Li
com atenção um texto inscrito na página internet do Instituto Ludwig von Mises Portugal (abaixo
referenciado na leitura bibliográfica sugerida) e fiquei encantado com a
palestra do Sr. Murray Rothbard, reputado economista americano alinhado com a Escola
Austríaca da Economia numa relação próxima com a “visão” protagonizada pela corrente anarco-capitalista;
Segundo aquele autor o Paradigma Keynesiano entrou em
colapso no início dos anos 70 e sugere que terá assumido uma expressão de culminação
na atualidade no espaço político e económico dos Estados Unidos da América e na
Europa.
Naturalmente que acredito porque não tenho sapiência
para outras dilações, mas continuo a pensar que a realidade portuguesa é
específica em qualquer “andamento” da sua visualização “tática ou estratégica”,
e em conformidade insisto na minha ignorância
consciente de que mantenho-me absolutamente fidelizado com a doutrina económica
de John Maynard Keynes…
Para Portugal.
(….)
E
também insisto no meu “ideário” de que sou adepto do Keynesianismo desde miúdo
porque incorporei a teoria a olhar de forma direta para o problema,
e aprendi
com a lição que os problemas não se resolvem sozinhos quando não existem
condições para se resolverem sozinhos.
A natureza
capitalista e economicista (em sentido lato e académico) não poderá fazer
milagres resolvendo com o seu funcionamento próprio de sistema as crises que
ela própria cria (ou provoca),
em
particular (ou em especial) quando o seu sistema operativo de base não existe “inserido”
na fisiologia política e económica de um Estado em quantidade e em qualidade
necessárias e suficientes para conseguir tal proeza e desiderato.
(e
admitindo em ensaio prático ser possível a um qualquer sistema de liberalismo
económico puro e duro, o Anarco-Capitalismo nomeadamente, coexistir com o Estado
Português…)
Teremos,
pois, como dado adquirido a Intervenção do Estado na economia portuguesa enquanto
software principal e primordial de funcionamento fisiológico do “regime
político”,
e nessa
conformidade este problema terá uma solução (aparentemente) simples de configurar
- o Governo do Estado terá que programar,
planear, coordenar e executar com proficiência exemplar o modelo da sua “Intervenção” (!!);
Necessariamente
uma conduta de procedimentos de Estado bem medida e bem moldada à realidade
necessária,
“aquela
que existe e é a verdade consumada”,
mas
procurando o objetivo óbvio e eficaz – o Estado tem que ser o Motor Principal
do funcionamento económico e estratégico deste país pequenino chamado Portugal
que coexiste com a Europa e o Mundo num contexto político e estratégico potencialmente
hostil e agressivo (e global no pior sentido da sua leitura interpretativa…).
O
futuro dos portugueses passa pela perceção inteligente desta realidade antiga
que hoje toma a forma e a expressão de uma escolha de modalidade de ação para o
futuro;
O
Estado português não tem muito tempo a perder em segundas escolhas e em
itinerários desviantes,
o
caminho a seguir está identificado e é o mais curto e direto para o “objetivo”,
no
entanto, será o mais sensível e delicado nas opções políticas e garantidamente o
mais difícil na conduta do leme pela razão singela de que todo o trabalho terá
que ser feito por nós, portugueses, e não por outras personagens míticas e
milagrosas (…).
E
na medida do evento anterior há um raciocínio que tomará o formato de uma
estrutura política primária de base,
o
“Estado Social” e as outras figuras e figurões estruturantes da “democracia
para todos” (…), e todas as outras expressões idiomáticas de infraestrutura
política tornadas “Brejeirices” pela modernidade socialista e revolucionária
pós-moderna terão que assumir num futuro (muito) próximo uma figura política e
económica incontornável em Portugal – Tudo terá que ser Reinventado de Raiz,
incluindo (naturalmente) a democracia, a política, as instituições, o Estado e,
como é óbvio, os Portugueses (…);
E
“isso” (aparentemente) não é possível de acontecer nesta “altura política do
ano” (!!).
Tempo
de um requiem de aniversário permanente da Revolução (idiomática) dos Cravos
para nós,
os
portugueses,
o
povo que pasta no pasto da lezíria verdejante e paradísica,
para que olhemos apaixonados e com a ternura e a paixão encalorada própria dos amantes que detêm na profundidade da sua alma o amor pelo cenário alado, mítico e tão lindo de ideais de…
… tretas
do tempo que passa por nós em velocidade furiosa (!!).
