhe é dada a tranquilidade na impotência pessoal e na “segurança social”, o liberalismo confia no poder da natureza humana e na sua virtualidade de infinito aperfeiçoamento, e não receia adotar o sistema que corresponde à realidade da natureza e à realidade do homem.

Em vez da absurda e grotesca tentativa de ”transformar a sociedade com homens que legitimam os seus direitos nas suas imperfeições”, o liberalismo deixa abertos os caminhos para o aperfeiçoamento intelectual e ético, e o sistema económico que defende é o que exprime a mesma racionalidade iniludível do real inexorável: o mercado livre, que é o único processo capaz de fornecer a medida universal dos produtos, a concorrência, que constitui a única via para a prosperidade geral; a propriedade, que é a única relação do homem com as coisas do mundo.

 

 

…”

 

………………..

 

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