segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

SOU KEYNESIANISTA (parte 1)

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Não há grande volta a dar este problema,
somos pequenos e a precisar de carinho da “mãe”;

 

E a mãe também não é grande, esforça-se muito mas parece que nos últimos vinte anos tem dirigido mal o seu domínio e os negócios de família.

 

O Estado Português tem de interferir na gestão do negócio chamado Portugal por duas razões principais:  

1.   Porque será a única maneira viável de proteger e viabilizar politicamente o capitalismo tornando-o económica e socialmente produtivo e gerador de riqueza;  e,

2.   Porque o Estado deve ser o principal gestor da riqueza organizacional acumulada e da capacidade de criar riqueza de acordo com as suas prioridades e as valências preferenciais considerando os condicionamentos (impostos do exterior) e as limitações (geradas no interior).

 

Segundo a doutrina de John Maynard Keynes (numa leitura “muito resumida”) será preferencial que o Estado se socorra do crédito externo do que do financiamento interior gerado pela “conscrição” dos rendimentos dos cidadãos (“impostos”), porque por essa via estará a duplicar a vertente recessiva da crise ao retirar poder de compra e, portanto, liquidez ao mercado interno e ao consumo (o que também se concretiza em aumento do desemprego e instabilidade política e económica).

 

[….]

 

Naturalmente que esta versão político-económica de Gestão da Crise é polémica e (provavelmente) ignora as circunstâncias de momento que estão na origem e a montante da crise, como sendo um excesso exagerado de financiamento externo ao ponto da situação se ter arrastado para um “nível de envolvimento de rotura”;

E este país, para além de uma crise política difícil, atingiu a “meta” do abismo económico pela falta de solvência financeira corrente.

 

[….]

 

Claro que há outras teorias económicas (Milton Friedman com o “Liberalismo Económico, Libertarianismo e Anarco-Capitalismo”, e  Ludwig von Mises com a “Liberdade Económica, ou Liberalismo Clássico”) mas nenhumas delas parece ter respostas prontas para resolver uma crise económica como a que atingiu países como Portugal, a Irlanda, a Grécia e a Espanha (“PIGS”);

 

No entanto, o FMI continua a apresentar “receitas de gestão” e de controlo do sistema financeiro em linha com os padrões previstos pelo economista americano Milton Friedman…

 

E sobre esta temática há a considerar um pequeno pormenor que parece substantivo e que esteve na origem direta da situação atual da economia portuguesa – melhoria significativa do endividamento público através do controlo do pagamento da dívida, mas com uma estagnação grande e incontornável da economia interna pelo aumento exagerado da tributação dos contribuintes.

 

Ou seja, o FMI tem imposto um conjunto de medidas estruturais para a economia com vista a recuperar a sua saúde financeira (presumivelmente com uma inspiração em linha com princípios doutrinários previstos por Milton Friedman), mas o Estado Português (ao revés) tem adotado um conjunto de princípios regulamentares para a sua economia que estarão em linha com o intervencionismo no sistema financeiro tecnicamente previsto por Keynes, embora em desacordo “total” com o seu princípio doutrinário de raíz;

 

Portanto, embora este processo (de saída da crise) esteja a ser financiado pelo FMI e pela União Europeia, o Estado Português tem adotado um conjunto de medidas políticas que se afastam da linha estrutural prevista por aquelas duas ONG internacionais, situação positiva ao nível da independência política e estratégica de Portugal no mundo (com consequências salutares para o futuro do nosso país e do seu sistema financeiro nomeadamente ao nível da detenção da “propriedade” dos setores da atividade económica),
mas com uma conduta política interior lesiva da propriedade privada das pessoas que são os cidadãos.

(situação lamentável, naturalmente, que não está em linha com nada e muito menos com John Maynard Keynes)

 

[….]

 

As funções do Estado.

 

Segurança, Defesa e Justiça são funções estruturais de base que servem de sustentação ao regime político (seja ele qual for) e ao próprio Estado,
e serão como que o “Esqueleto” de todo o sistema político, económico, social e estratégico do país.

 

Com naturalidade também são os principais objetivos estratégicos dos negócios especulativos e dos interesses privados desestruturados com os interesses do Estado para criação rápida, eficiente e eficaz de riqueza à revelia dos interesses dos portugueses.

 

Tudo o “restante” é “Massa Muscular” e/ou gordura adiposa, que em caso extremo assume o perfil de “Aterosclerose” do “sistema vascular” (financeiro) com consequências imprevisíveis (!!…).

