terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O CONFLITO DE CULTURAS DO SÉCULO XXI - A CULTURA OCIDENTAL EM “LITÍGIO CRÍTICO” COM A CULTURA DOS MUNDOS ESCLAVAGISTAS (parte 3 - upgrade)

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Do que se trata é simples – Construir um País;
 
E com “Isso” será construir uma civilização melhor.
 
Haverá (de forma certa e segura) muitas teorias, mas todas parecem ter um mesmo problema em comum – serão inócuas, descrentes e vazias de conteúdo moral e de verdade política racional.

O tempo actual é marcado por novas “práticas operacionais” de políticas de contraste num processo corrente de combate ao regime político e ao “sistema democrático”.

(práticas emergentes de uma época de grandes mudanças de cenário em tempo recorde)

Hoje aposta-se tudo no conflito político contra os povos representados por “políticas de direito”, cuja adopção “voluntária” pela força das circunstâncias do “momento democrático” e numa versão de marinharia política que navega ao sabor do “vento que passa” pela Vela hasteada de serviço (tal qual estandarte da tribo dominante),

Através da adopção de práticas de conduta operacional que, para além de um logro, são um atentado aos mais elementares direitos de cidadania do cidadão comum, homem do seu tempo histórico que cresceu no seio de um povo de uma pátria política (e da política) aparentemente sem “Rei nem Roque”.

“Mas é o que temos” (…),
dirão os pessimistas na sua conformidade racional cúmplice de “criminosos da política” transvestidos de pessoas sérias (e respeitáveis políticos) que coçam a sua “barriga” construída em estaleiros de ideias respeitáveis e filosóficas, e “ideais” simples de aplicação pragmática, tudo num cerimonial de sucesso fácil premeditado e na senda de uma aclamação eclética plastificada;

E num formato de auto satisfação narcisista no seio de uma plêiade cultural germinativa (artificial mas segura).

Um problema grave que todos estamos interessados em resolver mas poucos o tratam como doença política e social de cariz epidemiológico, perigoso para o projecto político de Pátria e de Nação Portuguesa.

(…)
 

Enfim, conversas em “promoção” nos escaparates de uma escola de virtuosismo nacionalista (e patriótico), ingénuo mas eclético, profissional mas simplista, indiscutivelmente ambicioso mas fervorosamente leal nos princípios e na atitude institucional.

(…)

Conclui-se, olhando demoradamente para as “montras” disponíveis à leitura pública das suas mensagens cruciais,

que a Escravatura e a Cultura Esclavagista são o verdadeiro problema do nosso tempo político.


E, provavelmente, mais do que nunca em grandeza absoluta na história da humanidade pela razão simplista da natureza deste problema respeitar à “Sobrevivência do Homem” neste seu planeta cientificamente comprovado como limitado de condições naturais e (dessa forma) finito.
Pode concluir-se, de facto, que esta problemática aparentemente (apenas) filosófica é muito mais complexa do que aquilo que uma simples escrita pode transparecer - é (exactamente) um problema de sobrevivência da espécie humana.
 
(….)
 

O que poderá ser feito, então ??


Pergunta simples com resposta complicada.


Como é que os povos “inseridos” nesta dinâmica política poderão reagir a uma ameaça muito clara e cada vez mais nítida e descarada de pudor ??

Como em tudo o mais que passa por nós neste tempo histórico, o que está em cima da nossa mesa parece ser a imposição de um projecto político megalómano chamado “Cultura Esclavagista”;

Ou o paradigma de uma nova escravidão política (novel e diferente no “estilismo”) por palavras desiguais na morfologia mas semelhantes no sentido próprio.

E será exactamente esta a questão preocupante (…),

Porque não parece credível e politicamente sustentável que as “Pessoas Dominantes” em causa (nesta abordagem) tenham ficado dementes de repente, ou embrutecidas de um cérebro privilegiado pelo excesso de processamento de memórias e recordações saudosas de um tempo ancestral que marcou definitivamente as gerações que viveram a ordem natural do seu tempo e de uma hera política crítica para a humanidade.

E admito (até) que este “desenho” configure um Plano Estratégico certamente elaborado e delicado num cenário político eventualmente Patético, e numa provável homenagem erudita ao Absurdo Político.

(…)
 
No seguimento do raciocínio tipificado por esta mensagem, “vanguardista” e eventualmente também miserabilista no ecossistema de serviço, relembro uma resposta certa e paradigmática de um amigo (para fim de prosa):
 

_ …São as Auto-Estradas do Poder !! Caminhos certos para o sucesso imediato sem grandes pensamentos no futuro político da comunidade (…);

Pura e simplesmente porque Isso não tem interesse nenhum para a Vitória Política (…).

