quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

AS FUNÇÕES (LEGÍTIMAS) DO ESTADO – “A ANATOMIA DO ESTADO” (parte 2)

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“A mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente serão esquecidos no futuro.”

John F. Kennedy

“Não conheço nenhuma fórmula infalível para obter o sucesso, mas conheço uma forma infalível de fracassar: tentar agradar a todos.”

John F. Kennedy

“Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.”

John F. Kennedy

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O “Estado Social” será um dos maiores embustes que o poder político vende aos “seus” cidadãos;

Na realidade, o Estado devia devolver à cidadania ativa aquilo que lhe retira pela força coerciva de um poder unilateral e exclusivo no monopólio do uso da força.

 

De qualquer forma, e em particular para o cidadão que trabalha e paga impostos com rigor e assiduidade, presume-se que a “Falência Limitada” do “Estado Social” também presume o “Fim Limitado” do pagamento da respetiva “canga” – as denominadas Contribuições Obrigatórias para a Segurança Social (ou TSU);

E aí talvez faça todo o sentido haver “alternativas viáveis” com o tributo libertado - seguros de saúde, PPR(s), etc. .

  

(….)

 

Mas o problema principal não será esse,

a questão política primordial em qualquer tipo de estado (num país amarelo, verde, vermelho, azul ou lilás colorido) será demarcar a natureza do poder que exerce a tutela desse estado;

Por palavras diferentes, e numa realidade objetiva, só existem dois tipos (principais) de regimes políticos associados a doutrinas ideológicas antagónicas entre elas (e bem marcadas),

os Estados Socialistas com as suas variantes e variáveis (que englobam a social-democracia, a “democracia social” normalmente conhecida por “socialismo democrático”, o comunismo, etc. …),

e os Estados Liberais, com todas as suas “modalidades de ação” - liberalismo clássico, libertarianismo, anarco-capitalismo, etc. .

 

 

Aquelas modalidades de doutrina político-económica concretizam-se (cada uma delas) em diferentes formas e maneiras de exercer a tutela do estado, e por conseguinte,

a tutela de todo o aparelho produtivo e dos fatores de produção, a tutela do poder económico, a tutela do poder de coerção do estado, e a tutela do aparelho de segurança e de justiça.

 

Porque o problema crítico reside em demarcar o poder e a riqueza, e a “natureza” de quem exerce o poder sobre a riqueza;

E enquanto que num estado socialista a riqueza depende (ou deriva) do poder político instituído, num estado liberal o “poder político” é que depende (e deriva) da riqueza e da posse da propriedade privada.

 

(….)

 

Esta questão não é menor, muito pelo contrário em Portugal,

e materializa-se em imagens políticas “simples, precisas e concisas”;

Os “jovens de todas as idades” que habitam o poder político transversal (na tutela ou não) discutem e questionam de forma persistente a natureza da sua riqueza (ou o paradigma da sua falta) dados os seus privilégios adquiridos pela sua “sabedoria superior” sufragada pela democracia legal e de direito.

 

Ou seja, questionam a divisão do rendimento e do espólio do estado dado o seu poder legal (pessoal e institucional) adquirido na vitória da batalha eleitoral organizada pela democracia e pelo estado de direito, e por razão natural das altas funções “contratualizadas” por essa via…

 

(….)

 

É tão somente “Isto”…

 

(….)

 

Portanto, quando os outros jovens muito interessados na sua corporação técnica na área das ciências económico-financeiras advogam o Fim do “Estado Social” (pela sua “incapacidade de sobrevivência sustentada” ou, até, pela “falta de capacidade de autossustentação”),

aquilo que de facto querem dizer é que advogam o Fim do Estado enquanto “entidade” política que exerce a sua tutela de forma operacionalmente interventiva em todo o aparelho político, económico e financeiro do país;

 

E a razão próxima e evidente deste “cenário” deve-se a que esse país tem um regime de natureza política sufragado pela “vontade ideológica” do eleitorado, ou seja,

cujo poder que gere a riqueza do país (e a capacidade de criar riqueza) está entregue nas mãos de cidadãos políticos e não na posse da propriedade privada e dos respetivos técnicos financeiros e gestores apurados.

