quinta-feira, 16 de agosto de 2012

“PARA QUE SERVEM AS FORÇAS ARMADAS (??)” -– O COMPLEXO INDUSTRIAL MILITAR PORTUGUÊS (parte 1)

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“…A Guerra Fria foi uma solução para um dilema maior do desenvolvimento económico americano. É evidente para todos quantos elaboram as políticas nacionais na Europa, América do Norte e Ásia desde o final da Segunda Guerra Mundial, e até mesmo para a maioria dos economistas, que a prosperidade do capitalismo moderno depende, de forma decisiva, duma intervenção estatal massiva na economia. “

(Lewontin)
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Num seminário virtual pretende-se a grande participação dos diferentes públicos que de outra forma não “falariam entre si” nem comungariam com o universo presente as suas experiências pessoais, provavelmente únicas de significados e de conteúdos expressivos identificadores da alma de uma comunidade.

(caraterizadora da cidadania ativa e da “profundidade” de um povo)




(….)


O Complexo Industrial-Militar Português tem uma leitura muito própria e genuína que pode caracterizar-se por três vetores principais:


(talvez não únicos mas os mais determinantes para a interpretação política e social do Estado e da Comunidade Histórica da Cultura Portuguesa)


_ Uma componente sociocultural de raiz militar muito forte e profunda na sociedade política;


_ A história político-militar colonial portuguesa;


_ A componente administrativa-logística da Segurança e Defesa Nacional e a sua correlação com a atividade económica e financeira do Estado.



A caracterização de cada um destes componentes traduz de forma precisa a natureza, o âmbito e o “alcance” político e económico do complexo industrial-militar português.


E (com naturalidade política…) a abordagem desta temática remete o conteúdo para duas “imagens de marca” típicas e incontornáveis no nosso panorama político “interior” – o “Caso Americano” e a “ideia política” pré-concebida na Europa de que o Complexo Industrial-Militar é politicamente inadequado, economicamente contraproducente e malicioso para as comunidades sociais e para a política dos interesses dos Estados Europeus.


(…)


Não é o objetivo deste texto contrariar qualquer “conceito” pré-concebido ainda que a sua construção ideológica seja fraca ou até precária;

Antes sistematizar conceitos e experiências, e discutir as ideias passíveis de controvérsias e de consensos;

E gerar diálogos proficientes.


(….)



De maneira muito simplista pode sistematizar-se uma descrição genérica das diretrizes principais do Complexo Industrial-Militar Português da seguinte forma:


(sendo que em qualquer das três abordagens a sua caraterística primordial remete para uma participação massiva do Estado na cultura operacional envolvida na “força motriz” de uma fisiologia próxima)


1. A componente sociocultural de raiz militar resulta da consideração de que Portugal é um país com nove séculos de história militar, dos quais durante todo o século XX os portugueses conheceram uma organização política e social de um “Povo e uma Nação em Armas”, fisiologia política que caraterizou a natureza e o âmbito específico da sociedade portuguesa.


A cultura política dos portugueses é profundamente influenciada pela dinâmica da organização militar traduzindo-se “tal circunstância” na constatação de que os usos e costumes tradicionais dos portugueses são como que “magmatizados” pela cultura militar.


E desta forma tornando-se a dinâmica cultural envolvida neste fenómeno em “qualquer coisa” como o sistema nervoso central de toda a organização política e administrativa do Estado.



2. A história político-militar colonial portuguesa dispensa mais e melhores adjetivos em virtude da sua proximidade histórica com o tempo atual, mas importa realçar a profundidade do seu “âmbito nuclear” em toda a estrutura política do estado e da sociedade civil.


Portugal foi uma grande potência colonial durante parte importante da sua história e essa informação genética circula na hemoglobina da sua hemodinâmica;


Os portugueses são um povo livre, evolucionista, moderno e democrático, e por conseguinte, não professam “religiões” racistas mas é indiscutível que também não renegam a sua história e a sua “informação genética” de base e raiz.


3. A componente administrativa-logística da Segurança e Defesa Nacional e a sua correlação com a atividade económica e financeira do Estado traduz-se na nova dinâmica associada às problemáticas e aos desafios emergentes no âmbito da Segurança Interna e da Defesa Nacional no final do século XX e no alvorecer do século XXI.


Esta temática caracteriza-se pelo seu enquadramento e “visualização” no âmbito das preocupações de segurança e defesa comuns aos Estados da União Europeia (e no contexto mundial no âmbito da NATO).


O complexo industrial-militar da União Europeia é dominado pela Inglaterra, pela França e Alemanha, mas países como a Espanha, a Itália e Portugal (em menor grau) têm um empenhamento cada vez mais significativo e importante no contexto das políticas de segurança e defesa comunitárias (PESC e PESD).


A componente administrativa e logística do complexo industrial-militar português é relativamente reduzida e insipiente e carateriza-se por acordos de parcerias estratégicas em compras de material militar e de segurança no âmbito das leis de programação militar do Estado.


(este assunto está bem desenvolvido no texto temático inserido na bibliografia de apoio a esta página)




(….)