(………)
Sugiro
a leitura do texto abaixo transcrito.
§§§§
/ §§§§
ANEXO – LEITURA BIBLIOGRÁFICA:
………………..
“…
de:
Até aos anos de 1973 e 1974, os keynesianos que formavam a ortodoxia económica dominante desde o fim da década de 1930 estavam em alta, bem-sucedidos e inatingíveis. Praticamente todos aceitavam o ponto de vista keynesiano de que há algo na economia de livre mercado que a torna suscetível às variações do excesso ou da insuficiência de gastos (na prática, a preocupação keynesiana é quase que exclusivamente com a insuficiência nos gastos), e que, portanto, cabe ao governo compensar este defeito do mercado.
O governo deve compensar este suposto desequilíbrio manipulando os gastos e deficits (aumentando-os, na prática). Guiando esta função «macroeconómica» do governo, claro, estava um conjunto de economistas keynesianos (o «Conselho de Assessores Económicos»), que seriam capazes de fazer os «ajustes» na economia visando evitar a inflação ou a recessão, e regulamentar a quantidade total de gastos para assegurar uma continuidade no emprego da população sem que houvesse inflação.
Foi nos anos de 1973 e 1974 que até mesmo os keynesianos se deram conta de que algo estava muito, muito errado com este cenário confiante e que era a hora de se repensar os métodos, pois não apenas os 40 e tantos anos dos ajustes keynesianos não haviam conseguido eliminar uma inflação crónica que se havia instalado com a Segunda Guerra Mundial, mas foi naqueles anos que a inflação subiu temporariamente até atingir uma cifra de dois dígitos (cerca de 13% por ano).
Não só isso, também foi em 1973 e 1974 que os Estados Unidos entraram na depressão mais profunda e duradoura desde a década de 1930 (ela teria sido chamada de «depressão» se o termo não tivesse sido abandonado há tempos pelos economistas por ser impopular). Este fenómeno curioso de uma inflação jactanciosa ocorrendo simultaneamente a uma acentuada recessão simplesmente não deveria acontecer de acordo com o ponto de vista keynesiano do mundo.
Os economistas sempre souberam que a economia ou está passando por um momento de expansão, em que os preços sobem, ou ela está num período de recessão ou depressão, caracterizado por altas taxas de desemprego, situação na qual os preços acabam por diminuir. No caso da expansão económica, o governo keynesiano deveria «absorver o excesso de poder de compra» através do aumento dos impostos, de acordo com a receita keynesiana, isto é, ele deveria diminuir os gastos na economia.
Por outro lado, se a economia está a passar por um período de inflação e uma recessão, ao mesmo tempo em que apresenta um alto índice de desemprego, o que deve fazer o governo? Como pode ele pisar no acelerador da economia e no seu travão ao mesmo tempo?
Já durante a recessão de 1958 as coisas haviam começado a funcionar de maneira peculiar; pela primeira vez, a meio de uma recessão, os preços dos bens de consumo aumentaram, ainda que levemente. Era uma nuvem de pequenas dimensões, que parecia preocupar pouco os keynesianos.
Os preços dos bens de consumo subiram, novamente, durante a recessão de 1966, porém, esta era apenas uma recessão leve que também não oferecia grandes motivos para preocupação. A grande inflação da recessão de 1969 a 1971, no entanto, teve um impacto considerável, porém, foi necessário que ocorresse a recessão acentuada que se iniciou com a inflação de dois dígitos em 1973 e 1974 para que o establishment económico keynesiano fosse colocado num estado de desordem completa.
Ela fez com que eles percebessem que não só os seus ajustes haviam fracassado, mas também que o ciclo que supostamente estava morto e enterrado ainda estava entre nós, a economia estava então num estado de inflação crónica, tendendo a piorar cada vez mais e também estava sujeita a surtos contínuos de recessão, de uma recessão inflacionária ou «estagflação».
Isto não só era um fenómeno novo, mas um fenómeno que não podia ser explicado e que não deveria nem mesmo existir, de acordo com as teorias da ortodoxia económica.
Mais, esta inflação parecia estar a ficar cada vez pior: de aproximadamente 1-2% por ano no período do governo de Eisenhower, a 3-4% durante o período do presidente Kennedy, a 5-6% na administração Johnson, atingindo cerca de 13% em 1973-1974, para finalmente «voltar» para cerca de 6%, porém, apenas depois dos duros golpes de uma depressão acentuada e prolongada (aproximadamente entre 1973 e 1976).
