quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A CARBONÁRIA PORTUGUESA, SOCIEDADE SECRETA DE NATUREZA ESSENCIALMENTE POLÍTICA, ASSOCIAÇÃO PARALELA À MAÇONARIA (upgrade 2)

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“Sociedade secreta essencialmente política, adversa do clericalismo e das congregações religiosas, tendo por objetivo as conquistas da liberdade e a perfectibilidade humana, impunha aos seus filiados “possuírem ocultamente uma arma com os competentes cartuchos”. Contribuía direta e indiretamente para a educação popular e assistência aos desvalidos.”



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Naturalmente que o Povo Português conhece a história verdadeira existente para além “do muro” das versões clubísticas da política portuguesa (…).


Por exemplo, saberemos todos que o maior inimigo da Democracia e do Estado de Direito em Portugal chama-se “1ª República”,


ainda, por enquanto, o único regime político proclamado com a identidade e o estatuto político de “República” neste país.



(…)



Por redução ao absurdo, a maior prova e justificação da afirmação de que “Esta República” é inimiga mortal da Democracia e do Estado de Direito será a constatação do Ódio Natural que nutre pelo Estado Novo;



Estado Policial por natureza das circunstâncias políticas mas também “teatrais”, violento e brutal, que sonegou a liberdade e os direitos fundamentais de cidadania política aos portugueses, o Estado Novo também se caracterizou pelo culto de “Virtudes Especiais” – Deus, Pátria e Família, Lei, Ordem, Obediência e Lealdade ao Estado, e Organização Militar da Nação.



Portanto, julga-se que residirá naquelas “circunstâncias especiais” de organização política da Nação a razão principal do ódio violento e visceral que os republicanos (da 1ª República) nutriam (e nutrem) pelo “Estado Novo”,

como tem sido exemplarmente “retratado” pela nossa história e como podemos constatar todos os dias políticos da nossa vida.



(…)


Qual poderá ser, então, a razão primordial de tamanhos e solenes festejos (contemporâneos), verdadeiro jubileu de natureza e alcance político, consagrados pelo órgãos do poder político instalados no regime como uma Cerimónia de Estado ao mais alto nível ??


Pessoalmente, penso que numa realidade racional ninguém conseguirá compreender muito bem estas circunstâncias políticas,

e muito em particular, quando se comemora e exulta (como cerimónia interior ao povo português) a apologia da Anarquia e do Caos Político;



Ao mesmo tempo que algumas personagens com responsabilidades políticas e sociais lamentam o “Estado de Desordem a que a democracia chegou em Portugal…”, e convidam a autoridade legítima do Estado a tomar as medidas necessárias e suficientes para debelar “esta situação política”.
(…)



Claro que também saberemos “todos” (e percebemos as respectivas circunstâncias políticas) que quem paga o recibo (“em dinheiro vivo”) de todo este equívoco político chama-se povo português;

E temos consciência exacta de que a autoria, a culpa e a responsabilidade política e moral “desta situação” só poderá ser assacada (por aclamação na “modesta” opinião dos Republicanos) à Democracia e ao Regime Político do Estado de Direito.

(que Eles defendem de forma fervorosa e devotada como Cardeais Honorários do respectivo “sistema político”)



(…)



E talvez mais uma sugestão (descabida de sentido) em tempo “fora de horas de agenda política”,

que se festeje no “Carnaval” e no “5 de Outubro” a Democracia e o Estado de Direito, porque dessa forma poderíamos festejar todos (pelo menos isso e com algum rigor matemático) a Nação e o povo português.



E dessa maneira, em vez do efeito colateral do Baile de Máscaras da República Portuguesa poderíamos contribuir decisivamente para o progresso e modernização do aparelho político do Estado, para a implementação de um Regime Político sólido, estável e coerente com os princípios políticos de uma democracia de um Estado da Europa Ocidental.

(…)



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ANEXO – ILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:



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“…
de:







A Fundação e Reorganização


Fundada entre finais de 1898 e seguramente antes de 1900 é Luz de Almeida quem nos dá uma perspectiva de como as coisas se passaram, assim as quatro Lojas que pertenciam à Maçonaria Académica, a saber, "Independência", "Justiça", "Pátria" e "Futuro", passaram a Choças sendo os seus membros divididos em grupos de vinte, cada um desses grupos, ou Choças adotou um título da sua livre escolha.


Neste processo criaram-se vinte Choças sendo que cada um dos grupos elegeu o seu Presidente, e cada um destes formava com os restantes uma Alta-Venda provisória, que era uma espécie de "Parlamento Carbonário" que na inauguração dos seus trabalhos elegeu um "Bom Primo" a quem conferiu plenos poderes para que secretamente escolhesse entre os membros daquela entidade, quatro outros "Bons Primos" que conjuntamente com este formariam a "Suprema Alta-Venda".

