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“…A Guerra Fria foi uma solução para um
dilema maior do desenvolvimento económico americano. É evidente para todos
quantos elaboram as políticas nacionais na Europa, América do Norte e Ásia desde
o final da Segunda Guerra Mundial, e até mesmo para a maioria dos economistas,
que a prosperidade do capitalismo moderno depende, de forma decisiva, duma
intervenção estatal massiva na economia. “(Lewontin)
……………………………………
»»»»»»
Num
seminário virtual pretende-se a grande participação
dos diferentes públicos que de outra forma não “falariam entre si” nem
comungariam com o universo presente as suas experiências pessoais, provavelmente
únicas de significados e de conteúdos expressivos identificadores da alma de uma
comunidade.
(caraterizadora da cidadania ativa e da
“profundidade” de um povo)
(….)
O Complexo Industrial-Militar
Português tem uma leitura muito própria e genuína que pode caracterizar-se por
três vetores principais:
(talvez não únicos mas os mais
determinantes para a interpretação política e social do Estado e da Comunidade
Histórica da Cultura Portuguesa)
_ Uma componente sociocultural
de raiz militar muito forte e profunda na sociedade
política;
_ A história político-militar
colonial portuguesa;
_ A componente
administrativa-logística da Segurança e Defesa Nacional e a sua correlação com a
atividade económica e financeira do
Estado.
A caracterização de cada um destes
componentes traduz de forma precisa a natureza, o âmbito e o “alcance” político
e económico do complexo industrial-militar
português.
E (com naturalidade política…) a
abordagem desta temática remete o conteúdo para duas “imagens de marca” típicas
e incontornáveis no nosso panorama político “interior” – o “Caso Americano” e a
“ideia política” pré-concebida na Europa de que o Complexo Industrial-Militar é
politicamente inadequado, economicamente contraproducente e malicioso para as
comunidades sociais e para a política dos interesses dos Estados
Europeus.
(…)
Não é o objetivo deste texto contrariar
qualquer “conceito” pré-concebido ainda que a sua construção ideológica seja
fraca ou até precária;
Antes sistematizar conceitos e
experiências, e discutir as ideias passíveis de controvérsias e de
consensos;
E gerar diálogos
proficientes.
(….)
De maneira muito simplista pode
sistematizar-se uma descrição genérica das diretrizes principais do Complexo
Industrial-Militar Português da seguinte
forma:
(sendo que em qualquer das três
abordagens a sua caraterística primordial remete para uma participação massiva
do Estado na cultura operacional envolvida na “força motriz” de uma fisiologia
próxima)
1.
A
componente sociocultural de raiz militar resulta
da consideração de que Portugal é um país com nove séculos de história militar,
dos quais durante todo o século XX os portugueses conheceram uma organização
política e social de um “Povo e uma Nação em Armas”, fisiologia política que
caraterizou a natureza e o âmbito específico da sociedade
portuguesa.
A cultura política dos portugueses é
profundamente influenciada pela dinâmica da organização militar traduzindo-se
“tal circunstância” na constatação de que os usos e costumes tradicionais dos
portugueses são como que “magmatizados” pela cultura
militar.
E desta forma tornando-se a dinâmica
cultural envolvida neste fenómeno em “qualquer coisa” como o sistema
nervoso central de toda a organização política e administrativa do
Estado.
2.
A
história político-militar colonial portuguesa dispensa
mais e melhores adjetivos em virtude da sua proximidade histórica com o tempo
atual, mas importa realçar a profundidade do seu “âmbito nuclear” em toda a
estrutura política do estado e da sociedade
civil.
Portugal foi uma grande potência
colonial durante parte importante da sua história e essa informação genética
circula na hemoglobina da sua hemodinâmica;
Os portugueses são um povo livre,
evolucionista, moderno e democrático, e por conseguinte, não professam
“religiões” racistas mas é indiscutível que também não renegam a sua história e
a sua “informação genética” de base e raiz.
3.
A
componente administrativa-logística da Segurança e Defesa Nacional e a
sua correlação com a atividade económica e financeira do Estado traduz-se
na nova dinâmica associada às problemáticas e aos desafios emergentes no âmbito
da Segurança Interna e da Defesa Nacional no final do século XX e no alvorecer
do século XXI.
Esta temática caracteriza-se pelo seu
enquadramento e “visualização” no âmbito das preocupações de segurança e defesa
comuns aos Estados da União Europeia (e no contexto mundial no âmbito da
NATO).
O complexo industrial-militar da União
Europeia é dominado pela Inglaterra, pela França e Alemanha, mas países como a
Espanha, a Itália e Portugal (em menor grau) têm um empenhamento cada vez mais
significativo e importante no contexto das políticas de segurança e defesa
comunitárias (PESC e PESD).