Existem logo diversas coisas que precisam de ser explicadas quase que desesperadamente:
(1) Porquê esta inflação crónica e acelerada?
(2) Porquê a existência desta inflação mesmo durante profundas depressões económicas? E, aproveitando o ensejo, seria importante explicar, se pudermos,
(3) o porquê deste ciclo económico? Por que se produziu este aparente ciclo sem fim de expansão e recessão?
Felizmente, as respostas a estas questões foram fornecidas pela «Escola Austríaca» de economia, tragicamente negligenciada, e a sua teoria do dinheiro e do ciclo económico, desenvolvida na Áustria por Ludwig von Mises e o seu seguidor Friedrich A. Hayek, levada por Hayek à London School of Economics no início da década de 1930.
Na realidade, a teoria austríaca do ciclo económico de Hayek cativou os jovens economistas da Grã-Bretanha exatamente por que ela por si só oferecia uma explicação satisfatória a respeito da Grande Depressão daquela década.
Futuros líderes keynesianos, como John R. Hicks, Abba P. Lerner, Lionel Robbins e Nicholas Kaldor, na Inglaterra, bem como Alvin Hansen, nos Estados Unidos, eram hayekianos até a alguns anos antes. Então, a Teoria Geral de Keynes tomou o cenário de assalto, após 1936, numa verdadeira «Revolução Keynesiana», que alegava de maneira arrogante que ninguém antes dela havia tentado oferecer qualquer explicação a respeito dos ciclos económicos ou da Grande Depressão.
Deve-se enfatizar que a teoria keynesiana não logrou êxito através do debate cuidadoso e da refutação da posição austríaca; pelo contrário, como costuma ocorrer na história da ciência social, o keynesianismo simplesmente tornou-se a nova moda, e a teoria austríaca não foi refutada, mas simplesmente ignorada e esquecida.
Por quatro décadas, a teoria austríaca foi mantida viva, sem ser lamentada, honrada ou louvada pela maior parte do mundo económico: apenas Mises (na Universidade de Nova York) e Hayek (em Chicago) e alguns de seus seguidores se mantinham fiéis a ela.
Seguramente não é um facto acidental que o renascimento atual da teoria económica austríaca coincidiu com o fenómeno da estagflação e do consequente esfacelamento a olhos vistos do paradigma keynesiano.
Em 1974, realizou-se a primeira conferência, depois de muitas décadas, dos economistas da Escola Austríaca, no Royalton College, em Vermont. Posteriormente, naquele mesmo ano, a profissão dos economistas ficou estarrecida com a concessão do Prémio Nobel a Hayek. Desde então, realizaram-se célebres conferências austríacas na Universidade de Hartford, no Castelo de Windsor, na Inglaterra, e na Universidade de Nova York, nas quais até mesmo Hicks e Lerner mostraram sinais de retornar, ainda que parcialmente, às posições que haviam negligenciado por tanto tempo. Conferências regionais foram realizadas na Costa Leste, na Costa Oeste e no Meio-Oeste, assim como no Sudoeste do país. Livros têm sido publicados sobre o assunto e, talvez ainda mais importante, surgiu um grande número de jovens professores e estudantes de graduação altamente capazes, devotados à escola económica austríaca, que sem dúvida contribuirão muito para a causa no futuro.
DINHEIRO E INFLAÇÃO
O que, então, nos tem a dizer sobre o nosso problema essa ressurgente teoria austríaca?
A primeira coisa a apontar é que a inflação nem é algo inevitavelmente inerente à economia, nem é um pré-requisito para um mundo crescente e próspero. Durante a maior parte do século XIX (com exceção dos anos da Guerra de 1812 e da Guerra Civil) os preços estavam a cair, e ainda assim a economia estava a crescer e a ser industrializada. Os preços em queda não desencorajaram de qualquer maneira a prosperidade na economia ou nos negócios.
Assim, a queda de preços é aparentemente o funcionamento normal de uma economia de mercado crescente. Como é, portanto, que a própria ideia de uma queda contínua de preços é tão contrária à nossa experiência a ponto de ela parecer um mundo de sonhos totalmente fantasioso? Por que, desde a Segunda Guerra Mundial, os preços vêm subindo continuamente, e até mesmo velozmente, tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo?