Numa das primeiras sessões da "Alta-Venda provisória", realizada num primeiro andar desabitado posto à disposição pelo republicano Silva Fernandes, foi apresentada a proposta para serem admitidos elementos populares na Carbonária Portuguesa, embora sendo a aprovada a proposta há um sector que se opõe militantemente a esta e que defendiam a vinculação exclusiva da organização a académicos; liderados por José Maria Furtado de Mendonça abandonam a organização.

Os primeiros populares iniciados foram-no na sede provisória da Carbonária Portuguesa, sendo quase todos operários, foram distribuídos pelas Choças que tinham ficado incompletas com a saída de bastantes académicos, sendo que a primeira Choça composta exclusivamente por operários foi registada com o nome de "República".

Dá-se um rápido crescimento destas e de outras Choças, sendo que depois da primeira apareceram muitas mais das quais destaco, a "Amigos da Verdade" (da qual era presidente António Francisco Gonçalves), a "Sentinela dos Bosques" (liderada por Ferreira Manso), a "Defensores da Pátria" (presidida por Silva Dinis), a "Progresso" (dirigida por Carlos Pinto Furtado da Luz) e "Termidor" (encabeçada por Vicente de Almeida Freire).

Durante este processo de crescimento a "Alta-Venda provisória" foi dissolvida tal como a "Suprema Alta-Venda" sendo que os membros desta ultima passaram para uma nova Alta-Venda que ficou a ser o corpo dirigente da Carbonária Portuguesa, a este pertenciam Luz de Almeida, como Presidente, José Maria Cordeiro, Ivo Salgueiro, José Soares e Silva Fernandes (que era o único não académico).

Organização, Graus e Simbolismo


Segundo o seu ritual de iniciação publicado pelo ABC:

_ É terminantemente proibido pertencer a qualquer outra organização política de carácter mais ou menos secreto, salvo à Maçonaria; citar nomes de consócios, indicar casas onde se efetivam as reuniões ou as iniciações e a maneira como estas são feitas; ensinar as palavras da Ordem e divulgar a estranhos e aos próprios filiados o que se passa na Associação. É igualmente proibido dar-se a conhecer - sem motivo de força maior - a qualquer membro da Carbonária.'



A pena prevista para o iniciado que não cumpria estes preceitos era o afastamento e em casos graves a morte.
Há quatro graus na Carbonária que são respetivamente Rachador, Aspirante, Mestre e Mestre Sublime.



Os filiados tratam-se por Primos e tratam-se por tu nas sessões, havendo entre eles sinais de reconhecimento e palavras especiais.
Compõe-se a associação das diferentes secções que tinham as seguintes denominações

• Vedetas, um ou dois carbonários em pequenas terras de província, aldeias e lugares onde se torna impossível constituir núcleos;

• Canteiros, núcleos que eram compostos por cinco Bons Primos, os Rachadores que se conheciam a todos, não conhecendo os membros da Carbonária Portuguesa mais do que estes cinco homens como membros da organização (pois nos outros órgãos apresentavam-se sempre todos de capuz tendencialmente negro ou com a cara mascarrada de carvão), o que tornava assim difícil a descoberta dos chefes, os quais todavia conheciam os seus homens;

• Choças que eram compostas normalmente por cerca vinte Bons Primos, tinham três graus, Rachadores e Carvoeiros e eram presididos por um carbonário decorado com o grau terceiro de Mestre, sendo o seu chefe designado como Mestre da Choça. Esta agregava, coordenava e governava assim os Canteiros representadas por todos os seus Bons Primos e era assim a base da organização sendo que nesta estrutura é que se efetuavam as iniciações e receções dos seus membros;

Barracas que eram constituídas idealmente por cinco Mestres que presidiam às Choças e que nesta tinham o nome de Mestre de Barraca.

Esta agregava, coordenava e governava assim as cinco Choças, representadas pelos Mestres de Choça, tendo sob as suas ordens cerca de cem Bons Primos. O seu chefe era o Mestre da Venda;

Vendas eram compostas idealmente por cinco Mestres que presidiam às Barracas e que nesta tinham o nome de Mestre de Venda. Esta agregava, coordenava e governava assim as cinco Barracas, representadas pelos Mestres da Barraca, tendo sob as suas ordens cerca de quinhentos Bons Primos. O seu Chefe era o Mestre da Venda e poderia ou não pertencer à Venda Jovem-Portugal;

Conselho Florestal órgão provisório que se reunia ocasionalmente e foi em determinados períodos um órgão importante e de legitimação de várias reformas internas desta organização;

