terça-feira, 10 de julho de 2012

A IDEOLOGIA POLÍTICA PÓS-MODERNA EM TEMPO DE INTELIGÊNCIA (upgrade)

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"O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros".

(Santo Agostinho)
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Uma abordagem empírica e sistémica;
 
A ideologia adaptou-se ao perfil do tempo revolucionário que passou pelos regimes antigos e conservadores,
e tal circunstância poluiu o seu fácies com conteúdos mais perenes e duradouros do que as novas circunstâncias políticas e estratégicas recomendavam.
 

Hoje as grandes conquistas conseguem-se num campus chamado “Democracia”, circunstância que virtualmente anulou a componente belicista do combate político numa leitura pragmaticamente cândida e romântica.

Mas também acontece que tudo o que “existe” no campus político atualizado e democrático navega em águas perigosamente irreais.
 
Nesta quadratura de um círculo ilusoriamente imperfeito o caos e a loucura do divertimento lúdico num quadro político que deveria ser sério e aprumado leva a que o sucesso a qualquer preço seja o desafio imediato e o segredo do êxito fácil;
E a jurisprudência desta nova ordem faz o resto que falta para uma “destruição maciça” do Estado (no seu formato original), da lei e da ordem, mas também do progresso, da democracia e do Estado de Direito.
 

No decurso desta premissa política e estratégica (já antiga e a ficar progressivamente antiquada numa velocidade feroz) a Segurança e Defesa do Estado torna-se num inimigo mortal da fanfarra política instalada, corporativamente organizada segundo um modelo “institucional” frágil mas seguro e eficaz nos resultados práticos que propicia aos seus “sócios”. (…)


A rapidez do “processo” está a baralhar a bancada e o jogo, tudo em frenesim organizado de uma panóplia estudada do precedente mas sempre ténue e perigosa nos efeitos residuais.

Claro que a seriedade, sendo assim a maneira de jogar do jogo, torna-se numa armadilha de tropeçar qual saga de arame de pontas afiadas sempre pronta para cumprir a sua missão principal.
 

E pronto (…),
também nós “lá vamos indo com a cabeça entre as orelhas” fazendo o mesmo,

cumprindo uma missão antiga e antiquada no seu formato de seriedade

absoluta e sem rodeios nenhuns de maior.


(….)


A nossa vida assim.



Pós-Scriptum:


Sugiro a leitura do texto em anexo escrito em setembro de 1993 mas profundamente atualizado no seu formato político e estratégico.

“ O grande salto de qualidade dado pela humanidade após a queda da experiência do Leste Europeu, e isto é verdadeiramente revolucionário, é que os conflitos de natureza ideológica passam a se dar em um novo patamar histórico social onde é reconhecido o pressuposto da Democracia como valor universal. “


Boa leitura.




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ANEXO – ILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:

…………..
 

“…
de:



O Falso fim da ideologia


João Rego
Recife, 13 setembro 1993


Após a queda do muro de Berlim em 1989, marco simbólico do fim da guerra fria e passo inicial para a desagregação da União Soviética em 1991/2, as nações ocidentais assumem historicamente a hegemonia política e ideológica para conduzir os destinos da humanidade neste fim de século e entrada do novo milénio.


Foi o fim de uma experiência de 72 anos em busca da construção de um modelo alternativo de sociedade, que tinha como principal objetivo ultrapassar historicamente as graves contradições sociais e económicas inerentes ao modo de produção capitalista.

A revolução de 1917 representou uma traumática fratura no desenvolvimento e no próprio processo evolutivo do capitalismo.

Com ela, se demonstrou que a humanidade não era um mero joguete nas mãos de uma classe que detinha o controle histórico dos meios de produção; que de objeto passivo, a classe trabalhadora podia ser transformada em sujeito ativo de sua história e de seu destino.

É necessário esclarecer que uma das fragilidades do marxismo foi subestimar os anseios e desejos do indivíduo, os quais mesmos pertencentes a uma classe, e mesmo tendo fortalecida sua consciência de classe, estes possuem certos desejos de caráter ontológico que transcendem a própria superação de contradições sociais e econômicas. Entre eles, o da liberdade e da pluralidade de pensamento.


Deve-se reconhecer entretanto, que as condições históricas do começo do século XX, onde a sociedade civil ainda era fluída e amorfa e o Estado era o supremo condutor de todo o processo social, não permitiam que as necessárias transformações revolucionárias no modo de produção capitalista ocorressem num regime político aberto.


Sem querer justificar a grotesca ditadura da era stalinista, não se pode deixar de reconhecer que a experiência "socialista" exerceu um poderoso papel de regulação e modernização das relações entre capital e trabalho no mundo ocidental.

Afinal a União Soviética representava, não apenas uma ameaça com o seu projeto de expansão sobre outras nações, mas principalmente um modelo de sociedade alternativo ao capitalismo que dava a demonstração, pelo menos no campo econômico e bélico, de autonomia e firme consolidação.

Outro aspecto importante é que a luta da classe trabalhadora da Europa ocidental, em busca de espaços políticos que garantissem transformações estruturais na sociedade, tinha seu leit motiv profundamente sintonizado com os aspectos teóricos e ideológicos do movimento político que conduziram a revolução na União Soviética.

Este foi o caso da social democracia, que apenas a partir da década de 30 começou a dar sua guinada ideológica para reconhecer que tais transformações poderiam ocorrer dentro do próprio modo de produção capitalista.

O capitalismo das modernas democracias ocidentais evoluiu carregando em seu próprio ventre (e carrega até hoje) a constante superação dialética das lutas ideológicas entre forças historicamente antagónicas: o capital e o trabalho.

Luta esta, que por parte da classe trabalhadora, teve gradativamente sua estratégia mudada, ultrapassando o conceito da "guerra de movimento" cujo objetivo era tomar de assalto o Estado e superar revolucionariamente o capitalismo, para a "guerra de posição", que tem como estratégia obter - através do consenso da sociedade civil e pela via eleitoral - o poder político para avançar nas conquistas e transformações sociais em favor da grande maioria da população: a classe trabalhadora.


É, portanto, um erro se imaginar que após a desestruturação da experiência em busca do socialismo no Leste Europeu, teve-se o fim das ideologias, como vem preconizando os teóricos do neoliberalismo.

O capitalismo afinal, possui dentro do seu modo de produção, graves falhas estruturais que continuam reproduzindo mecanismos geradores de miséria, separando a sociedade em classes.

E é na ideologia e através dela que uma classe pode exercer hegemonia sobre as outras, assegurando a adesão e o consentimento das grandes massas em um processo dinâmico e incerto ao longo da história. A ideologia detém assim a função da dar coesão à própria sociedade.


Ora, se uma classe detém a hegemonia do processo político-social, e esta hegemonia é mantida e renovada para garantir o próprio Controlo do Estado, - que por sua vez é Sociedade Política (Coerção: burocracia executiva e aparelho policial civil e militar) e Sociedade Civil (Consenso: escolas, igreja, imprensa, sindicatos, partidos, meios de comunicação, etc.) - este papel hegemónico só poderá ser materializado através da Ideologia.


O grande salto de qualidade dado pela humanidade após a queda da experiência do Leste Europeu, e isto é verdadeiramente revolucionário, é que os conflitos de natureza ideológica passam a se dar em um novo patamar histórico social onde é reconhecido o pressuposto da Democracia como valor universal.




…”


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