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“Sendo nós
portugueses
convém saber o que é que
somos”
Fernando
Pessoa
………………………….
“A identidade de interesses é o mais
seguro dos vínculos entre Estados ou
indivíduos”
Tucídies
»»»»»
Somos
portugueses,
de “corpo e alma” diz-se por hábito com
a emoção do sentimento inscrito na memória daqueles que estão vivos, aqueles que
já morreram e aqueles que ainda hão de
nascer.
(….)
A questão até parece ser simples,
e diz respeito a saber qual será
(afinal) a Identidade Nacional do cidadão português que vive em Portugal neste
início “já em marcha” do século XXI.
Numa “versão teológica” a identidade
nacional remete os portugueses para a terra dos seus antepassados, para a
Memória coletiva de uma comunidade que vive num mesmo Território Pátrio e
comunga uma mesma Linguagem Cultural.
Ou seja, de uma forma mais pragmática e
empírica (quanto simples e brejeira) os portugueses têm memória e consciência
que vivem em Portugal e falam o português dos seus
pais;
E “isso” irá caracterizar muito
simplesmente a natureza da sua pátria, dará um colorido vivo ao nacionalismo, e
a alma da memória coletiva fará o “resto” - a comunidade estabelece os pilares
da nação.
(de facto tudo muito
simples…)
Mas não é
!!
(nem nunca
será)
Portugal tem uma história de quase nove
séculos,
essa história de Portugal
caracteriza-se de forma objetiva por ser a “história militar de
Portugal”,e a circunstância envolvida neste raciocínio pretende revelar e enaltecer os contornos de uma “potência” nacionalista que se pretende materializar nos feitos dos seus heróis e na diáspora lusitana nos mares do mundo pela descoberta de novos territórios, a ligação de culturas afastadas, e a realidade estratégica de estabelecer novas rotas de aproximação globais a um novo mundo emergente.
(construído por
portugueses)
[a primeira globalização
mundial que tanto ódio nos causa na sua versão atualizada e na
mesquinhez oficial de uma atualidade política egoísta, irracional e pouca
sensata na sua opção de inteligência política e
estratégica]
Mas a questão principal não será
essa,
a dinâmica cultural elitista “deste”
nacionalismo presente e atual remete-nos para um império colonial extinto e
prescrito na sua identidade nacional e nos interesses políticos e estratégicos
dos portugueses.
Hoje a linguagem estratégica portuguesa
(mantendo a opção patriótica identitária de base do português como língua mãe do
mundo lusófono) situa-se na geografia política de uma Europa comum e unida em
torno de ideais de progresso político, económico e
social.
Mas também aqui há mais a
relatar;
Os portugueses do pós-Abril de 1974
perderam de forma radical a sua motivação africana para um colonialismo
imperial,
tornaram-se
amigos e solidários dos povos africanos (provavelmente unidos pelo respeito das
diferenças étnicas e raciais que também eles conheceram no seu passado recente
na diáspora da emigração portuguesa para destinos europeus, aparentemente como
resultado prático do esforço estratégico e económico orientado justamente para
aquela opção de Pátria una e indivisível dos territórios de “Cabo Delgado” ou de
“Nambuangongo”
até aos toldos e espreguiçadeiras da Praia dos Tomates), europeus na atualidade
presente parceiros de uma (provável) nossa nova missão no mundo
contemporâneo.
(....)
Curiosamente (ou não…), as elites
intelectuais insistem em manter-se firmes e unidas nas suas convicções de uma
Pátria portuguesa cuja linguagem política principal respire (e transpire de
forma incómoda) um código de conduta que regule o seu procedimento pelos usos e
costumes (e pelo “multiculturalismo”) de um império colonial português.
(…)
Mas “a parte” mais irónica e
circunspeta (e humorística…) desta parafernália dirá respeito à geografia
política desta “casta honorífica”, orientada para o interior do território da
nação numa leitura talvez semelhante a outras figurações já vividas no
“frigorífico” de uma europa deprimente, dividida e fragmentada em ideologias de
recorte radical especialmente penalizantes para os respetivos povo indígenas e
subscritores do “sistema político
envolvido”.
(….)
As coordenadas do nosso “Caminho de
Santiago” conduzem-nos sem qualquer equívoco ou outra opção para a Europa
Ocidental,
o nosso “agrupamento” de território
(patriótico) político e estratégico comum,
e sem que esta figuração “de facto”
(geopolítica) afete por qualquer forma a identidade nacionalista e patriótica do
homem português.
(….)
§§§§§ /
§§§§§
ANEXO
– LEITURA BIBLIOGRÁFICA:
««««««««««««
“…
de:
Identidade nacional é o conceito que sintetiza um conjunto de sentimentos, os quais fazem um indivíduo sentir-se parte integrante de uma sociedade ou nação.
Esse conceito começa a ser definido somente a partir do século XVIII, e se consolida no século XIX, não havendo, antes disso, a conceção de nação propriamente dita.
Ela é construída por meio de uma auto descrição da cultura patrimonial de uma sociedade, que se pode apresentar a partir de uma consciência de unidade identitária ou como forma de alteridade, buscando demonstrar a diferença com relação a outras culturas. A síntese da cultura consiste na definição de fatores de integração nacional, baseados na língua, monumentos históricos, folclore, modelos de virtudes nacionais, paisagem típica, série de heróis, hino e bandeira.
Segundo José Luiz Fiorin, há dois princípios que regem as culturas, princípios esses, que se definem pela exclusão e pela participação. A exclusão se manifesta por meio da triagem e segregação dos indivíduos, já a participação promove a heterogeneidade e a expansão cultural.