• Venda Jovem-Portugal é uma secção tradicional onde se concentrou durante anos a Ação Secreta e se manteve o prestígio e bom nome da Carbonária Portuguesa. Era perfeitamente invisível e os seus membros não se conheciam uns aos outros. Era o órgão supremo da Carbonária Portuguesa, que se reunia quando era preciso tomar decisões importantes como alterações e reformas na estrutura interna, eleger ou exonerar o seu Grão-Mestre e depor a Alta-Venda ou tomar linhas de ação e de rumo importantes no respeitante à ação revolucionária. O seu Presidente honorário era o Grão-Mestre que era o único dos seus membros que comunicava com a Alta-Venda e que assistia a todas as sessões deste órgão;

Tribunal Secreto órgão jurisdicional da organização;



• Alta-Venda era composta pelo Grão-Mestre eleito na Venda Jovem-Portugal e mais quatro Bons Primos nomeados e escolhidos por este de entre os membros da Carbonária Portuguesa. Os nomes eram secretos até para a Venda Jovem-Portugal sendo um órgão com membros invisíveis até para estes. Este era o órgão de gestão da Carbonária Portuguesa e o seu pólo dinamizador principal.



Para além da estrutura civil acima descrita, havia em paralelo uma outra organização dentro dos militares, essa ramificação teria uma estrutura similar em termos da organização acima descrita mas os seus membros eram iniciados de uma maneira especial, provavelmente mais simples.
O simbolismo da Carbonária Portuguesa, era vasto, dos mais importantes símbolos destacamos:

Estrela de Cinco Pontas, que encima o Globo Terrestre, representa a figura máscula dum Bom Primo, de pé, com as pernas afastadas, os braços abertos e a cabeça erguida, como que a dizer: “Pronto sempre para a luta contra todas as tiranias”;



Os três pontinhos, dispostos em forma triangular com o vértice na parte inferior, '.' .

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de:




Carbonária




Como em quase toda a parte, também em Portugal a Carbonária foi muitas vezes uma associação paralela à Maçonaria (embora nem todos os maçons fossem carbonários).


"Sociedade secreta essencialmente política", adversa do clericalismo e das congregações religiosas, tendo por objetivo as conquistas da liberdade e a perfectibilidade humana, impunha aos seus filiados "possuírem ocultamente uma arma com os competentes cartuchos". Contribuía direta e indiretamente para a educação popular e assistência aos desvalidos.


"Tinha uma hierarquia própria, em certos aspetos semelhante à maçonaria, tratando os filiados por "primos". Os centros de reunião e aglomerações de associados chamavam-se, por ordem crescente de importância, "choças", "barracas" e "vendas".

A Carbonária Portuguesa, à qual pertenceram pessoas da mais elevada categoria social, parece ter sido estabelecida em 1822 (ou 1823) "por oficiais italianos que procuravam, por meio de sociedades secretas, revolucionar toda a Europa Meridional".

Até 1864 a sua intervenção fez-se sentir em muitos momentos críticos da vida nacional, pois todos os partidários políticos possuíam a sua Carbonária. Depois de longo marasmo, desaparecem completamente.

A indignação nacional suscitada pelo afrontoso ultimato da Inglaterra (1890) e as desastrosas consequências da revolta de 31 de Janeiro de 1891, com o seu cortejo de prisões, deportações e perseguições de toda a espécie, arrastaram a mocidade académica para as sociedades secretas.

Mas foi em 1896 que surgiu a última Carbonária portuguesa, sendo completamente diferente das anteriores : diferente organização, ritual e até processos de combater. Foi seu fundador o grão-mestre Artur Duarte Luz de Almeida.

A sua influência exerceu-se de maneira intensiva em quase todos os acontecimentos de carácter político e social ocorridos no País, nomeadamente naqueles que tinham em vista defender as liberdades públicas ameaçadas e combater o congreganismo e os abusos do clero.

Tendo participado grandemente nos preparativos do movimento revolucionário de 28 de Janeiro de 1908, que abortou, a sua ação tornou-se depois decisiva para a queda da Monarquia, mais acentuadamente a partir de 14 de Junho de 1910, quando, a propósito de apressar a revolução, em perigo pelo número crescente de civis presos e militares transferidos, a Maçonaria nomeou uma comissão de resistência encarregada de coadjuvar a implantação da República por uma colaboração mais ativa com a Carbonária.



A fragmentação do Partido Republicano, sobrevinda ao advento do novo regime político nacional, tornou inevitável a extinção da Carbonária portuguesa, tendo depois, até 1926, resultado infrutíferas todas as tentativas feitas para o seu ressurgimento.



( Dicionário de História de Portugal, 4 volumes, SERRÃO, Joel (ed.lit.), 1ªedição, Lisboa, Iniciativas Editoriais, volume I, 1963-1971, pp.481-2 )

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