Antes daquele período, os preços haviam subido acentuadamente durante a Primeira Guerra e a Segunda Guerra Mundial; no período entre as guerras, eles caíram levemente, apesar da grande expansão económica da década de 1920, e depois caíram acentuadamente durante a Grande Depressão da década seguinte. Em suma, além das experiências durante os períodos de guerra, a ideia de inflação como uma norma em períodos de paz foi estabelecida de facto após a Segunda Guerra Mundial.
A explicação favorita para a inflação é a de que ambiciosos empresários insistem em aumentar os preços para aumentar os seus lucros. Mas seguramente o quociente de «ambição» no mundo dos negócios não vivenciou um grande salto desde a Segunda Guerra Mundial. Por acaso não eram os empresários igualmente «ambiciosos» no século XIX, e até 1941? Então por que não ocorria essa tendência inflacionária até então? Além do mais, se os empresários são tão avarentos a ponto de aumentarem os preços em 10% por ano, por que param neste número? Por que esperam? Por que não aumentam os preços em 50%, ou os dobram, triplicam, imediatamente? O que os está a impedir?
Uma falha semelhante serve para rebater outra das explicações preferidas sobre a inflação: a de que os sindicatos insistem em salários mais altos, o que por sua vez faz com que os empresários aumentem os preços. Além do facto de que a inflação apareceu já nos tempos da Roma Antiga, muito antes do surgimento dos sindicatos, e além da falta de evidências que indiquem que os salários sindicalizados aumentem a um ritmo mais alto que aqueles que não são regulamentados pelos sindicatos, ou que o preço dos produtos produzidos por trabalhadores sindicalizados aumentam mais rapidamente que os produzidos por trabalhadores não sindicalizados, surge uma questão semelhante: por que, em todo caso, as empresas aumentam os seus preços? O que é que lhes permite aumentar os preços em uma determinada quantidade, mas não mais que ela? Se os sindicatos são poderosos, e as empresas tão suscetíveis, por que os salários e preços não aumentam em 50, ou 100% por ano? O que os está a impedir?
Uma propaganda de televisão inspirada pelo governo de alguns anos atrás chegou um pouco perto da resposta: os consumidores estavam a receber a culpa por serem muito «vorazes», por comerem e gastarem demais. Aqui, vemos pelo menos o início de uma explicação sobre o que estaria impedindo as empresas ou sindicatos de exigir preços ainda mais altos: os consumidores não iriam pagá-los. Os preços do café aumentaram vertiginosamente alguns anos atrás; um ou dois anos depois eles diminuíram acentuadamente devido à resistência dos consumidores — até certo ponto, devido a um «boicote» espalhafatoso dos consumidores — mais importante ainda, devido a uma mudança nos hábitos dos consumidores, que passaram a deixar de comprar café para consumir substitutos que tivessem preços mais baixos. Foi, portanto, um limite na procura do consumidor que os impediu.
Isto, no entanto, traz o problema alguns passos para trás, pois se a procura do consumidor é limitada, como parece lógico, em qualquer momento específico, como é que ela continua a subir, ano após ano, validando e permitindo assim que os preços e salários sejam aumentados? E se ela pode aumentar em 10%, o que impede que ela aumente em 50%? Resumindo, o que permite o aumento na procura dos consumidores, ano após ano, e no entanto impede que ela aumente ainda mais?
Para irmos ainda mais adiante nesta investigação de detetive, devemos analisar o significado do termo «preço». O que é exatamente um preço?
O preço de qualquer quantidade específica de um produto é a quantia de dinheiro que aquele que o compra deve gastar nele. Em suma, se alguém tem que gastar US$7 em dez pães, então o «preço» daqueles dez pães é sete dólares ou, como costumeiramente expressamos, o preço pela unidade do produto, o preço do pão é de US$0,70 por pão.
Existem, portanto, dois lados nesta troca: o comprador, com o dinheiro, e o vendedor, com o pão. Deveria ser algo claro, que a interação entre ambos os lados dá origem ao preço vigente no mercado. Para resumir, se mais pão entrar no mercado, o preço do pão diminuirá (um aumento na oferta diminui o preço).