O convívio social promove a assimilação da identidade do grupo, além de sua veiculação pela mídia, tradições e mitologia. Identidades são criações, por isso são frágeis, suscetíveis a distorções, simplificações e interpretações variando entre os indivíduos.
(….)
A identidade nacional não é a única dentro do país. Existem outras formas de identidade cultural que rivalizam com ela e em alguns períodos da história foram até mais importantes. Elas dividem a nação em grupos menores, de acordo com região, etnia, religião, género, classe social, intelectualidade, ou qualquer outra característica que os indivíduos tenham em comum.
Ao analisarmos por esta perspetiva notamos que a identidade nacional deve ser fortalecida para que haja a consolidação do Estado. O período histórico em que este fenómeno se torna mais evidente é durante o século XIX, na formação dos Estados Nacionais na Europa, quando países como Itália e Alemanha, constituídos de várias províncias, se unificaram.
Era preciso a criação de uma consciência transregional para que a população se considerasse parte de todo e não representantes das partes divididas, podendo mais tarde se organizar em uma unidade política.
Quando outras identidades têm mais força do que a nacional, surgem conflitos internos no país. Como exemplo podemos citar os Bascos na Espanha, que não se consideram parte integrante da nação e possuem um movimento separatista, a ETA. Há também países africanos que tiveram suas fronteiras determinadas por outros que sofrem muito com esta questão.
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####
de:
Na era da globalização, caracterizada por um intercâmbio sem paralelo de mercadorias, valores e representações e por diásporas que dispersam populações outrora ancoradas de modo durável a um dado território, a nação continua ainda a ser uma forma preeminente de identificação (Castells 1997).
E, como ocorre em todas as formas de identificação, pertencer-se a uma nação implica partilhar referências a um passado comum – uma memória – e acreditar que esse coletivo possui características próprias: uma identidade.
(….)
Sem memória não há identidade; sem
identidade, não há nação” (Smith 2004: 75).
Por isso vamos referir-nos brevemente a
cada uma destas entidades que se encontram de tal modo interligadas que já se
definiu a nação como “uma comunidade imaginária formada pelos mortos, pelos
vivos e pelos que ainda não nasceram, que se mantém unida graças a uma cola
chamada memória “ (Ash 2005).
Concebemos a memória nacional como o produto de uma comunidade mnemónica específica, a nação, que ela, por sua vez, contribui para reproduzir.
Por isso, o processo da sua formação e reprodução funde-se com a história da própria formação da nação. Esta última não se deve confundir com o estado – o que só sucede no caso dos estados-nações de que Portugal é exemplo –, o “aparelho político (instituições governamentais e funcionalismo público) que governa um dado território, cuja autoridade assenta na lei e na capacidade para usar a força (Giddens 2004 [2001]: 691).
A nação é “um grupo formado a partir de um ou vários grupos étnicos, e normalmente identificado por uma literatura própria [que] possui ou reivindica o direito à identidade e à autonomia políticas enquanto povo, bem como o controlo de um dado território…” (Hastings 1997:3).
(….)
As identidades nacionais são formas específicas da identidade coletiva.
Há vários aspetos presentes na identidade nacional, que importa destacar. Em primeiro lugar, reporta-se a coletivos em que a absoluta maioria dos membros é constituída por desconhecidos que são socialmente distantes (estão divididos em termos de classe e género, atitudes políticas, morais e religiosas, estilos de vida, etc.); porém, essa distância não implica a inexistência de amplos contactos, o interconhecimento e o convívio entre diversas gerações, geradores da experiência de se pertencer a uma e à mesma entidade ao longo do tempo (Zerubavel 2003a: 60).
Depois, para a sua génese e perpetuação concorre uma enorme intervenção das agências de doutrinação – em particular do estado, através da escola, do exército e de outros meios de propaganda.
Deve-se sublinhar o papel das elites intelectuais na criação das identidades nacionais, complementar ou em oposição ao estado (consoante a apreciação que fazem da relação entre a nação, de que se proclamam arautos, e o estado).
São quem estuda a língua e elabora o corpus literário que virá a ser definido como literatura nacional. São produtores das narrativas históricas que estabelecem a continuidade entre o passado mais distante e o presente, ligam o cidadão anónimo aos “grandes personagens”, instituem relações imaginadas de parentesco entre antepassados e contemporâneos.
São esses intelectuais quem anima a pesquisa arqueológica à procura dos antecessores mais distantes, e a etnográfica, em busca do mais genuíno de cada cultura nacional.
O seu papel é relevante, como agentes do estado ou em concorrência com o mesmo, nos rituais e cerimónias comemorativas que asseguram a rememoração e a identificação nacional numa temporalidade cíclica que recorda a permanência – a imortalidade – dos factos e do coletivo celebrado.
São finalmente os intelectuais quem desenvolve o discurso sobre o conteúdo das identidades nacionais. Este é objeto de afrontamento entre definições distintas e contraditórias. As nações são “zonas de conflito”.
A fixação de um território é um aspeto fulcral na formação das identidades nacionais, pois, a constância de lugar fornece um sentido de se permanecer o mesmo ao longo do tempo, não obstante a mudança (Zerubavel 2003).
A relação com o espaço possibilita aquilo a que Anthony Smith chama a “territorialização da memória”, a transformação do território no referente fundamental da recordação (Smith 2004: 75).
A demarcação de um espaço determinado como nacional acarreta múltiplas consequências.
(….)
…”
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