A componente administrativa e logística
do complexo industrial-militar português é relativamente reduzida e insipiente e
carateriza-se por acordos de parcerias estratégicas em compras de material
militar e de segurança no âmbito das leis de programação militar do
Estado.
(este assunto está bem desenvolvido no
texto temático inserido na bibliografia de apoio a esta
página)
(….)
Para reflexão e apoio de opinião sugiro
a leitura dos textos que acompanham este trabalho.
§§§§ /
§§§§
ANEXO
– ILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:
………………..
“...
de:
Portugal Inserido no Complexo
Militar Industrial da Comunidade
Europeia
Portugal não deve ficar à margem da
consolidação do sector das indústrias de defesa. Com contrapartidas ou não, o
investimento no sector deverá sempre acontecer, sob pena de ficarmos
marginalizados e totalmente dependentes do ponto de vista puramente material,
mas sobretudo no que diz respeito ao conhecimento e à
aprendizagem.
Não está em causa pensar que o Complexo
Militar Industrial Português possa ter um impacto económico da dimensão relativa
semelhante ao dos EUA ou do Reino Unido, mas esta questão pode e deve ser
pensada no seio da Comunidade Europeia. Se a CE tem uma estratégia, Portugal
deve participar e beneficiar diretamente com a sua
participação.
Apesar da consolidação das indústrias e
das tentativas de coordenação da WEAG (Western European Armament Group), WEAO
(Western European Armament Organisation) e OCCAR (Organisation Conjointe de
Coopération en matière d'Armement), que deram origem, finalmente, à criação da
EDA (Agência Europeia de Defesa), os países mais fortes ainda continuam a tentar
evoluir com grande independência, o que prejudica o caminho inevitável da
criação de escala conseguida através da união de
esforços.
O exemplo mais claro e público do
impacto económico do Complexo Militar Industrial é o do Reino Unido. De uma
estratégia para a Indústria de Defesa pensada e delineada em 2004, o Reino Unido
passou à Ação a partir de 2007 (até 2012), com um fortíssimo investimento em
Tecnologias de Defesa. A visão é clara: se o estado investir nas tecnologias e
na investigação, as indústrias vão desenvolver-se. O Reino Unido utiliza, aliás,
o exemplo dos EUA para compreender que o investimento nestas tecnologias tem um
valor económico considerável e que este investimento se paga a si próprio dessa
forma. É curioso que o lançamento do programa cita claramente o sucesso dos EUA
neste capítulo.
Não obstante o investimento
independente que cada estado está a realizar no sector da defesa, o certo é que
a ameaça global que estamos a sentir envolve uma resposta global coordenada, e
isso só é possível com um grande grau de cooperação. Essa cooperação começa a
montante, na própria conceção dos sistemas de segurança e defesa e, portanto,
nas respetivas indústrias. Portugal tem ótimas capacidades demonstradas nesse
domínio e deve participar neste processo. A questão está precisamente em
perceber que processo é esse.
(….)
A visão tradicional com a despesa em
segurança e defesa é a da economia de custos, felizmente já ultrapassada. É
consensual que temos de velar pela nossa segurança, agora mais do que nunca, e
também pela nossa defesa, num panorama cada vez mais difícil. Será que no
ambiente social atual nos podemos dar ao luxo de ambicionar uma paz natural?
Será que continua a ser válida a máxima romana “se queres a paz, prepara a
guerra?”
Como afirma Sir Michael Howard “a paz é
um assunto muito mais complexo do que a guerra”. É por isso que temos de nos
preparar . Temos de vencer a guerra contra o terrorismo. A defesa e a segurança
vão ter um peso importante e provavelmente crescente na economia dos estados. A
União Europeia gasta sensivelmente um pouco menos de metade do que os EUA com a
defesa, incluindo investimento e custos de
operação.
Na Europa, a França e o Reino Unido
lideram destacados os gastos totais em defesa (2,5 por cento do PIB). Portugal
faz o que pode. Com 1,72 por cento do PIB, o investimento só não é grande porque
o nosso PIB é comparativamente pequeno, mas do ponto de vista da percentagem do
orçamento dedicado à defesa, Portugal encontra-se bem posicionado entre os
restantes países europeus. O problema, se ele existe, não é gastar mais, mas
gastar bem. A solução é encontrar formas de transformar custos em investimento.
A solução é criar valor económico com esse
investimento.