 

E a luta não é pequena, é bastante desleal (…),

e assenta normalmente numa estrutura técnica de natureza académica que se superioriza naturalmente (e com simplicidade perturbante) à capacidade de “argumentação ideológica” de um populismo político que promete riqueza para todos os cidadãos de forma generosa e gratuita (…);

 

Sendo que “tal” circunstância é pura demagogia grosseira e quase imbecil, mas concretiza-se como a “pedra-de-toque” eficaz da causa política democrática em Portugal.

 

(….)

 

Voltando à questão inicial,

como vamos explicar então (de forma categórica e convincente, política ou não) aos nossos especialistas principais em contas e finanças do Estado (e aos respetivos adjuntos também) que são “meros” Conselheiros e Consultores do “Rei Político” eleito pelo povo e em exercício de funções ???

 

A resposta é simples na perspetiva defensiva dos técnicos de contas e de investimentos (ao mais alto nível) – é preciso Acabar com o Estado Político Reinante (!!);

 

E com pressa e custe o que custar e a quem custar…

 

Daí nascer como solução natural o Anarco-Capitalismo como paraíso ideológico idílico e prometido para aquele “Estado do Deus (deles) de Israel” (!!).

 

[porque nunca, de forma alguma, um liberalismo “qualquer” e brejeiro, e por isso ineficaz para a “Causa Corporativa”…] 

   

(…..)

 

Proponho a leitura do texto em anexo como exercício prático de “dialética materialista”.

 

 

§§§§ / §§§§

 

 

ANEXO – LEITURA BIBLIOGRÁFICA:

 

………………..

 

“…

 

de:


 

 

 

O Que O Estado Não É

 

 

O estado é quase universalmente considerado uma instituição de serviço social. Alguns teóricos veneram o estado como sendo a apoteose da sociedade; outros consideram-no uma organização afável, embora muitas vezes ineficiente, para alcançar objetivos sociais; mas quase todos o consideram um meio necessário para atingir os objetivos da humanidade, um meio a ser usado contra o “sector privado” e que frequentemente ganha essa competição pelos recursos.

 

Com o advento da democracia a identificação do estado com a sociedade foi redobrada, ao ponto de ser comum ouvir a expressão de sentimentos que violam quase todos os princípios da razão e do senso comum, tais como: “nós somos o governo” ou “nós somos o estado”. O termo coletivo útil “nós” permite lançar uma camuflagem ideológica sobre a realidade da vida política.

 

Se “nós somos o estado” então qualquer coisa que o estado faça a um indivíduo é não somente justo e não-tirânico mas também “voluntário” da parte do respetivo indivíduo. Se o estado incorre numa dívida pública que tem que ser paga através da cobrança de impostos a um grupo para benefício de outro, a realidade deste fardo é obscurecida pela afirmação de que “devemo-lo a nós mesmos” (ou “a nossa dívida tem que ser paga”); se o estado recruta um homem, ou o põe na prisão por opinião dissidente, então ele está a “fazê-lo a si mesmo” e, como tal, não ocorreu nada de lamentável.

 

Nesta mesma linha de raciocínio, quaisquer judeus assassinados pelo governo nazi não foram mortos; pelo contrário, devem ter “cometido suicídio”, uma vez que eles eram o governo (que foi eleito democraticamente) e, como tal, qualquer coisa que o governo lhes tenha feito foi voluntário da sua parte. Não seria necessário insistir mais neste ponto, no entanto a esmagadora maioria das pessoas aceita esta ideia enganosa em maior ou menor grau.

 

Devemos, portanto, enfatizar a ideia de que “nós” não somos o estado; o governo não somos “nós”. O estado não “representa” de nenhuma forma concreta a maioria das pessoas. Mas, mesmo que o fizesse, mesmo que 70 por cento das pessoas decidissem assassinar os restantes 30 por cento, isso seria ainda assim um assassinato e não o suicídio voluntário por parte da minoria chacinada. Não deve ser permitido que nenhuma metáfora organicista, nenhuma banalidade irrelevante, obscureça este facto essencial.

 

Não é o objetivo deste trabalho desenvolver sobre os inúmeros problemas e enganos da “democracia”. Suficiente será dizer que o verdadeiro agente de um indivíduo, ou “representante”, está sempre sujeito às ordens desse mesmo indivíduo, pode ser demitido a qualquer momento e não pode agir em contrário aos interesses ou desejos do seu chefe. Obviamente, o “representante” numa democracia nunca poderá satisfazer estas funções de agente, as únicas conformes com uma sociedade livre.