É uma modalidade de acção emergente para o fim político de ocasião – a Vitória e o Sucesso Fácil.

(ibidem)

 
§§§§§§§§ // §§§§§§§§

ANEXOILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:
              
                                                                                                 



………………..


“…


de:


(….)
 
1.Europa Triunfante

A história que os europeus contaram de si mesmos durante séculos foi marcada pelo orgulho. Possuíam uma notável cultura e civilização, cuja matriz greco-latina e cristã era considerada superior a qualquer outra existente. Esta presunção legitimou a sua expansão pelo mundo, a conquista e colonização de outras regiões e povos.

As histórias de muitos povos europeus, como os portugueses, espanhóis, ingleses, holandeses, franceses ou italianos, está repleta de acções que segundo os nossos valores actuais seriam criminosas.

Miguel Angelo, por exemplo, na Capela de Sistina (Vaticano) representou a escravatura como uma obra civilizadora, pois permitia resgatar os "selvagens" à barbárie em que viviam.

Estes actos, embora na aparência bárbaros, eram entendidos pelos europeus na época como necessários ao progresso dos povos primitivos, etapas históricas que tinha que ser percorridas.

2. Europa Envergonhada

A partir dos anos 60 do século XX, os europeus passaram a ver com outros olhos o seu passado. Onde antes viam gestos civilizadores passaram a ver actos bárbaros.

A escravatura tornou-se uma questão incómoda, um acto vergonhoso. A expansão uma vasta acção de rapina. O colonialismo uma acção negativa, que só serviu para destruir povos, culturas, etc.

As guerras e fomes que ocorriam nas antigas colónias europeias, após a sua independência, foram sentidas como produtos da acção europeia.

A sua maléfica influência só serviu para degenerar os diferentes povos. Criar as condições para a proliferação da miséria actual. Se os europeus não tivessem ido para África, América, Ásia ou Oceânia o mundo seria muito melhor.

Foi com um enorme sentimento de culpa, que os europeus receberam milhões de imigrantes provenientes das antigas colónias. Toleraram hábitos e costumes, muitas vezes contrários aos seus valores. Faziam-no porque não se sentiam capazes de impor nada a outros.

O respeito pelas diferenças, denominado multiculturalismo, era a única atitude possível quando não se quer assumir nenhuma posição.

Cada um continuaria com as suas tradições, vivendo nos seus espaços próprios, limitando-se os poderes públicos a manter esta frágil convivência de culturas.

A causa de tanta vergonha dos europeus face ao seu passado, não está para muitos no exterior da própria Europa, mas nas matanças que no seu interior ocorreram nos últimos duzentos anos.

Os exemplos são muitos, a começar pelo sistemático etnocídio praticado pelos espanhóis em Olivença, passando pelas invasões francesas, às duas guerras mundiais, matanças no País Basco e na Irlanda do Norte, terminando na Bósnia-Herzegóvina, temos que concluir, com George Steiner que os europeus se suportam mal. A maior parte do tempo tem andado a matar-se.

3. O Dedo Muçulmano

A emergência do fundamentalismo islâmico foi apenas um passo neste processo histórico. Os europeus foram globalmente identificados como a causa da desgraça da humanidade.

A única salvação possível é a barbárie, isto é, a morte indiscriminada dos "infiéis". O 11 de Setembro em Nova Iorque é o símbolo por excelência, mas não o único, desta matança.

O que os europeus constataram foi também outra coisa, ainda mais dramática: é que a sua cultura está longe de encantar os filhos de muitos dos seus imigrantes das suas ex-colónias.

Mas não se pense que são só os que tem origem não europeias. Em Novembro de 2005, os belgas viram uma das suas cidadãs, com raízes europeias, matar-se matando ocidentais e simbolicamente fazendo o mesmo a tudo aquilo que a Europa e os ocidentais significam.

A comunicação ocidental procurou diminuir os estragos provocados, mostrando que a mesma estava contaminada pelo vírus do islamismo.

4. Reacção Europeia

Se os europeus continuam a não manifestar grande orgulho no seu passado, deixaram de ser indiferentes perante as sistemáticas acusações que são alvo.

Estamos a assistir a um crescente movimento de defesa dos valores e da cultura europeia.

Em França, o governo decretou que nas escolas se ponha fim à visão negativa que estaria a ser dada história da sua colonização em África.