 

Educação, Saúde e Segurança Social são funções sociais próprias e específicas ao famoso “Estado Social”, e também são próprias a Estados com riqueza disponível;

 

Ou melhor,
Estados com capacidade real de empenhar e gerar riqueza política e social sob o formato de investimento na sociedade e nas pessoas que são os cidadãos fisiológicos da sua Pátria.

 

Todos os restantes ministérios são formatos de tutela do Governo no aparelho do Estado e de tutela nos setores da atividade económica.

(com mais ou com menos intervencionismo Keynesianista)

 

[….]

 

Em anexo, e para os curiosos, apresenta-se um texto alusivo à “grande crise económica e financeira de 1920-29”, que em tudo foi muito semelhante à dimensão da crise recente nos EUA e na União Europeia, resolvida com recurso a mecanismos económicos referenciados como próximos das doutrinas de John Maynard Keynes.

 

 

§§§§ / §§§§

 

ANEXO – LEITURA BIBLIOGRÁFICA:

 

………………..

 

“…

de:


 



New Deal, Keynes e a Crise de 1929

 


 

O enredo de uma catástrofe – discurso introdutório

 

 

É inegável a importância das ideias de Keynes para teoria econômica do século XX. Muito do que aconteceu entre o fim da Segunda Guerra Mundial até pelo menos o começo da crise do petróleo, em matéria de políticas econômicas estatais, deve-se ao princípio keynesiano de gastos públicos. Tanto os países do grupo dos desenvolvidos, quanto boa parte dos países que à época compunham o grupo do chamado Terceiro Mundo, com suas políticas desenvolvimentistas, executavam cada um a seu modo, a “cartilha” keynesiana. Keynes prescrevia o aumento dos gastos públicos via empréstimos, segundo ele, mais eficazes e preferíveis aos gastos financiados pela tributação (pois esta retirava aquilo que já tenderia a ser utilizado no consumo) com o objetivo claro de alcançar o estágio de pleno emprego.

 

Nesta premissa, estava clara a crítica de Keynes ao liberalismo clássico representado ainda, em grande parte pela Lei de Say. Mas também havia uma crítica à neutralidade da moeda; das ideias de Keynes depreende-se que a injeção ou retenção do volume de moeda lançada no mercado nem sempre tem efeito sobre a taxa de juros e que, portanto, em casos graves de recessão ou mesmo depressão, não surtiria nenhum efeito na criação de demanda.

 

Para Keynes, a moeda não era neutra, e como corolário, nem toda oferta criava sua demanda, pois havia sempre a possibilidade de vazamentos. Em momentos de crise, enfatizava ele, as pessoas com expectativa negativa tenderiam a preferir a liquidez. Em outras situações em que houvesse a expectativa de aumento de juros, os indivíduos optariam a não gastar sua renda, ou pelo menos, parte dela, para poupar e poder consumir futuramente em condições melhores, em que estariam somados os juros à renda poupada.

Assim, ter-se-ia um desaquecimento do consumo e, por seu lado, o empresário vendo tal cenário desanimador, mesmo com recursos a disposição (aumento no volume de poupança devido aos juros altos) tenderia a conter os investimentos, que por seu turno afetaria a criação de empregos futuros e poderia iniciar um círculo vicioso sem solução automática pelo mercado. Mas, pela lei do equilíbrio automático de mercado de Say não havia solução a este problema, simplesmente porque este problema não existia dentro da lógica neoclássica.

 

 

É neste ponto que entra um fato importante que vai destruir esta lógica e atordoar até mesmos os neoclássicos menos ortodoxos: a realidade em seu auge avassalador encenado no seu mais alto grau de dramaticidade no dia 24 de outubro de 1929, a chamada quinta-feira negra que deu início a Crise de 1929, uma das maiores tragédias da história contemporânea, excetuando-se as guerras, é talvez de longe a maior de todas.

 

Podemos até imaginar economistas correndo de um lado para outro, desesperados, refazendos cálculos, abrindo e fechando livros, perguntando “por quê?” “Por quê?” “Ó Mercado, por que me abandonaste?” Mas podemos imaginar outro grupo de economistas rindo à toa, um sorriso bem vermelho, diga-se de passagem. E ainda podemos vislumbrar outros, menos afeitos aos dogmatismos e mais preparados para soluções heterodoxas. Neste grupo, certamente estava Keynes, que talvez fosse quem melhor aproveitou as chances de sua época e soube como ninguém traduzir as causas dos problemas e prescrever os melhores remédios para salvar o sistema; claro, não nos esqueçamos, ao contrário de alguns que riam compulsivamente das desgraças subconsumistas ocidentais, Keynes queria salvar o capitalismo. Nessa perspectiva, a relação entre as ideias de Keynes e a Crise de 1929 e suas consequências, talvez seja uma boa chave de análise do pensamento keynesiano.