 

Os democratas sociais respondem muitas vezes que a democracia – a escolha maioritária dos governantes – implica logicamente que a maioria tem que deixar determinado grau de liberdade à minoria pois a minoria pode um dia tornar-se a maioria. Aparte de outras falhas, este argumento obviamente não se mantém onde a minoria não se pode tornar a maioria, por exemplo, quando a minoria pertence a um grupo étnico ou racial diferente da maioria.

 

Se, então, o estado não somos “nós”, se não é um encontro da “família humana” para decidir sobre os problemas mútuos, se não é uma reunião fraterna ou clube social, o que é afinal?

 

Em poucas palavras, o estado é a organização na sociedade que visa manter o monopólio do uso da força e da violência numa determinada área territorial; em específico, é a única organização na sociedade que obtém a sua receita não pela contribuição voluntária ou pelo pagamento de serviços fornecidos mas através da coerção.

 

Enquanto os outros indivíduos ou instituições obtêm o seu rendimento através da produção de bens e serviços e da venda voluntária e pacífica desses bens e serviços ao próximo, o estado obtém o seu rendimento através do uso da compulsão; isto é, pelo uso e a ameaça de prisão e uso das armas.

 

Depois de usar a força e a violência para obter a sua receita, o estado passa geralmente a regular e a ditar as outras ações dos seus súbditos. Poderíamos pensar que a simples observação de todos os estados através da história e por todo o globo seria prova suficiente para esta afirmação; mas o miasma do mito tem estado presente na atividade do estado desde há tanto tempo que se torna necessária uma elaboração.

 

A fricção e o antagonismo entre a esfera privada e a pública foi intensificada uma vez que o estado tem vivido do rendimento que tem sido produzido na esfera privada com propósitos privados e que tem que ser desviado desses propósitos através da força política.

 

A teoria que interpreta os impostos em analogia à joia de um clube ou à aquisição do serviço de, digamos, um médico só prova quão removida se encontra esta parte das ciências sociais dos hábitos mentais científicos.

 

 

 

O Que O Estado É

 

 

O ser humano nasce nu neste mundo e precisa de usar a sua mente para aprender como obter os recursos existentes na natureza e os transformar (por exemplo, através do investimento em “capital”) em formas e feitios e locais onde os recursos possam ser utilizados para a satisfação das suas necessidades e para a melhoria do seu nível de vida.

 

A única forma através da qual o ser humano pode fazer isto é através do uso da sua mente e energia para transformar os recursos (“produção”) e da troca destes produtos por produtos criados pelos outros.

 

O ser humano descobriu que, através do processo de troca mútua e voluntária (comércio), a produtividade e, logo, o nível de vida de todos os participantes na troca pode aumentar significativamente.

 

Portanto, o único caminho “natural” para o ser humano sobreviver e alcançar a prosperidade é o uso da sua mente e energia para se envolver no processo de produção-e-troca.

 

Ele realiza isto encontrando, primeiro, recursos naturais, e depois transformando-os (“misturando-os com o seu trabalho”, tal como disse Locke), fazendo deles a sua propriedade individual, e depois trocando esta propriedade pela propriedade de outros obtida de forma semelhante.

 

O caminho social ditado pelas exigências da natureza humana, portanto, é o caminho dos “direitos de propriedade” e do “mercado livre” de dádivas ou trocas de tais direitos. Através desse caminho, o ser humano aprendeu como evitar os métodos “selvagens” da luta pelos recursos escassos de forma que A pudesse apenas adquiri-los às custas de B e, pelo contrário, multiplicar imensamente esses recursos através do processo harmonioso e pacífico da produção e troca.

 

O grande sociologista alemão Franz Oppenheimer apontou para o facto de que existem duas formas mutuamente exclusivas de adquirir riqueza; a uma, a forma referida acima, de produção e troca, ele chamou de “meio económico”. A outra forma é mais simples na medida em que não requer produtividade; é a forma em que se confisca os bens e serviços do outro através do uso da força e da violência. É o método do confisco unilateral, do roubo da propriedade dos outros.

 

A este método Oppenheimer designou “o meio político” de aquisição de riqueza.

 

 

Deve ficar claro que o uso pacífico da razão e da energia na produção é o caminho “natural” para o homem: são os meios próprios ao ser humano para a sua sobrevivência e prosperidade nesta terra. Deve ficar igualmente claro que o meio coercivo, explorador, é contrário à lei natural;   é parasítico, pois em vez de adicionar à produção, apenas subtrai.