Para reflexão e apoio de opinião sugiro a leitura dos textos que acompanham este trabalho.



§§§§ / §§§§




ANEXO – ILUSTRAÇÃO TEMÁTICA:


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“...

de:





Portugal Inserido no Complexo Militar Industrial da Comunidade Europeia

Paulo Cardoso do Amaral, Administrador da Sinfic, Professor na Universidade Católica Portuguesa e Vice-presidente da AFCEA Portugal.




Portugal não deve ficar à margem da consolidação do sector das indústrias de defesa. Com contrapartidas ou não, o investimento no sector deverá sempre acontecer, sob pena de ficarmos marginalizados e totalmente dependentes do ponto de vista puramente material, mas sobretudo no que diz respeito ao conhecimento e à aprendizagem.


Não está em causa pensar que o Complexo Militar Industrial Português possa ter um impacto económico da dimensão relativa semelhante ao dos EUA ou do Reino Unido, mas esta questão pode e deve ser pensada no seio da Comunidade Europeia. Se a CE tem uma estratégia, Portugal deve participar e beneficiar diretamente com a sua participação.


Apesar da consolidação das indústrias e das tentativas de coordenação da WEAG (Western European Armament Group), WEAO (Western European Armament Organisation) e OCCAR (Organisation Conjointe de Coopération en matière d'Armement), que deram origem, finalmente, à criação da EDA (Agência Europeia de Defesa), os países mais fortes ainda continuam a tentar evoluir com grande independência, o que prejudica o caminho inevitável da criação de escala conseguida através da união de esforços.


O exemplo mais claro e público do impacto económico do Complexo Militar Industrial é o do Reino Unido. De uma estratégia para a Indústria de Defesa pensada e delineada em 2004, o Reino Unido passou à Ação a partir de 2007 (até 2012), com um fortíssimo investimento em Tecnologias de Defesa. A visão é clara: se o estado investir nas tecnologias e na investigação, as indústrias vão desenvolver-se. O Reino Unido utiliza, aliás, o exemplo dos EUA para compreender que o investimento nestas tecnologias tem um valor económico considerável e que este investimento se paga a si próprio dessa forma. É curioso que o lançamento do programa cita claramente o sucesso dos EUA neste capítulo.


Não obstante o investimento independente que cada estado está a realizar no sector da defesa, o certo é que a ameaça global que estamos a sentir envolve uma resposta global coordenada, e isso só é possível com um grande grau de cooperação. Essa cooperação começa a montante, na própria conceção dos sistemas de segurança e defesa e, portanto, nas respetivas indústrias. Portugal tem ótimas capacidades demonstradas nesse domínio e deve participar neste processo. A questão está precisamente em perceber que processo é esse.


(….)


A visão tradicional com a despesa em segurança e defesa é a da economia de custos, felizmente já ultrapassada. É consensual que temos de velar pela nossa segurança, agora mais do que nunca, e também pela nossa defesa, num panorama cada vez mais difícil. Será que no ambiente social atual nos podemos dar ao luxo de ambicionar uma paz natural? Será que continua a ser válida a máxima romana “se queres a paz, prepara a guerra?”


Como afirma Sir Michael Howard “a paz é um assunto muito mais complexo do que a guerra”. É por isso que temos de nos preparar . Temos de vencer a guerra contra o terrorismo. A defesa e a segurança vão ter um peso importante e provavelmente crescente na economia dos estados. A União Europeia gasta sensivelmente um pouco menos de metade do que os EUA com a defesa, incluindo investimento e custos de operação.


Na Europa, a França e o Reino Unido lideram destacados os gastos totais em defesa (2,5 por cento do PIB). Portugal faz o que pode. Com 1,72 por cento do PIB, o investimento só não é grande porque o nosso PIB é comparativamente pequeno, mas do ponto de vista da percentagem do orçamento dedicado à defesa, Portugal encontra-se bem posicionado entre os restantes países europeus. O problema, se ele existe, não é gastar mais, mas gastar bem. A solução é encontrar formas de transformar custos em investimento. A solução é criar valor económico com esse investimento.


O estado português, como elemento catalisador do complexo militar industrial, tem um papel de alguma responsabilidade, se bem que difícil. É verdade que as forças de segurança e defesa são um grande custo, mas será que podemos transformar alguns custos em investimento? Será que conseguimos encontrar maneiras de fazer multiplicar o valor do investimento conjunto entre o estado e os privados?


A análise desta problemática passa pelo capital humano e tecnológico. O capital humano tem ambas as vertentes. Temos o custo direto dos salários das pessoas, mas também temos o investimento nas suas competências. É preciso saber antecipadamente que competências vão ser importantes. Quanto à tecnologia, a questão é mais difícil e complexa, porque o seu valor só acontece através das pessoas. Haverá com certeza custos de manutenção de equipamentos, mas a grande parte da despesa deve ser considerada um investimento em função das mais-valias que vai trazer. E onde estão essas mais-valias?


A questão nem sequer é apenas económica e tangível. Na sociedade de informação conta mais o que sabemos do que aquilo que temos, por ser a economia do intangível. E como conseguir o sucesso na economia do intangível?