 

Abordar a relação entre Keynes e sua época marcada pela crise de 1929, que ele tão bem desvendou e compreendeu, nos fará entender melhor suas contribuições, em grande parte, compostas de soluções encontradas por ele para combater a crise. Além disso, poderemos mensurar melhor o que a experiência da Crise lhe proporcionou em termos de desafios e o que ele, Keynes, por sua vez contribui em termos de resoluções. Enfim, o objetivo desta proposição temática é elucidar melhor as contribuições keynesianas na reformulação das políticas liberais do século XX, que a nosso ver, se constituíram como repostas aos desafios impostos pela Crise de 1929.

 

 


Em Resposta à Crise de 1929: New Deal e “Teoria de Geral...” de Keynes

 

Quando lemos ou ouvimos falar de New Deal, o nome de Keynes mais cedo ou mais tarde também aparece. A questão que levantaremos é, qual seria a real contribuição de Keynes na resolução da crise capitalista da década de 1920? A razão de colocarmos esta questão se desdobra em dois motivos principais: o primeiro estabelecer o mais claramente possível a relação entre Keynes e sua época; segundo, cumprir o principal objetivo desse trabalho que é descrever as contribuições keynesianas.

 

Evidentemente, entendemos que suas contribuições serão mais bem explicitadas se estiverem apoiadas nos acontecimentos que as motivaram, ou seja, os problemas que se apresentavam a Keynes e a todos os mortais dos países capitalistas no período.

 

Dito isso, partiremos da seguinte constatação: o New Deal antecede a principal obra de Keynes: a “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, o que isso pode significar? Que a contribuição de Keynes ao pacto criado por Franklin. D. Roosevelt é supervalorizada? Ou que é importante levarmos em conta as ideias de Keynes que ainda não tinham sido concretizadas em livro, mas que já circulavam entre seus alunos e interlocutores de forma geral, além de artigos que ele escrevia e, talvez, principalmente, a sua obra que antecedeu a “Teoria Geral”, a “Treatise on Money” de 1930?

 

Ficaremos com a segunda hipótese, mas teremos que enfrentar alguns problemas: não dispomos de tempo e nem das principais fontes que propiciaria esta pesquisa, pois teríamos que avaliar quanto na obra que antecede a “Teoria Geral” e nos possíveis artigos anteriores ao New Deal já estariam implícitos ou explícitos as ideias keynesianas que contestavam a crença na mão invisível do mercado, a crítica à neutralidade da moeda e a tese de um Estado intervencionista para criar demandas.

 

Adotaremos então a seguinte tática: lançaremos mão de alguns comentadores que, apesar de terem outros objetivos em vista, serão úteis ao nosso propósito: de confirmar a nossa hipótese inicial, que pode ser assim melhor formulada:

 

• A de que Keynes contribuiu para a elaboração do New Deal de forma indireta, através da “escola” que se formou em volta dele e não através de sua principal obra que só veio a sair do “forno” em 1936.

 

Seguindo o caminho aberto por nossa problematização, chegamos a um ponto esclarecedor que confirma a participação de interlocutores de Keynes no governo de Franklin D. Roosevelt. Este ponto se encontra numa passagem do livro de Galbraith, importante economista canadense e assessor econômico de diversos presidentes dos Estados Unidos, inclusive, Franklin Delano Roosevelt, à época do New Deal. Em seu livro de memória, traduzido no Brasil com o título: “Contando Vantagem” ele escreve:

 

"Lauchlin Currie, meu colega canadense, economista brilhante e um antigo discípulo de John Maynard Keynes, cuja obra de certo modo antecipara [sic], foi o primeiro assim chamado consultor econômico destacado para a Casa Branca. Em certa ocasião sobre a qual me contou mais tarde, foi chamado a Warm Springs para atualizar o presidente quanto à perspectiva econômica e a ação necessária, mas só pôde fazê-lo no trem de volta a Washington. Havia trazido documentos e tabelas, os quais enfileirou diante do presidente. Após um relance em cada um, Roosevelt voltou-se em silêncio para a janela". (GALBRAITH. Contando Vantagem, pp. 22-3).