 

 

O “meio político” canaliza a produção para um indivíduo ou grupo parasita e destrutivo; e esta canalização não só subtrai da quantidade produzida mas reduz também o incentivo do produtor para produzir para lá da sua própria subsistência.

 

A longo prazo, o ladrão destrói a sua própria subsistência através da diminuição ou eliminação da fonte do seu próprio abastecimento. Mas não só isso; até a curto prazo, o predador está a atuar contrariamente à sua natureza como ser humano.

 

Estamos agora numa posição que nos permite responder mais satisfatoriamente à questão: o que é o estado?

 

O estado, nas palavras de Oppenheimer, é “a organização dos meios políticos”;     é a sistematização do processo de depredação sobre um determinado território.

 

Franz Oppenheimer, The State (New York: Vanguard Press, 1926) p. 24-27:

 

 

Existem duas formas fundamentalmente opostas através das quais o homem, em necessidade, é impelido a obter os meios necessários para a satisfação dos seus desejos. São elas o trabalho e o furto, o próprio trabalho e a apropriação forçosa do trabalho dos outros…

 

Eu proponho, na discussão que se segue, chamar ao trabalho próprio e à equivalente troca do trabalho próprio pelo trabalho dos outros, de “meio económico” para a satisfação das necessidades enquanto a apropriação unilateral do trabalho dos outros será chamada de “meio político”…

 

O estado é a organização dos meios políticos. Como tal, nenhum estado pode existir enquanto os meios económicos não criaram um definido número de objetos para a satisfação das necessidades, objetos que são passíveis de ser levados ou apropriados por roubo bélico.

 

Albert Jay Nock escreve de forma clara que: o estado reivindica e exercita o monopólio do crime… Ele proíbe o homicídio privado mas ele mesmo organiza o assassínio numa escala colossal. Ele pune o roubo privado mas ele próprio deita as suas mãos sem escrúpulos a tudo o que ele quer, seja propriedade dos seus cidadãos seja de estrangeiros.

 

 

O que é, então, o estado como conceito sociológico?

 

O estado, na sua verdadeira génese, é uma instituição social forçada por um grupo de homens vitoriosos sobre um grupo vencido, com o propósito singular de domínio do grupo vencido pelo grupo de homens que os venceram, assegurando-se contra a revolta interna e de ataques externos. Teleologicamente, este domínio não possuía qualquer outro propósito senão o da exploração económica dos vencidos pelos vencedores.

 

 

E de Jouvenel escreveu: “o estado é na sua essência o resultado dos sucessos alcançados por um grupo de bandidos que se impôs a uma sociedade gentil e pacífica”. Bertrand de Jouvenel, On Power (New York: Viking Press, 1949) p.100-101.

 

 

Pois o crime, no máximo, é esporádico e incerto; o parasitismo é efémero e a ligação parasita, coerciva, pode ser cortada a qualquer momento através da resistência das vítimas.

 

O estado, no entanto, providencia um canal legal, ordeiro e sistemático para a depredação da propriedade privada; ele torna certa, segura e relativamente “pacífica” a linha-de-vida da casta parasita na sociedade.

 

Uma vez que a produção tem sempre que preceder a depredação, o mercado livre é anterior ao estado. O estado nunca foi criado por um “contracto social”; nasceu sempre da conquista e da exploração.

 

 

O paradigma clássico é o de uma tribo conquistadora que faz um interregno no seu método, testado e validado pelo tempo, de saque e assassínio das tribos conquistadas, e que se apercebe que a duração do saque seria mais longa e segura, e a situação mais agradável, se à tribo conquistada fosse permitido continuar a viver e a produzir, e nela se instalassem os conquistadores como governantes exigindo um tributo anual constante.

 

Um dos métodos do nascimento de um estado pode ser ilustrado como se segue: nas colinas da “Ruritânia do Sul” um grupo de bandidos organiza-se de modo a obter o controlo físico de um determinado território e, finalmente, o chefe dos bandidos autoproclama-se “Rei do estado soberano e independente da Ruritânia do Sul”;       e, se ele e os seus homens tiverem a força para manter este domínio durante o tempo suficiente, é admirável!, um novo estado junta-se à “família das nações” e os anteriores líderes dos bandidos transformam-se na nobreza legítima do reino.

 

 

 

[…..]

 

 

…”

 

…………………

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