Encontramos agora o elemento crucial que limita e detém a quantidade de procura do consumidor e, por consequência, o preço: a quantidade de dinheiro que os consumidores possuem. Se o dinheiro em seus bolsos aumentar em 20%, então a limitação em sua procura decrescerá em 20% e, caso os outros fatores permaneçam estáveis, os preços tenderão a aumentar também em 20%. Descobrimos o fator crucial: o stock ou a oferta de dinheiro.
Se considerarmos os preços globais para toda a economia, então o fator crucial passa a ser o stock ou oferta de dinheiro em toda a economia. Na realidade, a importância da oferta de dinheiro ao analisar-se a inflação pode ser vista quando estendemos a nossa análise do mercado de café ou pão para toda a economia em geral, pois todos os preços são determinados inversamente pela oferta da mercadoria e diretamente pela demanda por ela; porém, a oferta de mercadorias está, geralmente, aumentando, ano após ano, na nossa economia em constante crescimento, de forma que, do ponto de vista do lado da oferta da equação, a maioria dos preços deveria estar a diminuir e deveríamos estar passando agora por uma queda nos preços semelhante à que ocorreu no século XIX («deflação»).
Se a inflação crónica se devesse unicamente ao lado da oferta — às actividades de produtores, como empresas ou sindicatos — então a oferta de mercadorias estaria necessariamente diminuindo, aumentando assim os preços. Como, no entanto, a oferta de mercadorias está aumentando de maneira manifesta, a fonte da inflação deve estar no lado da, e o fator dominante no lado da demanda, como indicamos, é a oferta total de dinheiro.
De facto, se olharmos no mundo passado e presente, descobrimos que a oferta de dinheiro vem a aumentar a um ritmo acelerado. Ela aumentou também no século XIX, porém num ritmo muito mais vagaroso, muito menor do que o aumento correspondente em mercadorias e serviços; porém, desde a Segunda Guerra Mundial, o aumento da oferta de dinheiro — tanto aqui quanto no exterior — tem vindo a ocorrer muito mais rapidamente do que a oferta de mercadorias. A consequência é a inflação.
A questão crucial torna-se então: quem, ou o que, controla e determina a oferta de dinheiro e continua a aumentar a sua quantidade, especialmente nas últimas décadas? Para responder a esta questão, devemos primeiro considerar quanto dinheiro surge, em primeiro lugar, na economia de mercado.
Pois o dinheiro surgiu primeiro no mercado à medida que os indivíduos começaram a escolher uma ou mais mercadorias para servir como dinheiro; as melhores mercadorias-dinheiro são aquelas que estão em alta procura; que tem um valor alto por unidade-peso; que são duráveis, pois podem ser armazenadas por um longo período de tempo; que são móveis, pois podem ser prontamente transportadas de um lugar para outro; que são facilmente reconhecíveis, e que podem ser prontamente divididas em pequenas partes sem perder o seu valor.
Ao longo dos séculos, diversos mercados e sociedades escolheram um grande número de mercadorias para servir como dinheiro: desde sal e açúcar, passando por conchas e gado, e tabaco, até os cigarros utilizados nos campos de prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial.
Ao longo destes séculos, no entanto, duas mercadorias sempre saíram vitoriosas, onde quer que estivessem disponíveis, nesta corrida competitiva para se tornarem dinheiro: ouro e prata.
Os metais sempre circularam na forma do seu peso — uma tonelada de ferro, uma libra de cobre, etc. — e os seus preços foram calculados com base nestas unidades de peso. O ouro e a prata não foram exceções. Cada uma das unidades de moeda atuais teve a sua origem como unidade de peso, tanto de ouro quanto de prata. Assim, a unidade britânica, a «libra esterlina», recebeu este nome porque originalmente significava simplesmente uma libra de prata. (Para se ver o quanto a libra perdeu do seu valor ao longo dos séculos desde então, devemos observar que a libra esterlina vale atualmente dois quintos de uma onça de prata no mercado.
Este é o efeito da inflação britânica — do enfraquecimento do valor da libra.) O «dólar» era originalmente uma moeda boémia que consistia de uma onça de prata. Posteriormente, o «dólar» passou a ser definido como um vinte avos de uma onça de ouro.
Quando uma sociedade ou um país passa a adotar uma determinada mercadoria como dinheiro, e a sua unidade de peso se torna uma unidade de moeda — a unidade de cálculo na sua vida quotidiana — então diz-se que aquele país adotou aquele determinado «padrão» de mercadoria.