 

O relato continua, mas para os nossos objetivos é suficiente, pois constata que havia pelo menos um economista keynesiano, “discípulo”, nas palavras de Galbraith, assessorando o presidente Roosevelt na implantação dos vários planos de intervenção em que se constituiu o New Deal. Mas, o que seria uma evidência de que as ideias posteriormente atribuídas originalmente a Keynes teriam, sim, feito parte da elaboração do novo acordo econômico nos EUA, se tornou um inconveniente à nossa hipótese inicial.

 

Segundo o relato de Galbraith, seu colega Currie teria antecipado a obra de Keynes, pois veja: ”discípulo de Keynes, cuja obra de certo modo antecipara”, se não for erro de tradução, Galbraith está, no mínimo, sugerindo que as ideias atribuídas a Keynes já estavam em circulação antes dele elaborá-las em sua obra principal em 1936. E mais, estaria Galbraith querendo dizer que um discípulo de Keynes antecipou sua obra com a prática histórica efetiva, em sua assessoria ao presidente Roosevelt? Que ele, o discípulo, realizou as ideias keynesianas antes de Keynes a publicá-las?

 

Assim, na primeira tentativa de confirmarmos a influência indireta de Keynes sobre a formulação do New Deal, já nos vimos obrigados a fazer algumas ressalvas a nossa hipótese inicial:

 

• A de que as ideias atribuídas posteriormente a Keynes já estavam circulando na atmosfera político-econômica do período, talvez, para além do próprio ambiente que cercava Keynes;

 

• E que, talvez, Keynes tenha tão somente, o que não é pouco, mas evidentemente menor do que pensávamos, sintetizado e melhor respondido aos problemas de sua época já num momento em que os EUA fazia nítidos progressos de superação da crise.

 

Sob este novo aspeto, o problema da relação entre Keynes e o New Deal nos parece mais adequado. Pelo menos é o que nos leva a entender a passagem da introdução da “Teoria Geral” de Keynes que foi publicada no Brasil:

 

"A sua primeira tentativa de superar a teoria clássica [neoclássicos] resulta na publicação de A Treatise on Money em 1930. Infelizmente foi uma tentativa frustrada. Ainda que não tenha encontrado uma explicação analítica para o problema do desemprego, nesse livro Keynes reafirma seu prestígio profissional como conhecedor dos intrincados problemas monetários da economia capitalista". (KEYNES. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. pp. 9-10.).

 

Adroaldo Moura, na introdução à “Teoria Geral”, revela que as avaliações críticas que Keynes recebeu acerca desta obra foram importantes na formulação de suas teses seguintes: “Essas avaliações críticas imediatamente induzem Keynes a tentar uma nova explicação. Do trabalho que se segue entre 1930 e 1935, resulta a publicação da Teoria Geral em 1936”. (Ibidem. p. 10). O que reforça a nossa nova hipótese, de que as ideias basilares do New Deal que aparecerão mais claramente formuladas na “Teoria Geral” já estavam circulando nos grandes centros de saber, como Cambridge, universidade que Keynes estava vinculado.

 

Isso, pelo menos em princípio, nos propõe uma questão filosófica de fundo: as ideias não têm dono, isto é, as ideias e teorias constituem partes de discursos difusos que atravessam vários e diferentes interlocutores e que, só posteriormente, já na produção de uma síntese sobre os acontecimentos passados e na tentativa de explicá-los, é que arbitrariamente se atribuem autores às ideias que traduziram melhor determinado momento histórico. Foi isso que talvez tenha ocorrido com Keynes que ficou para posteridade como criador intelectual do New Deal.

 

Portanto, com certa razoabilidade podemos afirmar que Keynes não é o “autor” do New Deal, este foi uma obra coletiva, cuja participação de alguns autores é conhecida, como a de Franklin Delano Roosevelt e de Galbraith, a outra parte, a grande maioria, é composta de anônimos que foram responsáveis pela elaboração, efetivação e fiscalização dos planos de intervenção na economia estadunidense que culminou com sua posterior recuperação. Keynes foi um importante interlocutor das ideias que tomariam forma mais claras em 1936, na “Teoria Geral”, que se constitui a melhor tradução dos problemas de sua época.

 

 

…”

 

………………..

 

 

 

 

 

 

 

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