(“a arte de cavalgar a toda a
sela”)
Em termos relativos eu acabo por não
perceber muito bem se a “situação” evoluiu para
melhor…
Mas admito pensar que talvez seja
possível “ficarem” os “fios” como ligação visceral entre as partes outorgantes
do nosso contrato.
Ou talvez antes pelo
contrário,
“vai tudo a baixo” como ordem
mitológica da “Grécia Antiga” e como naquele filme de índios e cowboys no qual
(no enredo) “tudo o vento levou”.
[….]
Numa viagem fugaz realizada à
paradisíaca “Ilha de Troia” (em plena “costa atlântica” de uma África Austral
linda, calma, quente e pachorrenta) fiquei lixado com aquilo que vi como
resultado de uma observação presencial (e estupidamente “científica”) a uma
cerimónia pública aparentemente indo-religiosa e num enquadramento natural que
parecia próprio da Comunidade Afro-Holandesa dos
Olivais.
Tudo indica que a natureza deste
“problema” será sempre a mesma coisa,
(que é aquilo do senhor gato)
uma parvoíce olímpica (…),
mas a situação tornou-se num ápice num
azedume dos meus “feles” em grandeza importante de acordo com tamanha a situação
criada…
(ou seja, com
“Aquilo”)
E como eu gosto de “dar nas vistas”
(assim numa espécie de “estrela da companhia” militante e a título concretamente
definitivo),
e para ilustração colorida das minhas
fraquezas psicofisiológicas,
vou tentar fazer um resumo sumário
(ilustrado) da “ocorrência”.
(que terá sido assim…)
Quando dou comigo a olhar de repente e
com atenção curiosa para o plateau vejo duas belas criaturas a deslocarem-se em
passo certo e determinado para o “núcleo central”,
uma delas fémea e feminina, esbelta e
prumada na sua identidade híbrida modelo mix caucasiano com madeixas arianas,
ele um macho lusitano das avenidas
novas, cabelo turbinado em formato gel num arranjo de “jovem militar mais
velho”,
ambos num conjunto de éden muito
requintado e muito formal numa elegância consolidada na cultura local e nas
idiossincrasias etéreas da “zona de
operações”.
No palco da zona de ação dos
acontecimentos principais envolvidos naquela “operação tv” estavam mais outros
dois “operacionais”, todos eles cultura de juventude de desporto radical,
contemplando embevecidos o cenário considerado
idílico;
(com os seus fieis convidados
naturalmente)
Também não menos
importante,
nas proximidades laterais das nossas
estrelas de cartaz néon aparecia a figura robusta, bigode rigorosamente aparado
e cofiado, do "Chefe de Posto" da Comunidade
Indígena.
(figura apreciada e respeitada junto
dos naturais)
De repente, a saudação metálica rompeu
a paz no horizonte e feriu-me as
“vistas”:
_ Camarada Olálio, Viva !! Você está lindo !!
Como está ??
(o cumprimento em voz alta da figura
militarizada e altiva do visitante tilitou no ar com
estrondo)
_ Viva, camarada !!
Estamos ótimos, olhamos deslumbrados (nós os dois, a Carla Frutada e Eu) para estas vistas maravilhosas neste cenário lindíssimo,
quase apopléticos de nostalgia medieval que ainda nutrimos pela nossa “África Minha”;
(“…uma Terra maravilhosa, linda, e é uma
pena termos perdido Aquilo…”)
_ Então Pedrinha, estás linda minha
querida !!…
A nossa jovem Pedrinha continua uma mulher deslumbrante…
_ Ho Olálio, não exagere
querido…
Você é sempre uma maravilha de simpatia para mim;
Sabe que eu amo Você ??
(... numa vénia de perna majestosa)
[….]
O público assistia e bateu palmas
serenas (claro),
tudo tão sereno e em modo de gesto
automático que parecia uma reação de comportamento condicionado reflexa ao sinal
de toque de entrada das 14h00 para as aulas do curso complementar de “história
medieval da humanidade”;teremos que admitir um olhar com naturalidade para a média generalizada de um estado mental catatónico comum na nossa atualidade climática e (em particular) na nossa giesta comunitária;
Portanto, tudo parecia ser mais ou
menos normal atendendo às circunstâncias técnico-táticas envolvidas naquela
operação.
Entretanto, não pude evitar dar comigo
a contemplar as figuras musculadas dos jovens serviçais de serviço à paródia
(assim numa espécie de “serventes carregadores” da “mercadoria colonial”), e…
Surpreender-me com aquele grande valor
tático materializado num modelo de cueca meio turbante meio fralda (certamente
para poupar tempo e dinheiro e sem grandes tempos de “trabalho” mortos), tudo
pensado em prol de uma real e eficaz produtividade política nas suas
“colónias”.
Este cenário e o “filme” respetivo
pareciam estranhos e irreais, mas a “cena” ficava “a matar” (lindamente) às
fémeas envolvidas na operação (…).
Tudo muitas estrelas de grande
qualidade natural dadas as características político-técnicas (e raciais) das
pessoas envolvidas na “entente” técnico-jornalística que caracteriza normalmente
a elevada envergadura e categoria de excelência das marcas técnico-políticas
envolvidas nas “operações de televisão”
referenciadas.
[….]
Mas fartei-me de repente do programa e
num ímpeto de lucidez cliquei com impacto no botão de comando do “PowerPoint” da
minha caixa de tv;
Senti-me bem e confortado com a minha
alma de cidadão indignado, eventualmente numa espécie de esgar de
inteligência,
mas decidido a terminar de forma
perentória aquela apresentação felina de estudos coloniais africanos no parque
natural da Península de Setúbal.
[….]
Pós-escrito:
Este (nosso) “Serviço Público” está
malignamente inquinado na Visão Cultural que detém da comunidade dos cidadãos
que constituem a sociedade portuguesa e,
mais do que
“Isso”,
transformou-se numa ameaça pública
grave à sanidade política e cultural dos portugueses;
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