Os professores são agora obrigados a exaltar os aspectos positivos do colonialismo francês, nomeadamente na Argélia, ignorando ou relativizando matanças, escravatura, etc.

Na Grã-Bretanha, e em muitos outros países, cresce a recusa em ajudar os africanos. De acordo com o novo discurso, a culpa da sua miséria não se deve à escravatura e exploração que foram vítimas no passado pelos europeus, mas a eles próprios que nada fazem para acabar com os governos corruptos e incompetentes que os governam.

Nos EUA, partindo-se do pressuposto que a "guerra de civilizações" é uma inevitabilidade dos nossos tempos, defende-se a definição das fronteiras a nível mundial, entre os "civilizados" e os "bárbaros" (muçulmanos e outros não ocidentalizados).

Face a este panorama, não é de estranhar que a ONU tenha cada vez mais dificuldade em angariar apoios para milhões de pessoas que morrem à fome em todo o mundo.

5. De Camões a Fernando Pessoa, passando por Kant

Este debate não é novo em Portugal. Há muito que os poetas, na primeira nação europeia que se expandiu para fora do velho continente, defendiam um nova concepção visão para este problema.

A perspectiva europeia tradicional, protagonizada no século XVI, por Luís de Camões era muito clara nos seus propósitos. Ao longo dos dez cantos d`Os Lusíadas (1572), expõe a missão história dos europeus: a conversão dos não-ocidentais aos seus valores e religião.

O cristianismo afirma-se como a única religião universal, excluindo todas as outras.

Os portugueses foram os primeiros a abrir este caminho para esta acção de conversão. Deram o exemplo e depois deles outros povos europeus os seguiram (espanhóis, holandeses, ingleses, franceses, etc).

O modelo de homem Camões é o de um cristão, convicto da superioridade da cultura europeia e da necessidade de a expandir.

Em nenhum momento o poeta questiona esta missão, mesmo quando aponta os sacrifícios que a mesma implica.
 
Camões e Homero


No Canto Nono d`Os Lusíadas, Camões introduz simbolicamente uma diferença radical na maneira dos portugueses (cristãos) encararem outros povos.

Na Odisseia, Homero impede que o herói - Ulisses -, se misture ou se deixe encantar. Ulisses para não se deixar seduzir pelas sereias tapa com cera os ouvidos, e faz-se acorrentar ao mastro. Simbolicamente rejeita-se assim o cruzamento entre povos, a miscigenação.

No Canto Nono, na célebre "Ilhas dos Amores" , os navegadores, incluindo Vasco da Gama, não apenas se deixam seduzir, mas procuram a sedução, terminando numa orgia com as ninfas. Camões afirma desta forma simbólica que a miscigenação ( e a fornicação com outros povos) faz parte integrante da maneira dos portugueses viverem a expansão e a difusão dos cristianismo pelo mundo.

O sexo esteve sempre presente na epopeia dos portugueses.

Quando os europeus haviam afirmado o seu poder à escala global, E. Kant, na Alemanha, define assim o Homem do Futuro: cosmopolita, sem pátria e sem uma cultura nacional.

O homem é assim reduzido na sua diversidade. Este é o preço que terá que pagar para evitar os conflitos entre os povos, as guerras.

Reagindo contra esta visão iluminista, o século XIX acaba por mergulhar num conflito de nacionalismos.

O Ideal do homem kantiano, é retomado por algumas ideologias de esquerda que prometem criar um Homem Novo (internacionalista). O resultado foi a criação de regimes totalitários que apregoavam o internacionalismo proletário.

Fernando Pessoa, entre as duas guerras mundiais que marcaram o século XX, retoma na Mensagem a epopeia de Camões. Rompe com o modelo do Homem Europeu camoniano, mas também com o homem desenraizado de Kant.

O que os europeus deviam de assumir como missão histórica era criar um homem múltiplo, plural - Um híbrido, produto de todas as culturas, todas as civilizações.

O Homem de Fernando Pessoa não é cristão como o de Camões, nem desenraizado com o de Kant, mas cristão-muçulmano-judeu-ateu-cosmopolita e tudo o mais que a sua "alma" for capaz de conter.

Reconhecendo-se como múltiplo e não uno, está aberto aos vários mundos. Não se trata de defender o multiculturalismo, onde cada povo é remetido para o seu gueto, mas a miscigenação universal.

Um projecto posto em prática à escala planetária pelos portugueses, mas interrompido no século XIX pelos movimentos racistas que brotaram no seio da Europa.

"É Hora! " de cumprir esta missão, afirma o poeta.

Carlos Fontes
…”


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