Uma vez que os mercados entenderam universalmente que o ouro e a prata são os melhores padrões onde quer que eles estejam disponíveis, o curso natural destas economias é o de se basearem no padrão-ouro ou no padrão-prata. Neste caso, a oferta de ouro é determinada pelas forças do mercado: pelas condições tecnológicas da oferta, os preços de outras mercadorias etc.
Desde que o mercado adotou pela primeira vez o ouro e a prata como dinheiro que o estado se mobilizou para assumir o controlo da função da oferta monetária, a função de determinar e criar a oferta de dinheiro na sociedade. Parece óbvio o motivo do estado desejar fazê-lo: isto significaria assumir o controlo sobre a oferta de dinheiro do mercado e entregá-la a um grupo de pessoas encarregadas do aparato estatal. Por que motivo querem fazê-lo também é claro: eis uma alternativa à taxação, já que as vítimas de uma cobrança de impostos sempre consideram isto algo oneroso.
Agora, portanto, os governantes do estado podiam simplesmente criar o seu próprio dinheiro e gastá-lo ou emprestá-lo a seus aliados favoritos. Nada disso era fácil até à descoberta da arte da impressão; depois disso, o estado pôde inventar meios de alterar a definição de «dólar», «libra», «marco», etc., passando-as de unidades de peso de ouro ou prata para meros nomes dados a pedaços de papel impressos pelo governo central. Este governo podia, então, imprimi-los sem qualquer custo e virtualmente ad lib, e gastá-los ou emprestá-los da maneira que bem desejasse. Este processo complexo levou séculos para ser concluído, porém, agora o stock e a capacidade de emitir dinheiro estão totalmente nas mãos de todos os governos centrais. As consequências estão cada vez mais visíveis ao nosso redor.
Consideremos o que aconteceria se o governo se dirigisse a um grupo de pessoas — digamos, a família Jones — e lhes dissesse: «estamos a conceder-vos o poder absoluto e ilimitado de imprimir dólares, para determinar o número de dólares em circulação e vocês terão um poder monopolista absoluto: qualquer outro que ousar utilizar-se de tal poder será encarcerado durante muito, muito tempo por se tratar de um falsificador mau e subversivo. Esperamos que utilize sabiamente este poder.»
Podemos muito bem prever o que a família Jones faria como este poder recém-adquirido. Inicialmente, eles o utilizariam de maneira lenta e cuidadosa, para pagar as suas dívidas, talvez para comprarem alguns bens específicos que desejassem; porém uma vez acostumados com o inebriante vinho da possibilidade de imprimir a sua própria moeda, eles logo começariam a utilizar ao máximo todo esse poder, comprando artigos de luxo, presenteando os seus amigos, etc.
O resultado seria um aumento contínuo e acelerado na oferta de dinheiro e, por consequência, uma inflação contínua e acelerada.
É exatamente isto, no entanto, que os governos — todos os governos — fizeram. A exceção é que, no lugar de conceder o poder do monopólio da falsificação aos Jones ou a outras famílias, o governo «concedeu» este poder a si mesmo.
Assim como o estado reserva a si mesmo o poder monopolista do sequestro legalizado e o chama de alistamento militar obrigatório, assim como o governo adquiriu o monopólio do assalto legalizado e o chama de imposto, ele também adquiriu o poder monopolista de falsificar e o chama de aumentar a oferta de dólares (ou francos, marcos, ou o que seja).
No lugar de um padrão-ouro, em vez de um dinheiro que surja a partir de um mercado livre e cuja oferta seja determinada por ele, estamos a viver sobre um padrão de moeda fiduciária, isto é, o dólar, o franco etc., são meros pedaços de papel que têm estes nomes impressos neles, e são emitidos livremente pelo governo central — pelo aparato estatal.
Além disso, uma vez que o interesse de um falsificador é imprimir o máximo de dinheiro que ele puder sem sofrer as consequências dos seus atos, o estado igualmente imprimirá o máximo de dinheiro que ele puder, assim como ele também utilizará o poder de cobrar impostos da mesma maneira: para extrair o máximo de dinheiro que puder sem provocar demasiados lamentos de protesto.
O controlo governamental da oferta de dinheiro é inerentemente inflacionário, portanto, pelo mesmo motivo que qualquer sistema no qual um grupo de pessoas obtém o controlo sobre a impressão de dinheiro está fadado a ser inflacionário.
[…..]
…”
………………..
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