O estado português, como elemento
catalisador do complexo militar industrial, tem um papel de alguma
responsabilidade, se bem que difícil. É verdade que as forças de segurança e
defesa são um grande custo, mas será que podemos transformar alguns custos em
investimento? Será que conseguimos encontrar maneiras de fazer multiplicar o
valor do investimento conjunto entre o estado e os
privados?
A análise desta problemática
passa pelo capital humano e tecnológico. O capital humano tem ambas as
vertentes. Temos o custo direto dos salários das pessoas, mas também temos o
investimento nas suas competências. É preciso saber antecipadamente que
competências vão ser importantes. Quanto à tecnologia, a questão é mais difícil
e complexa, porque o seu valor só acontece através das pessoas. Haverá com
certeza custos de manutenção de equipamentos, mas a grande parte da despesa deve
ser considerada um investimento em função das mais-valias que vai trazer. E onde
estão essas mais-valias?
A questão nem sequer é apenas
económica e tangível. Na sociedade de informação conta mais o que sabemos do que
aquilo que temos, por ser a economia do intangível. E como conseguir o sucesso
na economia do intangível?
Adquirindo capacidades para
adquirir o conhecimento, ou seja, aprender a aprender. Neste contexto,
será que devemos continuar cada vez mais completamente dependentes dos produtos
acabados que importamos?
Temos de ultrapassar a visão mais
tradicional de que a criação de valor dos investimentos no sector de segurança e
defesa é obviamente a da ação direta que as respetivas forças vão poder
realizar. Há um valor económico nos investimentos tecnológicos de segurança e
defesa, pois muitas das soluções militares serão, mais tarde ou mais cedo,
aplicados no âmbito civil. Há também a criação de conhecimento, tão importante
para fazermos parte da rede de aliados com voz
ativa.
Claro que neste contexto vem sempre à
memória o facto de Portugal ser um pequeno país, e ainda por cima periférico na
Comunidade Europeia. Não podemos consentir que a defesa e a segurança sejam
apenas um custo sem qualquer perspetiva de evolução económica. Portugal tem uma
indústria de segurança e defesa que pode, e deve, ativar no contexto
internacional. Se pensarmos assim, há custos que se transformam em investimentos
e o valor económico desses investimentos pode justificar o tão ambicionado
aumento de verbas disponíveis, venham estas do estado ou dos
privados.
#### /
####
Vem aí o complexo
militar industrial chinês
Caio Blinder
De Nova
York
Civilização, direitos
humanos, geopolítica e outras picuinhas
Há 50 anos, em janeiro
de 1961, Dwight Eisenhower encerrou seus oito anos de presidência americana com
um dos discursos mais famosos de despedida do poder, marcado pela advertência
sobre o crescimento de um “complexo militar industrial” e os perigos que ele
trazia. A importância do discurso cresceu ao longo das décadas, tornou-se
lendário e se converteu em motivo de adoração para antiamericanos denunciarem a
podridão do esquema. Afinal, até o presidente que partia apontava os malefícios
de um sistema supostamente ao serviço do Pentágono e dos fabricantes de armas
(os mercadores da morte).
Esclarecimentos:
Eisenhower, o general que comandou as tropas aliadas na Europa na Segunda Guerra
Mundial, não traiu o sistema e sabia do que estava falando. Obviamente,
Eisenhower não era um pacifista ou manso com os inimigos do seu país (fez o
discurso no auge da Guerra Fria). Seu recado era contra extravagantes gastos
militares e o perigo de que um complexo militar industrial transformasse os EUA
em um estado policial, tolhendo as liberdades
civis.
Há extravagâncias
estúpidas nos gastos militares, um lobby obsceno da indústria bélica no
Congresso e alguns excessos contra as liberdades civis. No entanto, é um salto
de imaginação descrever os EUA como um estado de guerra, em que conflitos, como
o do Iraque, são deflagrados por uma conspiração dos fabricantes de armas.Também
é inconcebível o cenário de uma tomada militar do poder, como em Sete
Dias de Maio, o filme de John
Frankenheimer.
No cimentado sistema
político chinês, o poder militar é subordinado ao poder civil. Mao, o maldito
pai fundador, disse que o poder estava na ponta do fuzil, mas o final da frase
é: “O partido comanda a arma; a arma nunca deve comandar o
partido”.
Mas, nos últimos tempos na China, temos um poder militar atuando com
mais desenvoltura em relação ao comando civil e expressando mais agressividade
na arena internacional, motivado por nacionalismo, e deixando claro seu
propósito de ampliar sua influência no sistema de poder. Outros atores também
atuam com mais desenvoltura, como os exportadores, que exercem pressão para que
a moeda continue manipulada para favorecer seus negócios. O poder na China que
cresce é mais difuso, mais dificil de ser interpretado.
…”
SÍTIOS
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