Adquirindo capacidades para adquirir o conhecimento, ou seja, aprender a aprender. Neste contexto, será que devemos continuar cada vez mais completamente dependentes dos produtos acabados que importamos?


Temos de ultrapassar a visão mais tradicional de que a criação de valor dos investimentos no sector de segurança e defesa é obviamente a da ação direta que as respetivas forças vão poder realizar. Há um valor económico nos investimentos tecnológicos de segurança e defesa, pois muitas das soluções militares serão, mais tarde ou mais cedo, aplicados no âmbito civil. Há também a criação de conhecimento, tão importante para fazermos parte da rede de aliados com voz ativa.


Claro que neste contexto vem sempre à memória o facto de Portugal ser um pequeno país, e ainda por cima periférico na Comunidade Europeia. Não podemos consentir que a defesa e a segurança sejam apenas um custo sem qualquer perspetiva de evolução económica. Portugal tem uma indústria de segurança e defesa que pode, e deve, ativar no contexto internacional. Se pensarmos assim, há custos que se transformam em investimentos e o valor económico desses investimentos pode justificar o tão ambicionado aumento de verbas disponíveis, venham estas do estado ou dos privados.



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de:






Vem aí o complexo militar industrial chinês


Caio Blinder

De Nova York

Civilização, direitos humanos, geopolítica e outras picuinhas



Há 50 anos, em janeiro de 1961, Dwight Eisenhower encerrou seus oito anos de presidência americana com um dos discursos mais famosos de despedida do poder, marcado pela advertência sobre o crescimento de um “complexo militar industrial” e os perigos que ele trazia. A importância do discurso cresceu ao longo das décadas, tornou-se lendário e se converteu em motivo de adoração para antiamericanos denunciarem a podridão do esquema. Afinal, até o presidente que partia apontava os malefícios de um sistema supostamente ao serviço do Pentágono e dos fabricantes de armas (os mercadores da morte).


Esclarecimentos: Eisenhower, o general que comandou as tropas aliadas na Europa na Segunda Guerra Mundial, não traiu o sistema e sabia do que estava falando. Obviamente, Eisenhower não era um pacifista ou manso com os inimigos do seu país (fez o discurso no auge da Guerra Fria). Seu recado era contra extravagantes gastos militares e o perigo de que um complexo militar industrial transformasse os EUA em um estado policial, tolhendo as liberdades civis.


Há extravagâncias estúpidas nos gastos militares, um lobby obsceno da indústria bélica no Congresso e alguns excessos contra as liberdades civis. No entanto, é um salto de imaginação descrever os EUA como um estado de guerra, em que conflitos, como o do Iraque, são deflagrados por uma conspiração dos fabricantes de armas.Também é inconcebível o cenário de uma tomada militar do poder, como em Sete Dias de Maio, o filme de John Frankenheimer.





No cimentado sistema político chinês, o poder militar é subordinado ao poder civil. Mao, o maldito pai fundador, disse que o poder estava na ponta do fuzil, mas o final da frase é: “O partido comanda a arma; a arma nunca deve comandar o partido”.


Mas, nos últimos tempos na China, temos um poder militar atuando com mais desenvoltura em relação ao comando civil e expressando mais agressividade na arena internacional, motivado por nacionalismo, e deixando claro seu propósito de ampliar sua influência no sistema de poder. Outros atores também atuam com mais desenvoltura, como os exportadores, que exercem pressão para que a moeda continue manipulada para favorecer seus negócios. O poder na China que cresce é mais difuso, mais dificil de ser interpretado.

De acordo com relatos, durante encontro com Gates, Hu Jintao parecia não saber que seus militares tinham acabado de fazer um teste com um protótipo de avião invisível a radar. “É verdade?”, ele teria perguntado ao seu ministro da defesa Liang Guanglie.

É possível especular que os militares chineses atuem como “falcões”, tentando abortar vôos de um modus-vivendi entre a China, superpotência emergente, e a madura superpotência americana. Este empenho marca a visita oficial em curso de Hu Jintao aos EUA. Também interessa a estes militares agressividade do outro lado, o que justifica investimentos industriais e armas mais sofisticadas no aparato militar do país (inevitável e compreensível, de qualquer forma, diante de sua ascensão global). A economia americana é três vezes maior do que a chinesa, mas seu complexo militar gasta oito vezes mais por ano e seu armamento é muito mais, mas muito mais, sofisticado. Até quando?

A liderança civil chinesa deve controlar este impulso dos militares. Nada de descartá-lo, é claro. Nacionalismo é uma cola que unirá cada vez mais os chineses. Com a falência da ideologia comunista militares são arautos impecáveis de nacionalismo e de patriotismo, ampliando seus tentáculos navais no mar do Sul da China, construindo mísseis mais incrementados e exibindo seu avião invisível. Os chineses se distanciam do famoso conselho de Deng Xiaoping, o patrono das reformas econômicas, para “esconder nossas capacidades, ganhar tempo e não reinvindicar liderança”.




…”


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